Com estas eleições intestinas do bando do PSD assistimos a vários acontecimentos. Uns importantes, outros ridículos ao máximo.
Ridículas foram as notícias que se arrastaram ao longo dos noticiários, em que às lutas internas duma oligarquia portuguesa foi dada muito mais importância pela jornaleirada que o normal num país democrático. Embora muitos desconheçam e não concordem, trata-se de mais uma demonstração de ausência de democracia.
Não eram eleições nacionais para que a jornaleirada rasca nos atirasse à cara tão longos tempos de reportagens, análises e outros abusos. Os noticiários continuam a funcionar a golpe de scoop, inflação noticiosa (ex.: Madeleine e Esmeralda), falta de coberturas noutros casos (ex.: outros desaparecidos). É uma desorientação fomentada pela incompetência e um abuso devido à arrogância e princípios errados em que foram deseducados. É a geração rasca, como ficou conhecida no tempo de Mário Soares, que cresceu e “ocupou” os lugares vagos da precedente.
O PSD foi arrumado pela política seguida pelo governo. Perdeu toda a capacidade de fazer oposição a um partido que ao herdar o seu governo deu continuidade absoluta à sua política, adoptando todos os pontos, alguns apenas com ligeiras modificações. Como pode opor-se à continuidade da aplicação das medidas que ele próprio iniciou quando esteve no governo? Como pode uma qualquer pessoa, entidade ou partido contradizer o que fez sem cair no ridículo ou ser tomada por mentiroso. É o que aconteceu ao PSD. Foi vítima da sua própria política. Todas as suas críticas actuais só se podem assemelhar a birrinhas de crianças.
Ou seja, se o povo não bate o pé com energia, está feito, quer seja um partido ou o outro no governo. Todos sabemos que pior que o PSD, se tivesse tido tempo, teria feito à Segurança Social e ao Serviço Nacional de Saúde só poderia ser acabar com eles de vez. O palavreado pouco importa, só as decisões contam, e essas conhecemo-las por demonstração bem exemplificada. Lembremo-nos de que o nojo televisivo já elevou três abortos burlões e vigaristas ao poder. Medite-se.
Sobre o abuso das notícias e reportagens, não se pôde deixar de notar até que ponto vai a falsidade, vigarice e más intenções destas bestas políticas. Não notámos como o Luisinho Manuel transformou a sua pronúncia nos discursos que fez no norte? E o outro, o Luisinho Filipe, não fez o mesmo quando se deslocou a terras Lusitanas? Que ridículo! Que repugnante banha da cobra!
O PSD está arrumado por alguns anos e deu um enorme estoiro com esta escolha. Se o outro chefe de clã tivesse continuado não teria sido bom, mas esta mudança tem um significado especial. Os militantes, descontentes com as circunstâncias, que do partido não dependem e contra as quais não têm armas para lutar, manifestaram a sua estupidez com o seu voto. Tipicamente português. Pagarão as consequências. Por demais que escolheram um indivíduo conhecido como traiçoeiro e desonesto, como ele se mostrou agora, de novo, para quem tudo vale como meio de luta. Quem votou nele tem que aprovar estes princípios.
Com esta eleição de mais um fala-barato incompetente, o PSD fica assim arrumado por uns tempos. Nada pior poderia ter acontecido agora ao partido. Tal como outras fáceis previsões aqui apresentadas e concretizadas, o futuro o comprovará.
30 de setembro de 2007
O Grande Estoiro do PSD
e os Noticiários Nojentos
Autor:
Mentiroso
às
14:32
2
mentiras
Tópicos: Atraso, Clãs, Coerência, Insensatez
28 de setembro de 2007
Darfur... Zimbabwé... África
Cai a noite,
Pesada, quente, iluminada pelas fogueiras
Dispersas,
Meio apagadas, meio desfeitas.
Murmúrios na noite
Choro inquieto de crianças
Nao há vento, não há nada......
Rostos cansados,
Rostos enrugados
Sustentados pelo corpo mirrado,
Sombrios na escuridão que os cerca......
Darfur, Darfur...sinónimo de miséria
Sinónimo do desprezo dos poderosos
Darfur...
Amanha é outro dia,
Há que tentar erguer aquela mulher,
Aquela criança, caídas na poeira da rua
Porque forças não há, nem para um suspiro
Darfur,
O teu nome é um suspiro moribundo
À espera de paz e de pão
Ouçam, por Favor,
DARFUR
Ouçam um continente em Agonia,
Vítima de déspotas no poder
Viítima de quem se dizia vitimizado pelos outros.
Zimbabwé....
Onde está o teu povo?
A morrer no mato, caçando animais para sobreviver
Ou sendo caçado
Por animais de duas patas?
Onde está a liberdade?
Onde está a esperança?
Continuam a ser roubados
Pelos que no poder estão
Pelos que continuam a pedir donativos
Que o próprio povo nunca viu
Porque antes, a Segurança, segurou........
África,
Solo rico e poderoso
Chora lágrimas de desespero e impotência ,
Pelos filhos, pela maldita guerra,
Maldita doença,
Maldita ganância ....
Cai a noite
Dormem os corpos famintos,
Num sono e pesadelo
Sem fim.
DARFUR... ZIMBABUÉ... ÁFRICA
Autor:
aruangua
às
22:12
1 mentiras
27 de setembro de 2007
O défice tem as costas largas
Li hoje a notícia de que em 2008 o imposto sobre a gasolina vai aumentar, a fim de reduzir o défice orçamental. Isso irá acarretar aumento dos preços de todos os produtos que dependem deste combustível para o fabrico e o transporte.
O défice devia ser reduzido pela diminuição das despesas públicas. Mas os governantes não querem, não estão interessados em prescindir de parte dos seus benefícios, antes pelo contrário...
Os políticos deviam seguir o exemplo hoje noticiado dos médicos que prestam serviço nas urgências do Hospital Distrital Luciano de Castro, em Anadia, que «admitem prescindir de uma parte do vencimento para manter o serviço a funcionar» (Diário de Notícias, pág. 17).
Pelo contrário, os políticos aumentam o número de assessores, de assistentes pessoais dos deputados, criam comissões não produtivas, encomendam estudos para apoio de decisões já preparadas, renovam a frota automóvel, renovam as decorações dos gabinetes, etc.
Somos obrigados a concluir que os nossos políticos parecem tão estúpidos que não compreendem que pertencem a um País pobre sem petróleo, nem diamantes, nem recursos naturais importantes, e tão ambiciosos que, apesar disso, querem ultrapassar, em ostentação e gastos diversos, os seus parceiros dos países com maior PIB per capita.
E o povo contribuinte é que se lixa, tal como o mexilhão, tendo de apertar o cinto com sucessivos sacrifícios com o pretexto de ser necessário reduzir o défice que os políticos provocaram e aumentam com os seus abusos excessivos e incessantes.
Autor:
A. João Soares
às
18:31
8
mentiras
MacCann! MacCann!
Regozijai-vos, ó povo! Venho dar-vos pasto para a má-língua! Esqueçam telenovelas e jogos de futebol! Esqueçam praias, discotecas, amantes, paixonetas, carros, empregos, promoções! Esqueçam todo esse lixo, porque vos vou dar melhor sucata. Depois, não se esqueçam de a pôr no Ecoponto, para lançar no desemprego aquele pessoal que separa o lixo nas fábricas da reciclagem dita ecológica. Perdão, económica!
MacCann! MacCann! Oh, néctar dos deuses! Supremo alimento da alma... Crime, mistério. Estamos a assistir ao maior logro da história dos media, desde a Casa Pia. Só que agora não é pedofilia dos Grandes, dos Senhores do Mundo. É Homicídio! Mataram a criança – não sabemos ainda como – e têm andado a contar-nos histórias da carochinha. Aos poucos, como convém, jornais e televisões vendem o produto MacCann com enorme sucesso. Primeiro, tivemos pena do pobre casal e andámos à procura do infame raptor. Agora, andamos à espera que o infame casal venha de Inglaterra. Para quê? Obviamente, para linchá-lo!
Mais uma vez, a comunicação social – portuguesa e inglesa – cumpre integralmente os seus objectivos: vender produtos consumíveis e descartáveis, para benefício dos seus proprietários e dos detentores do poder. Aos primeiros, oferece-lhes lucro, permitindo-lhes aumentar vendas e angariar clientes para a Publicidade; horas e horas nas têvês, espaço garrafal nos jornais e revistas. Para vender champôs, carros, perfumes, sabonetes, relógios, empréstimos, etc. e tal. Aos segundos, oferece-lhes o prato principal do exercício do poder: alienar as mentes, distraí-las do fundamental. Do facto de que estão no poder para usufruto dos benefícios de estar no poder.
Autor:
Savonarola
às
01:33
8
mentiras
26 de setembro de 2007
Estado da Justiça Revela Estado do País
Juízes inteligentes, competentes e sabichões opõem-se hoje aos conselhos sobre os interesses da criança (Esmeralda) e decidem contradizê-los por completo.
Afinal, para que serve a justiça em Portugal? Frequentemente, assistimos a decisões jurídicas ilógicas, sem pés nem cabeça, discordantes da realidade, inoportunas, que não satisfazem ninguém nem a finalidade da justiça. Um tribunal decidiu hoje ir contra os princípios que defendem os interesses duma criança (princípios de Direitos Humanos, entenda-se) de, em aberta contradição com as conclusões médicas qualificadas que estudaram o comportamento psiquiátrico da criança. Irracional, quando se nota que estes estudos foram encomendados por instituições oficiais.
Os tribunais portugueses estão a converter-se em autênticos circos onde palhaços vão representar os seus actos de arrogância e incapacidade, não satisfazem a população que contesta constantemente os julgamentos. Portugal é um dos países europeus onde há um maior número de recursos contra as decisões judiciais
Que se passa com a justiça portuguesa? A resposta não pode agradar a ninguém, mas não reconhecer um qualquer problema só pode servir para assegurar a sua continuidade. Afinal, vendo o que se pasno comportamento no que respeita à justiça. Os que formam o seu corpo, não cresceram eles com a restante população? Não andaram nas mesmas escolas? Não tiveram os mesmos pais que educam os filhos como se conhece, num país onde o método educacional nunca foi reformado como em países avançados desde o fim da Segunda Guerra Mundial?
As crianças portuguesas continuam a ser educadas por pais incapazes, que por demais mentalmente atrasados moldam filhos iguais. Que se pode esperar da continuidade deste método? No entanto um governo completamente desnorteado e super-arrogante, cujo primeiro-ministro é acusado de traidor dos Direitos Humanos pela Human Rights Watch, em lugar de solucionar os problemas de base, entretém-se a estoirar o dinheiro público noutra tolice mundialmente reconhecida com uma enorme asneirola, segundo rezam os resultados obtidos noutros países: dar computadores para jogos aos alunos para que desistem da escola mais rapidamente, o que é um investimento para economizar na instrução.
A mentalidade desses juízes, tal como a da quase totalidade dos portugueses, foi moldada segundo princípios arcaicos e obsoletos, substituídos há 60 anos nos países que maior progresso fizeram em todos os campos. Alguma razão apoiou esse progresso e por algum motivo os portugueses de hoje são conhecidos nesses países por profundamente atrasados. Por qualquer motivo Portugal continua a fazer um progresso inferior ao dos melhores, o que equivale a continuar a atrasar-se e a distanciar-se deles.
Assim vai a mentalidade da carneirada nacional conduzida por maus pastores. E assim continuará até que o povo soberano exija prestação de contas a todos os pedantes inúteis que se julgam soberanos do soberano. Se não se colocarem os abusadores rascas no seu lugar, que esperar do futuro, se não a consolidação da miséria e da desgraça?
Autor:
Mentiroso
às
13:56
3
mentiras
Tópicos: Amnesty International, Atraso, Coerência, Contradições, Justiça podre
25 de setembro de 2007
Que Show de Computadores
Esta campanha com que o nosso Governo nos quis mimosear, nunca me convenceu.........
Computadores para todos, em todas as escolas, a preços irrisórios.... Concordo em absoluto que as escolas e por conseguinte os alunos, deveriam ter um mais amplo acesso a computadores, a sistemas de informática, a toda uma educação visada num futuro. Afinal, as crianças desde muito novas têm uma potencialidade nata para investigar, aprender, avançar e não regredir.Muito bem, instale-se então, computadores para todos, a que todos tenham acesso e não numa meia dúzia por escola, em que os alunos tenham que aguardar vez. Vamos então apostar no futuro.
Mas (sempre um mas, não é verdade?), façamos as contas. A TMN lançou uma campanha em que propunha os computadores a 800 euros. A FNAC, fez o mesmo, mas com os mesmos a cerca de 500 euros e ainda por cima, facilitados por crédito.Então e o governo? Eu só espero que muitos professores e encarregados de educação não caiam em muitos logros, pois pode dar-se o caso de ficarmos sem computadores, ou sairmos defraudados.
Basta fazer as contas e comparar. E esperar que os mesmos para o próximo ano, possam ser dedutiveis no IRS.
Autor:
aruangua
às
20:39
1 mentiras
24 de setembro de 2007
Kits
Cheguei há pouco do Centro de Saúde. Tempos intermináveis de espera, pois andava tudo muito ocupado em prevenções, planos de troca de seringas, etc. A rotina de um Centro de Saude com muita "clientela" e poucos funcionários.
Logo na entrada, um largo cartaz chamativo, uma pequena mesa com um Kit e vários panfletos.
Farta de esperar por um simples carimbo e uma receita, farta de ouvir protestos de utentes, que ainda por cima tinham que pagar para uma simples coisa de 1 minuto....resolvi começar a perguntar ás enfermeiras e a um médico (venezuelano?) que por ali passava, que projecto de trocas era aquele........
Trocas de seringas, Kits para os presos..........
"Ah, com direito a algodão, seringa, pensos, preservativos, isso tudo?
Sim, concerteza, a prevenção é a nossa aposta! Foi-me esclarecido.
Voltei á carga, com ironia: "Olhe e já agora, também fornecem a droga? É que eu não quero ser conivente com crimes, criminosos e ir contra a lei........"
Pois então, meus caros, expliquem-me: se me falarem na prevenção da SIDA e derem preservativos, tudo muito bem e até concordo plenamente. Agora, Kits para drogados? Mas o consumo e tráfico de droga não é punido por lei? Não é ilegal?
Então, não é suposto estarem presos muitos deles, por isso mesmo?
Onde moro, foi há pouco tempo preso um cidadão por isso (descansem que já não está a expensas nossas, pois com o tal novo código penal, já esta cá fora de novo, a exercer o métier habitual – passador de droga).
È suposto um preso "ir dentro" para ser punido por crimes contra os cidadãos, estado, etc.
Parece que neste país a ordem das coisas está um pouco alterada.....quem e punido, somos nós..........por ajudar a contribuir para o bem estar e a satisfação dos presos.
Quem será que lhes fornece a droga? O estado? MAS NAO È ILEGAL?
E se nao é o estado, como existe droga lá dentro?
Porque se não a houvesse, nao eram precisos KIts.
E a Metadona? Não era mais certo investir nesse projecto, em vez da distribuição absurda de kits e droga? Pois, mas os presos, coitados, iam logo queixar-se que estavam a ser maltratados e prejudicados no direito deles...a sua dose diária e obrigatória de prazer!, pois para isso, ali estão eles!
Expliquem por favor.......eu não entendo mesmo, meus neurónios.........fundiram.
Só que neste momento, estou a sentir-me criminosa.....e conivente com este estado de coisas.
Autor:
aruangua
às
18:43
3
mentiras
23 de setembro de 2007
Bloqueio dos carros é prova de irracionalidade
Há meses, um conhecido cantor pediu uma avultada indemnização por o seu carro ter sido bloqueado durante mais de uma hora. O que merece reflexão não é isso ter acontecido a um notável, mas simplesmente por ter acontecido.
Já há tempos escrevi uma carta aos jornais e um post em blog a expressar a «dúvida» sobre a lógica e o bom senso que poderá ser alegado em defesa de tal repressão. Parece haver uma ausência de racionalidade nesta actuação das forças policiais. Procurando compreender, tenho de partir da função do Estado e da sua máquina administrativa e policial repressiva que é suposto destinar-se a garantir ao cidadãos os seus direitos, liberdades e garantias constitucionais.
Na sequência, deduzo que as proibições de estacionamento num dado local destinam-se a facilitar a vida dos cidadãos quanto a circulação de veículos ou de peões. Até aqui a lógica, teoricamente, não é criticável e continuaria a não o ser se os carros mal estacionados, com prejuízos para terceiros fossem rebocados a fim de deixarem de estar naquele local a lesar os outros cidadãos.
Porém, ao contrário do reboque que defende os direitos do utente, peão ou automobilista, o procedimento dos bloqueios vai contrariar qualquer lógica ou racionalidade, pois acaba, na prática, por obrigar o carro a prolongar desnecessariamente a sua permanência num local em que prejudica outros. Além de o motorista causar danos aos interesses alheios, as autoridades prolongam no tempo esses danos. Se o motorista é um infractor dos direitos dos cidadãos, as polícias, nestes casos, são piores infractores, por serem agentes qualificados e com deveres para com a generalidade dos cidadãos, por terem consciência do mal que o veículo ali produz, e por serem useiros e vezeiros nestas acções.
Porquê esta insensatez?
Se perguntarmos ao agente, ele, pelas suas palavras, traduz um acto de repressão, de retaliação, de vingança, por parte da máquina repressiva do Estado, dirigido ao motorista por ter praticado uma infracção, a qual não era grave, visto lhe ser dada continuidade desnecessária. E, se a infracção não é grave e até pode ser prolongada no tempo, pergunta-se qual a razão de existir a proibição de estacionar nesse local?
E os pressupostos atrás referidos não passam de meras especulações teóricas, pois:
- O Estado e as máquinas administrativa e repressiva não evidenciam vocação para facilitar a vida do cidadão mas, pelo contrário, apenas para lhe sacar mais dinheiro, para o tratar com uma repressão e um sadismo sistemáticos;
- A finalidade da proibição do estacionamento raramente é justificada pelo benefício ao cidadão, mas sim para aumentar os lucro das empresas municipais ou da «confiança» dos autarcas cujo negócio consiste em gerir os parques subterrâneos e o parqueamento à superfície.
- O bloqueamento dos carros, embora agrave o pretenso inconveniente do estacionamento ilegal, é praticado por mero sadismo e desejo de retaliação por parte da lei e dos seus agentes.
- Em tudo isto ressalta a posição incoerente do Estado e seus agentes em relação à população, considerando-a não como objectivo a defender, mas como inimigo a castigar (através de multas, coimas e outras sanções), ao mínimo pretexto.
Autor:
A. João Soares
às
10:43
5
mentiras
Tópicos: Abuso, Bloqueio, Insensatez, Irracionalidade
21 de setembro de 2007
O essencial e o marginal
Muitas vezes, perdemo-nos na periferia do problema e não entramos na sua essência; a árvore não nos deixa ver a floresta; o fundamental, o indispensável, o necessário fica oculto, ocasional ou intencionalmente, por um ou outro aspecto de pormenor, passageiro, sem importância; o centro fica oculto pelas orlas.
Numa conversa entre dois presos, um deles justificava estar ali pelo facto de a bateria do carro ter perdido a carga e não ter feito o arranque do motor. Mas isso não era motivo para ter sido preso. Pois, mas chegou o polícia. Mas isso também não justificava. Ao fim deste diálogo, ele explicou que tinha saído de uma loja de telemóveis às três da manhã e, quando quis fugir do polícia, o carro não pegou.
Um autarca, bem posicionado no seu partido, explicou uma irregularidade dizendo que houve uma fuga de informação seguida de títulos de caixa alta exagerados, tudo inserido numa conspiração para abater o presidente da Câmara, resumindo-se a gestos desproporcionados face a umas pequenas falhas administrativas. Tal como no caso do preso, não houve a sinceridade de apontar frontalmente a infracção, as tais falhas administrativas.
Quando um condutor é detido pela polícia, a notícia diz que foi detido «por ter sido detectado» com alto grau de alcoolemia ou em alta velocidade. Transfere-se a causa da detenção do acto de ter cometido uma infracção, para o azar de «ter sido apanhado» em falta. Isto é um hino laudatório aos criminosos espertos que infringem mas não são apanhados. É como o caso do tribunal que considerou não haver crime de tráfico de droga porque, embora este tivesse sido comprovado iniludivelmente, as provas mais convincentes assentavam em escutas não autorizadas, portanto inválidas. E deixou de haver crime!
Também os crimes por cheque sem provisão passaram a ser em menor quantidade por o Governo ter decretado que apenas seria crime acima de um valor muito mais alto. No mesmo sentido, no caso da não publicação dos contratos dos assessores e consultores, muito criticado e depois alterado, não foi abordado de frente, não mostrando que o Governo pretendia considerar o País como uma pequena quinta dos governantes, gastando o dinheiro dos contribuintes, nas costas destes, sem a mínima transparência, em benefício dos «boys» e «girls» de confiança política dos detentores do Poder, esquecendo estes que o essencial da sua missão, como delegados do povo - a real sede da soberania - não lhes permite colocar os interesses pessoais e partidários acima de tudo e de todos, mas sim, zelar pelo bem-estar e qualidade de vida, de forma sustentada, da generalidade dos cidadãos.
Neste momento, trava-se num grande partido da oposição uma luta para escolher o futuro líder. Seria de esperar que nos debates e na propaganda divulgada o povo fosse informado sobre os projectos que cada um tem para desenvolver Portugal e melhorar as condições de vida dos cidadãos. Mas não chegam a esse grau de elevação, começando por se maltratarem mutuamente e reafirmando repetidamente que o actual governo governa mal. Não desvendam o que pretendem fazer de melhor se o povo os escolher nas próximas legislativas. O povo terá de escolher apenas sob o efeito das promessas (habitualmente enganosas) da campanha eleitoral. Mas a realidade é que o essencial, segundo os melhores pensadores, será fazer uma alteração profunda no funcionamento da democracia, por forma que o executivo seja devidamente controlado, para não se desviar dos interesses nacionais e da vontade legítima do povo soberano. Será o combate à corrupção, a fim de a máquina administrativa funcionar mais ligeira e com menos custos, etc. No entanto, discutir o essencial, não lhes interessa.
Essa essência do problema fica oculta pela fumaça periférica, ocasional e volátil e iremos continuar com a competição pelas cadeiras onde tudo continuará mais ou menos na mesma, com os mesmos sacrifícios exigidos aos que nada podem fazer senão pagar sem refilar. Porém, este desprezo do essencial, dos objectivos e dos interesses nacionais, sobrepondo-lhe aspectos secundários, está a ser posto em prática com exagerada frequência, tornando-se conveniente inverter tal tendência a fim de o País poder recuperar da actual crise de valores e atingir um nível consentâneo com a sua qualidade de membro da UE.
Autor:
A. João Soares
às
17:37
0
mentiras
Tópicos: Essencial, Incapacidade, Secundário, Tibieza
17 de setembro de 2007
As multinacionais e os consumidores
Há movimentos a aliciarem os consumidores a rejeitar os produto das multinacionais que saíram do País. Não me parece lógico, porque um comportamento motivado por desejos de vingança ou maldade não está fadado para ter êxito, sendo preferível agir com objectivos positivos, de bondade, de que resulte benefício para o próprio e para outros.
Este movimento acusa as multinacionais de pretenderem obter grandes lucros à custa de mão-de-obra barata. Ora, essa intenção já existia quando elas estavam em Portugal e, então, se elas são más, porque se lamenta a sua saída? Há qualquer coisa errada na argumentação.
O consumidor, para agir racionalmente, pela positiva, deve procurar defender os seus interesses comprando apenas os produtos de que necessita, sem ir atrás de publicidade duvidosa e procurar as melhores condições de preço e qualidade. Qualquer grande empresa procura lucros, sendo essa a sua finalidade essencial, e, para isso, deseja ter custos mais baixos nos factores de produção, produzir com a melhor qualidade, vender muito e ao mais alto preço que o mercado permita. Contra isto nada se pode fazer.
Outro aspecto a considerar, e esse é grave, é o dos postos de trabalho que desaparecem com a deslocalização. Mas só é de lamentar que o trabalhador não possua saber geral e capacidade técnica que lhe permita trabalhar com grande eficiência, adaptar-se sem dificuldade à modernização e à inovação, por forma a poder mudar de ramo de actividade em caso de necessidade ou de conveniência, à procura de melhores condições. Quanto a isto, há que apontar o dedo ao Estado que encerrou as antigas «Escolas Comerciais e Industriais» e aos sindicatos que não estimulam os seus associados a aumentarem os seus conhecimentos técnicos para darem à empresa melhor colaboração e merecerem melhores salários e para poderem mudar de emprego sem dificuldade. Conheço exemplos muito positivos das vantagens da preparação profissional e das consequentes melhorias através de mudanças de emprego. A propósito, há cerca de dois anos, um empresário espanhol instalou em Trás-os-Montes uma empresa de exploração e industrialização de granito. Quando o jornalista lhe perguntou quantos postos de trabalho ia criar para os transmontanos, respondeu que a mão-de-obra seria toda espanhola, o que aparentemente lhe traria custos mais elevados mas mais vantagens reais por assim obter maior produtividade. Isto merece reflexão, mostrando que a vantagem das empresas não está nos salários baixos, mas na melhor produtividade, na qualidade do trabalho.
Autor:
A. João Soares
às
21:42
2
mentiras
Tópicos: Desempenho, Preparação, Produtividade
14 de setembro de 2007
Combate à pobreza e à exclusão
A revolução de Abril, já lá vão 33 anos, ao preconizar nos seus objectivos o desenvolvimento, dava a este o significado de, além do crescimento económico, as implicações sociais tais como equidade, preservação do ambiente, saúde, emprego e coesão social. Haveria que fazer convergir as medidas governativas para conseguir uma melhoria sustentada das condições de vida.
As pessoas passariam a dispor de habitação, alimentação adequada, educação e saúde. Porém, não tem havido da parte dos sucessivos governantes e autarcas medidas convergentes para estas finalidades, apesar de muitas promessas e discursos brilhantes quanto à utilização sonora das palavras, mas sem repercussão positiva na realidade.
Contudo, nem sempre as palavras dos políticos são vazias de conteúdo. Por vezes distraem-se, descontraem-se um pouco e, como seres humanos, deixam escapar a verdade, com sinceridade. Foi o caso do Sr. ministro da Saúde que, em resposta a pergunta de jornalista, disse que em caso de emergência nunca recorreria a um SAP e iria à urgência de um hospital ou de uma organização credível, pois o SAP não tem condições para ser eficiente. Não era necessário ele dizê-lo. Já o primeiro-ministro, quando torceu um tornozelo, na Suíça dirigiu-se sem hesitação ao Hospital da Força Aérea. Segundo os políticos evidenciam com os seus comportamentos, SAP, Centros de saúde e outros organismos estatais, estão mal preparados e só servem para o cidadão comum. Os políticos são uma elite que paira a outras altitudes e, por isso, dispõem de regalias semelhantes às dos Deuses do Olimpo.
Mas é grave que o ministro da saúde tenha feito publicamente esta crítica a um serviço da sua tutela, esquecendo que é sua missão colaborar na melhoria sustentada da qualidade de vida dos cidadãos, permitindo a estes a fruição garantida e segura do apoio à saúde. Mas a sua acção começou por se centrar na luta contra médicos e farmacêuticos, com uma visão economicista, esquecendo o cidadão comum, aquele que mais precisa do eficiente combate à pobreza e à exclusão, e a quem ele não hesitou em fechar centros de saúde, maternidades, urgências e valências hospitalares e dificultou o apoio medicamentoso.
Mas a pouca atenção às condições de vida dos cidadãos não têm ficado por aqui. E as desigualdades sociais tem sofrido agravamento continuado.
O partido maioritário não tem evidenciado capacidade eficaz para emagrecer o Estado na sua quota parte das despesas públicas e tem incrementado os controlos a todos os níveis, mesmo que eles não conduzam à melhoria das condições de vida da comunidade, e as desigualdades agravam-se continuamente, sem que haja medidas efectivas para tornar a vida mais justa, moral e equitativa. Há poucos meses o tema das conversa e do correio electrónico era o das reformas milionárias, por vezes acumuladas, pagas pelo Estado. Depois veio o caso dos assessores em quantidades colossais, nomeados por critérios de confiança política, com ordenados inimagináveis em comparação com os dos funcionários mais qualificados, deixando no desemprego licenciados tecnicamente mais competentes, mas sem paternidade política. Depois veio a notícia de que, além dos assessores dos grupos parlamentares, passa a haver um conselheiro pessoal para cada deputado, o que aumenta o peso despesista dum órgão que já é criticado por ser superdimensionado. Há tempos surgiu a notícia de que os portugueses mais ricos aumentaram os seus activos de 13% em 2005. Agora aparece a notícia de que os principais bancos lucraram mais de 30% à custa da subida dos juros, dos arredondamentos e do aumento das comissões pelos diversos serviços, onerando os clientes.
Fica no espírito a pergunta se não haverá possibilidade de impedir que os bancos, os seguros, as empresas de serviços (gás, água, electricidade, telefone, etc.), os hipermercados, e outras grandes empresas exagerem na sua margem de lucro e nos custos dos seus serviços, sobrecarregando injustamente os utentes. É que os reformados e os pensionistas (que não sejam políticos) vêem o seu poder de compra a reduzir para valores insuportáveis perante os custos inflacionados dos produtos de primeira necessidade. O descontentamento é enorme, embora não se manifeste de forma «revolucionária», mas deve merecer melhor atenção dos governantes e autarcas porque os regimes democráticos têm vulnerabilidades, não sendo resistentes a vagas profundas da insatisfação popular a longo prazo. Para evitar crises sociais graves, o remédio aconselhado pelo bom senso consiste em prevenir, eliminando as causas reais.
Autor:
A. João Soares
às
17:55
5
mentiras
Tópicos: Distribuição, Justiça, Pobreza, Saúde
8 de setembro de 2007
Governo e Funcionários Públicos
Que se passa com os funcionários públicos? Os funcionários sempre foram arrogantes, mas até há umas décadas eram competentes, conhecedores das suas funções e rigorosos no trabalho.
Com o decorrer das ultimes décadas a corrupção e a ganância dos políticos, assim como todas as outras qualidades que lhes conhecemos foram crescendo com o consentimento da população. Os governantes de todos os partidos patentearam que outro interesse não têm senão o de amassar tanto quanto possível enquanto apregoam inteligência, profissionalismo, competência, dedicação, etc. Tudo fictício e vendido em publicidade rasca de banha da cobra a um povo consentidor de espertalhaços que se deixam enganar como atrasados mentais.
A experiência demonstrou-nos que os discursos eleitorais são autênticas histórias hipnóticas para um povo que se tem comprovado incauto e de uma profunda imaturidade política. Irresponsável também, porque não vota – “não vale a pena, já se sabe quem ganha e as abstenções e os votos em brancos são contados a favor do que ganhar”. Nem discorre como fazer um voto inválido, nem com isso se incomoda.
Os funcionários não puderam ser indemnes a estas tácticas, sobretudo notando que os seus chefes são parasitas incapazes designados pelos corruptos, ineptos nas suas funções. Os funcionários foram, geralmente, o último elo na corrupção da distribuição duma parte dos fundos comunitários durante os governos do Cavaco e Silva (aquele que nos atirou para e estrumeira em que agora nos encontramos e provocou a falta de médicos) e tiveram que dar-se conta de (1) quantas vezes estes fundos foram atribuídos a «apadrinhados e compadres», (2) como esses beneficiados se tornaram novos-ricos da noite para o dia, como todos sem amnésia se recordam.
É justo o que se diz dos funcionários públicos de todos os departamentos do Estado. Não trabalham com eficiência, são mandriões, irresponsáveis, arrogantes – tudo copiaram e herdaram dos políticos corruptos e dos parasitas incapazes que estes lhes deram como chefes. É justo e é pouco.
Os funcionários de hoje formam um bando de pulhas que tem passado a vida profissional a gozar o Zé Povinho. Tratam as pessoas com arrogância desmedida, com ar de superioridade ou com desprezo. Juntam-se aos grupos a conversar e na risota, a atenderem os seus telemóveis, enquanto nos fazem esperar, esperar, esperar. Dão-nos por vezes informações erradas que originam problemas desastrosos e recusam-se a assumir a responsabilidade pelas asneiras que fazem. São uns mandriões e uns inúteis parasitas que vivem à nossa conta. Por isso que por muito pouco que alguns ganhem é sempre de mais. As excepções entre eles são raríssimas. E os bandalhos ainda têm o descaramento de dizer que são poucos para fazerem o trabalho.
Não fazem lembrar os funcionários dos tribunais, os juízes e os magistrados, outra oligarquia de parasitas? Vendo bem, para que serve a justiça que temos? Os juízes não resolvem senão metade dos número de processos que os seus outros colegas europeus. Abandalham-se conscientemente fazendo greves como os funcionários e querem que lhes chamem soberanos, mentindo sobre onde reside a única e verdadeira soberania. Como se numa democracia pudesse existir outro soberano que o povo a quem todos sem excepção têm obrigação de prestar contas: rei ou presidente, governo e justiça. A função de todos é servir o povo soberano. Se assim não for, será tudo menos uma democracia.
No entanto, não se pode deixar de ter em consideração que os maiores culpados da situação dos funcionários são os políticos corruptos que se colocaram a eles e aos amigos nos lugares de direcção, os quais deveriam estar em mãos de gente capaz e ganhos por concurso público, como as direcções gerais, chefes de repartições, de alfândegas, etc. Esses concursos deveriam estar abertos também a todos os funcionários, como em qualquer país e como aliás já foi, antes desta banda de canalhas corruptos ter usurpado os cargos de direcção para eles, bando de parasitas ladrões. É o cúmulo da corrupção arvorada pelas oligarquias reles de chupistas inúteis de todos os partidos, que fizeram da política uma carreira de parasitagem.
Nestas circunstâncias, como poder discordar das medidas tomadas pelo governo a este respeito? Todavia, não se pode esquecer que todo e qualquer nivelamento por baixo é um atentado à população, sobretudo quando esta já se encontra no fundo do poço e com mais de 52 anos de atraso sobre a média europeia, de acordo com o Eurostat.
Autor:
Mentiroso
às
14:14
6
mentiras
Tópicos: Abuso
6 de setembro de 2007
O estado da Segurança Interna do Estado
Na passagem de Agosto para Setembro, reentramos na tragédia da realidade nacional. Depois de um mês de alívio, de distanciamento, caímos esmagados pela variedade de notícias que, por entretanto nos termos desabituado, nos parecem dramáticas.
Como diz o sociólogo Paquete de Oliveira, «reabrem as escolas, os tribunais, as repartições, as fábricas. Toca o gongo para o trabalho e todas as obrigações. Os políticos recomeçam nas suas disputas. As querelas futebolísticas sustentam grandes discussões. Voltam os julgamentos em atraso de anos. Dá-se conta do aumento da gasolina em 7,8 %, dos cursos de Engenharia e outros tantos que existem a mais, que metade dos seguranças da vida nocturna está ilegal, que os portugueses usam cada vez menos protecção contra a sida, que 80% das doenças mentais ficam por tratar (ui!), que nem com escola a tempo inteiro há lugar para muitos daqueles que do ensino faziam a sua profissão, que pelas estradas portuguesas, este Verão, deixámos dezenas e dezenas de mortos. Eu sei lá, é um rol de coisas que por Agosto passavam desapercebidas. Com a acalmia da estação quente, quase não se toma consciência do que significam na cooperação estratégica os vetos do presidente da República e quase se esquece que a presidência europeia está cá no burgo. Setembro é, de facto, um mês com certa crueldade. Tira-nos a ilusão que Agosto criara.»
Também o advogado José Luís Seixas, dá umas pinceladas nesta tela: « Os acontecimentos da madrugada de domingo no Campo Grande replicam, de forma trágica, um qualquer filme de gangsters. As balas, porém, foram a sério e o sangue jorrou pela rua.
Associando o que se passou com as reportagens publicadas sobre o funcionamento de muitas discotecas de Lisboa e do Porto fica-se com a preocupante ideia de que a "noite" e os seus negócios vivem numa situação de marginalidade consentida. As denúncias são tantas e tão graves que ninguém entende a passividade das polícias e a ineficácia do Estado.
- Podem crianças com 12, 13 ou 14 anos frequentar estes estabelecimentos? Não podem, mas frequentam aos magotes.
- Podem-lhes ser vendidas bebidas alcoólicas? Não podem, mas são vendidas.
- Podem estas discotecas e bares exercer o seu comércio sem uma autorização especial denominada por licença? Não podem, mas grande parte permanece aberta não a tendo, sequer, requerido.
- Podem funcionar sem horário, até às seis ou às oito da manhã? Não podem, mas funcionam.
Ou seja, o Estado não fiscaliza, não age, não zela pelo cumprimento da lei e não pode garantir a segurança e a tranquilidade públicas. Assim sendo, estão criadas as condições necessárias para que a criminalidade organizada se estabeleça, domine o negócio e estabeleça territórios. A tiro, se tal for necessário.»
Segundo Isabel Stilwell, «denominam-se bens não-rivais aqueles que não se gastam e podem ser usados, simultaneamente, por quem quiser. Por exemplo, se contemplar uma paisagem fantástica, não roubo nem um bocadinho da sua magia a ninguém. É um bem público, colectivo, de todos sem ser de ninguém em especial.
É preocupante a pouca importância que o Estado, e cada um de nós, dá a este tipo de bens fundamentais. Logo a começar pela desvalorização da sabedoria, do mimo, da educação. E do espaço em que vivemos. O caos das nossas cidades, a falta de um planeamento urbanístico que satisfaça os olhos e facilite o nosso dia-a-dia, as escolas a cair aos bocados, ou as paredes inundadas de tags nojentos são provas do nosso desprezo por aquilo que, não estando cotado em bolsa, contribui, de forma incalculável, para a nossa qualidade de vida. Ou para a falta dela. Viver numa grande cidade é uma fonte acrescida de stress, sobretudo, para quem não tem poder e dinheiro.
Se entendêssemos que as sardinheiras da nossa janela são um bem não-rival, uma epidemia boa, entenderíamos que tomar conta das nossas cidades, dos nossos bairros, dos nossos cantos, era um investimento que valia a pena. Temos o direito, e o dever de exigir, que os políticos cumpram as suas promessas, e, se entendêssemos mesmo esta ideia, desconfio que a felicidade chegava mais depressa.»
Após palavras vindas de tão doutas origens, a tela ficaria completa se o caudal dos acontecimentos não continuasse a fluir. Mas ele não pára. É a notícia de que muitos fogos florestais foram iniciados a meio da noite, certamente por razões estranhas ao calor solar, a continuação das mortes na estrada para estragar as estatísticas do Governo, a superabundância das infracções detectadas pelos radares em Lisboa, indo muitas ficar impunes devido a incapacidade burocrática, o aumento escandaloso dos preços dos combustíveis, ao lado do aumento escandalosamente pequeno dos salários mínimos, ao contrário da evolução nos parceiros europeus, a fome que nos espera se deixarmos de poder comer os transgénicos, o fecho de valências hospitalares, como a oncologia, o combate ao défice orçamental à custa de sucessivos aumentos de impostos. E, por outro lado, a basófia governamental a ostentar uma riqueza que não possuímos.
Autor:
A. João Soares
às
17:04
2
mentiras
Tópicos: Armas, Autoridade, Cidadania, Justiça, Leis, Segurança, Violência
4 de setembro de 2007
Férias
Aproveite Para se Suicidar
O cão é o mais antigo companheiro do homem, com quem vive há mais de 114.000 anos. Com ele aprendeu muitas manhas e se habituou a viver, caçar, comer, ajudar no que lhe exigiu e ensinou, treinou. Obedece e cumpre sem reclamar.
Conhecendo o velho ditado dos países desenvolvidos e civilizados, que diz que pelo comportamento das crianças e dos cães se conhece a mentalidade dos adultos, chegamos à óbvia conclusão de que difícil seria aos portugueses de terem sentimentos e comportamentos mais atrasados e selvagens.
Costuma ensinar o seu cão a ser agressivo e a morder às pessoas de que não gosta. Acha giro? Se não o fizer ele não morderá. Só o cão dum selvagem morde nas outras pessoas: o cão copia o comportamento e os sentimentos do seu dono, não apenas o que o dono diz, mas muito mais o comportamento e, sobretudo, o que o cão sabe que ele sente. Quando diz ao seu rebento para não fazer uma certa coisa porque não está bem, mas a faz, o que vai ele aprender, o que lhe disse ou o que lhe ensinou com o seu exemplo? O ditado é certo e é pouco conhecido em Portugal porque todos têm vergonha do que ele revela. Desmascara totalmente.
Costuma abandonar o seu cão quando vai de férias? Adquiriu um cão para o seu filho pequeno ter alguma coisa em que bater? É o método mais eficiente e altamente psicológico para formar o carácter duma futura besta humana, que de humano terá tudo menos a mentalidade.
Se está num destes casos, não se esqueça de aproveitar a oportunidade magnífica que tantos aproveitam para nestas férias se suicidar na estrada. Será um contributo patriota para acabar com o mau nome que os portugueses angariaram por todo o mundo para onde foram desde há umas décadas.
Pelo caminho, faça uma paragem para assar um frango numa pequena fogueira. Sabe muito melhor que em casa. Se após ter terminado já não tiver nenhum líquido para apagar, é simples, urine em cima e espalhe o restante com os pés. Mais adiante, ao atravessar uma propriedade bem arborizada, se tiver terminado o seu cigarro, atire a beata acesa para as ervas secas da orla..jpg)
Agora que já contribuiu para os bombeiros justificarem a sua existência, só lhe falta mostrar o que tem entre as pernas para poder consumar tranquilamente o acto essencial. Tente aproveitar estradas vazias para não matar mais ninguém, acelere a fundo e atire-se contra qualquer coisa dura ou para debaixo dum pesado bem grande, se possível pela frente. As mulheres não têm nada entre as pernas, por isso que raramente têm coragem para se suicidarem deste modo.
Conseguiu encaixar-se quase todo sob o pesado.
Aqueles que se virem livres de si agradecerão com reconhecimento, contentamento e alívio. Saudades? Duas ou três semanas. O mundo será um pouco melhor.
Quando o seu espírito pairar sobre o asfalto e olhar para o corpo donde acabou de sair, verá qualquer coisa como isto.
Então e o resto do meu corpo?
São imagens geralmente não publicadas a fim de evitar que os suicidas percam a coragem no momento crucial, perpetuando assim a matança nas estradas.
Nota – Clique nas fotos para as ver em detalhe.
Veja o post adaptado em diapositivos.
Autor:
Mentiroso
às
23:59
22
mentiras
Tópicos: Atraso, Civismo, Educação, Estupidez, Irresponsabilidade
2 de setembro de 2007
Armas em profusão. Inutilidade da lei
Tem sido verificada a existência de armamento massivo espalhado pelos mais diversos contextos e detectado nos mais variados tipos de ilícito. Recentemente o facto foi notório nos crimes violentos da vida nocturna do Porto e de Lisboa. Até no âmbito de investigações em que nada faz prever a existência de armas, os órgãos de polícia criminal, em buscas domiciliárias, têm com frequência encontrado destes objectos. São, por vezes, mesmo encontradas armas de calibre e sofisticação superiores às das próprias forças de segurança.
Não é difícil concluir haver facilidade de acesso e um eventual descontrolo do mercado e tráfico de armas.
O curioso é que recentemente os ilustres deputados criaram uma lei que regulamenta o uso e porte de amas de fogo. Para que serviu a lei? Pelos vistos serviu apenas para melhorar as estatísticas do trabalho de produção legislativa. Pessoas que a leram com atenção ficaram espantadas com tanto pormenor, muitos deles de difícil execução, que fazem com que poucos detentores de armas procurem conhecer inteiramente o diploma e ainda menos lhe consigam dar cumprimento. E o resultado é tudo continuar na mesma, isto é, cada vez pior.
Trata-se de um fenómeno muito conhecido dos automobilistas. As alterações ao Código da Estrada que era suposto serem destinadas a criar mais segurança e a acabar com a enormidade de mortes nos acidentes rodoviários, não têm evitado que estes continuem com pequenas variações devidas a factores desconhecidos.
«O país não tem um problema de falta de legislação, mas sim o problema de falta da sua aplicação. É uma doença crónica dos nossos legisladores: perante uma situação que há muito preocupa a opinião pública, enchem-se de brios e arremetem em frente, sem analisarem as circunstâncias causais, e parem mais uma lei, com penas mais graves ou com mais complicómetros e, convencidos de que fizeram um milagre a bem da Nação, vão nessa noite dormir mais descansados por terem cumprido o seu dever. Depois, tudo continua na mesma, só com a diferença de que a profusão de leis não acatadas, faz perder o já pouco respeito pela legalidade. As leis são apenas papel.» (da carta «Fúria legislativa» enviada aos jornais em meados de Outubro de 2005).
Um caso concreto muito simples: O pára-brisas dos carros tem que trazer colado um papel do imposto e outro do seguro. Para quê? Supõe-se que seria para facilitar o controlo oportuno daqueles que não cumprem a lei e intimá-los a reparar o erro, com urgência. Mas não tem havido esse efeito, e as notícias têm divulgado ser detectados milhares de carros sem seguro. Então, para quê aquele papel a tornar opaca uma parte do pára-brisas?
Ou as leis não são simples e cumpríveis, ou nem sequer há essa intenção e são feitas apenas para satisfação do dever cumprido. Estes casos aqui citados são exemplos de que os legisladores não têm razões para merecer aplausos. Mas... talvez agora que os deputados vão passar a ter um gabinete com boa guarnição, passemos a ter legislação que coloque o País num patamar de mais civismo, segurança e noção de cidadania!!!
Autor:
A. João Soares
às
22:06
7
mentiras
27 de agosto de 2007
Soberania, Povo e Estado
Ultimamente tem-se ouvido citar estes conceitos de forma pouco consentânea com o seu significado ortodoxo. Cada um tem o direito de ter a sua ideia, mas quando se comunica, é necessário utilizar significados correntemente aceites. E reflectindo nesses significados, verificamos que há muita gente a levantar poeira que dificulta a visão dos demais. Seguem-se umas ligeiras reflexões que bem merecem ser mais aprofundadas.
Quando se fala em soberania quer-se dizer a autoridade suprema do poder político do Estado ou Nação, sendo o Estado a Nação politicamente organizada, num território bem definido e reconhecido internacionalmente. Segundo a maioria das teorias da ciência política, a soberania nacional é a que corresponde ao povo, do qual emanam todos o poderes do Estado, ainda que sejam exercidos por via da representação.
Por Nação entende-se o conjunto de indivíduos que constituem uma sociedade cimentada por uma cultura de comunhão e de tradições em que a identidade de língua, de religião ou de etnia são importantes, embora não imprescindíveis. Trata-se de indivíduos unidos por uma consciência nacional de interesses, necessidades e aspirações.
A democracia não poderá ser interpretada à letra de influência do povo na governação pública. Não significa, de facto, exercício real do poder pelo povo; pretende dizer que o povo, a Nação, exerce uma influência decisiva no exercício do poder político, podendo esta influência ser variável em intensidade, efectividade e capacidade. Em suma, a democracia fundamenta-se no consentimento dos governados, reflectido na opinião pública e na vontade popular.
Na sua época e no seu país, Luís XIV era o detentor da soberania absoluta e dizia «o Estado sou eu». Mas, mais modernamente, em democracia, deparamos com indivíduos a esgrimir o dedo apontador, ameaçadoramente, como ponteiro de severo professor de antigamente, como que a dizer «quem aqui manda sou eu» ou «eu sei o que quero para Portugal».
Ora, segundo os conceitos acima referidos e segundo os textos das modernas constituições que dizem que «a soberania reside em a Nação», os detentores da soberania são os cidadãos que, em democracia, a delegam em representantes, através de formalidades estabelecidas, vulgarmente, por eleições. Daí que, ao contrário do que muitas vezes se diz, o Estado é mais do que a estrutura administrativa e política, sendo o seu elemento mais preponderante a Nação, a população, cujo bem-estar e condições de vida devem constituir o objectivo principal da governação.
Porém, a democracia realmente existente padece de um autoritarismo abusivo dos eleitos pelo povo que se consideram mandatados pra fazer tudo o que lhes vem à real gana, sem admitirem observações, sem permitirem a expressão livre da indignação (termo de Mário Sores) e exigindo dos eleitores a total resignação (termo de Cavaco Silva).
E, no meio deste autoritarismo, surgem decisões de tal maneira estranhas e nocivas que o povo e, por vezes as autarquias, manifestam o seu desacordo, a sua indignação do que muitas vezes resulta o governante da tutela recuar, provando dessa forma a leviandade da decisão que tinha tomado sem ter tido em atenção factores fundamentais. Tais casos evidenciam que estamos perante uma gestão dos interesses nacionais segundo o método de tentativas, erros, reclamações e correcções, do que resultam prejuízos para o Estado, de vária ordem, desde os financeiros, o tempo perdido, até à perda de confiança da Nação nos seus eleitos.
E o problema da confiança nos eleitos conduz a reflexão para o sistema eleitoral. O povo soberano de um qualquer distrito, independentemente do seu grau de escolaridade, do seu grau de cultura e da acumulação de informação pela experiência da vida, é chamado a escolher uma de várias listas de pessoas que não conhece, de pessoas que, em muitos casos, nada sabem dos problemas dos habitantes do distrito. Terá de fazer uma escolha com base na propaganda de falsas promessas com que é bombardeado numa campanha dispendiosa como se se tratasse de um qualquer produto comercial, tipo banha da cobra. É, portanto, uma escolha às cegas tal como quem escolhe a chave com que vai jogar no totoloto.
Esta imagem de «lotaria» não está exagerada. Vejamos que os primeiros da lista vencedora raramente vão ocupar o lugar para o qual foram eleitos pelo povo inocente e crédulo. Muitos dos outros acabam por sair da AR, por irem para ministros, secretários de Estado, e outras agradáveis funções da estrutura do Estado. O povo acaba por não ter a «representá-lo» nenhuma das poucas figuras de que se recorda da campanha em que foi assediado a votar.
Portanto, dizer que o povo é soberano é uma falsa verdade, porque não tem qualquer realismo, enquanto não lhe for permitido expressar-se livremente, através de qualquer meio, sobre os grandes problemas do País que a todos dizem respeito. Há que retirar as ameaças ao povo, afastar os «bufos» do SMS e de outros métodos, dar liberdade ás trocas de e-mails e à expressão através de cartas aos jornais e de blogs. O Governo não deve deixar de analisar o que esses meios transportam, mas apenas para melhor conhecer as opiniões dos cidadãos e melhor se orientar na prossecução da soberania que deles emana, e não para os amordaçar, amedrontar e levantar processos criminais por delitos de opinião, quando eles afinal defendem a moralidade e a ética da vida da sociedade nacional, dentro dos princípios da democracia e cheios de grande esperança num futuro com melhor justiça social, mais desenvolvimento e melhor qualidade de vida.
Não deve, porém, permitir-se calúnias e ofensas pessoais que vão além daquilo que a tradição e a vivência cultural consideram aceitável. É imperioso que se respeitem as pessoas do mais pobre ao mais rico, em qualquer sentido.
Autor:
A. João Soares
às
21:23
0
mentiras
Tópicos: Autoritarismo, Estado, Nação, Povo, Soberania
24 de agosto de 2007
Bombas e Mortes Para Breve
Agradeçamos ao Iberista
O iberista já foi acusado de traidor dos Direitos Humanos pela Human Rights Watch. Que de admirar que agora tenha resolvido ajudar os bandidos e selvagens castelhanos a massacrarem o povo Basco na luta pelos seus direitos, os quais lhe têm sido negados ao longo da história. A sua «guerra contra o inimigo», como Picasso lhe chamou.
O traidor iberista sabe o que está a fazer. Pode ser bastante estúpido, mas não se diga que é inocente e incapaz de discorrer que a ajuda que der aos terroristas castelhanos para massacrarem os Bascos se reflectirá em ceder-lhes o direito para rebentarem bombas em Portugal e matarem portugueses. O cobarde traidor põe assim em risco a vida dos cidadãos nacionais. O povo português deve ajudar os Bascos na sua luta contra os sanguinários castelhanos, oportunistas falsos, segundo a HRW que demonstra como usam todos os meios internacionalmente reconhecidos como ilícitos para massacrarem os Bascos. O site da HRW está repleto de críticas a este procedimento, o qual vai ainda contra o texto da Carta das Nações Unidas e as bases da fundação dessa organização. Claro que para quem já atraiçoe os princípios fundamentais isto não passa de mais um pequeno passo, afinal na mesma direcção, a afirmação dum ser indigno e abjecto.
O Blog do Leão Pelado publicou já um artigo que engloba os problemas do terrorismo e como as suas causas se identificam. Nele se inclue uma referência ao caso basco. Trata-se dum artigo para reflectir sobre estes acontecimento internacionais que, aliás, nem se encontram tão longe de nós e em que, por de mais, nos querem mesmo imiscuir.
O Blog do Leão Pelado publicará em breve um artigo onde se demonstra o ódio mundial aos castelhanos em todo a parte do globo onde esses assassinos estiveram. É simples de descrever, basta citar os casos históricos e os relatos dignos de confiança, inclusivamente o dum espanhol; não é necessário acrescentar nem aumentar a triste realidade. São casos escondidos por iberistas e outros traidores mentirosos no intuito de fazerem passar as suas ideias. A razão de existência do blog da Mentira! é precisamente essa: desmascarar as mentiras.
Autor:
Mentiroso
às
23:11
1 mentiras
Tópicos: Amnesty International, Terrorismo castelhano
20 de agosto de 2007
Esmagamento da Primavera de Praga
Faz hoje 39 anos que a União Soviética, temendo os efeitos da Primavera de Praga nas nações socialistas e nas "democracias populares", mandou tanques do Pacto de Varsóvia invadirem a capital Praga em 20 de Agosto de 1968. Os inevitáveis confrontos entre tropas do Pacto e manifestantes aconteceram nas ruas da cidade. O Presidente Dubcek foi detido por soldados soviéticos, levado para Moscovo e destituído do cargo. Esta repressão tinha o antecedente da Hungria de 1956 e veio a inspirar o movimento Solidariedade na Polónia em 1981. Eram sinais de decadência do império Soviético.
A Primavera de Praga foi o movimento gerado em 1968 por intelectuais reformistas do Partido Comunista Tcheco interessados em promover grandes mudanças na estrutura política, económica e social do país. A experiência de um "socialismo com face humana” foi conduzida pelo líder do Partido Comunista local, Alexander Dubcek, e, ao ser conhecida em 5 de abril de 1968, pelo inusitado, surpreendeu a sociedade tcheca, quando soube das propostas reformistas dos intelectuais.
O objectivo de Dubcek era "desestalinizar" o país, removendo os vestígios de despotismo e autoritarismo, que considerava aberrações no sistema socialista. Com isso, o secretário-geral do partido prometeu uma revisão da Constituição, que garantiria a liberdade do cidadão e os direitos civis. A abertura política abrangia o fim do monopólio do partido comunista e a livre organização partidária, com uma Assembleia Nacional que reuniria democraticamente todos os segmentos da sociedade tcheca. A liberdade de imprensa, o Poder Judiciário independente e a tolerância religiosa eram outras garantias expostas por Dubcek.
As propostas foram apoiadas pela população e o movimento que defendia a mudança radical da Tchecoslováquia, dentro da área de influência da União Soviética, foi chamada de Primavera de Praga. Aderindo á proposta, diversos sectores sociais manifestaram-se em favor da rápida democratização. No mês de Junho, um texto de “Duas Mil Palavras” saiu publicado na Liternární Listy (Gazeta Literária), escrito por Ludvík Vaculík e assinado por personalidades de todos sectores sociais, pedindo a Dubcek que acelerasse o processo de abertura política. Acreditavam que era possível transformar, pacificamente, um regime ortodoxo comunista para uma social-democracia de moldes ocidentais. Com estas propostas, Dubcek tentava provar a possibilidade de uma economia colectivizada conviver com ampla liberdade democrática.
Como todo o autoritário ou ditador teme a mínima ameaça à sua segurança e vê inimigos e perigos por todos os lados, a URSS não gostou da experiência, invadiu Praga, em 28 de Agosto, com carros de combate e causou pesadas baixas nos civis que se manifestavam. Dubcek foi levado para Moscovo e destituído, e as reformas foram canceladas e o regime de partido único continuou a vigorar na Tchecoslováquia. O povo não serenou e em protesto contra o fim das liberdades conquistadas, o jovem Jan Palach ateou fogo ao próprio corpo numa praça de Praga em 16 de janeiro de 1969.
Exemplo da Hungria
A URSS já tinha tido uma má experiência com a Hungria, em 14 de Novembro de 1956, com a invasão por tropas soviéticas, para reprimir a revolta, de que resultou terem sido executados centenas de húngaros, aprisionados milhares e terem fugiram para a Áustria quase 200.000 pessoas.
Tudo começou em 1953, quando depois da morte de Estaline, Rakosi foi substituído por Imre Nagy, de linha mais moderada, que concedeu amnistias a prisioneiros políticos. Mas a ditadura temeu os perigos à sua força e em 1955 Nagy foi destituído pela ala dura do partido comunista húngaro, após ter tentado a abertura política.
Mas o povo gostou do cheiro a liberdade e, entretanto, aumentou o descontentamento social, nomeadamente de estudantes e operários, provocando uma revolta contra o regime, que explodiu em Budapeste, em 1956. Janos Kádar estabeleceu um contra-governo e pediu auxílio à URSS. E a 14 de Novembro, tropas soviéticas invadiram o país, como atrás se disse, foi instaurada uma ditadura comunista com Kádar na presidência, situação que se manteve durante cerca de três décadas. Nagy foi preso e executado.
Repressão na Polónia
As sementes tinham sido deitadas à terra na Hungria, germinaram e frutificaram na Tchecoslováquia, e, apesar da invasão, vieram a mostrar-se novamente, desta vez, na Polónia.
Wałesa tornar-se-ia fundador e líder do Solidariedade, a organização sindical independente do Partido Comunista que obteve importantes concessões políticas e económicas do Governo polaco em 1980-1981, sendo nessa altura ilegalizado e passando à clandestinidade.
Em 1980, Wałesa liderou o movimento grevista dos trabalhadores do estaleiro de Gdansk, em que cerca de 17 000 protestavam contra a carestia de vida e as difíceis condições de trabalho. A greve alargou-se rapidamente a outras empresas. Embora com dificuldade, as reivindicações dos trabalhadores acabaram por ser satisfeitas e tiveram consequências claramente políticas quando foi assinado um acordo que lhes garantia o direito de se organizarem livremente, bem como a garantia da liberdade política, de expressão e de religião.
Wałesa, por ter liderado as greves e por ser católico beneficiou de uma grande base de apoio popular. Porém, os seus ganhos tiveram um carácter efémero ante a resistência do regime que, no entanto, mercê das reacções à violência na Hungria e em Praga, não tomou aspectos de grande gravidade repressiva. Com efeito, em Dezembro de 1981 o Governo impôs a lei marcial, o Solidariedade foi considerado ilegal e a maioria dos líderes foram presos, incluindo Wałesa.
O país passou a ser governado pelo general Wojciech Jaruzelski. Mas a agitação operária continuou, embora de forma mais contida. Walesa só seria libertado em 1982 e, um ano depois, era galardoado com o Prémio Nobel da Paz, facto que motivou críticas do governo polaco. O Solidariedade saiu da clandestinidade após negociações com o Governo em 1988-1989, assim como outras organizações sindicais.
Com o desmoronamento do Bloco de Leste e a liberalização democrática do regime, ficou consagrada a realização de eleições livres. Em Dezembro de 1990 Wałesa foi eleito.
NOTA: Para elaborar este texto utilizou-se o apoio bibliográfico de:
Guia do Mundo, editora Trinova,
Pesquisa Google,
Wikipédia.
Autor:
A. João Soares
às
05:46
3
mentiras
Tópicos: Autoritarismo, Ditadura, Hungria, Polónia, Praga, Repressão, URSS
17 de agosto de 2007
Democratas ou ditadores?
Por regra, o déspota é tão ambicioso de poder como inseguro e medroso. Sofre de complexos síndromas existenciais, tem pavor de fantasmas e, quando algum destes toma forma física, ele esmaga-o sem dó nem piedade. Vê ameaças por todos os lados e sente-se cercado por inimigos. Há exemplos concretos em toda a parte, em grau mais ou menos elevado. Se conseguem alcançar o degrau mais alto da estrutura do poder no seu país, consideram este como sendo sua propriedade privada e procuram controlar tudo e todos, abafando s vozes que não lhes teçam elogios. Pretendem que a Nação funcione como um grupo coral bem ensaiado a cantar em uníssono, bem afinado, loas ao querido chefe, sendo qualquer fífia punida exemplar e severamente.
Muitos políticos perdem a noção da ética, deixam de ter capacidade de resistir à tentação do Poder que corrompe, que domina e submete, pior do que a pior droga. Será que se consideram semi-deuses, donos do seu país? Será que são ofuscados pelas loas dos lambe-botas que os cercam para colher vantagens, e perdem a noção da sua função de serviço público?
Fala-se de democracia, mas todos têm tendências autoritárias que por vezes chegam ao extremo das atitudes ditatoriais. Como se compreende que a democracia não passe de uma palavra para muitos governantes?
Há exemplos vivos, que dispensam o recurso aos casos da história recente.
Na Coreia do Norte, o grande líder põe e dispõe dos recursos do país, apoiado por uma corte de servidores submissos incondicionais. Tendo transformado uma república numa espécie de monarquia, é aplaudido e ovacionado por todos aqueles que, amedrontados e amantes da sobrevivência, querem evitar represálias.
A atracção pela monarquia não é vista apenas na Coreia do Norte, pois na Síria, a descendência de Hafiz al-Hassad (que esteve no poder até à morte) foi meticulosamente preparada, o mesmo tendo sido feito no Iraque (mas interrompida pelo derrube de Saddan Hussein) e está em preparação na Líbia e no Egipto.
No Zimbabwe, Robert Mugabe pretende morrer no trono, esmagando qualquer veleidade de oposição ou simples manifestação de desagrado.
No Sri Lanka a sr.ª Chandrika Bandaranaike não abandona uma milésima do poder nem por milagre, reprimindo com mão de ferro as aspirações dos Tigres Tamil, apesar das tentativas de negociação patrocinadas por um país da Europa do Norte. Para melhor controlar o Estado e evitar oposições indesejadas, formou governo com familiares, tendo a mãe sido primeira-ministra até à véspera da morte.
No Myanmar (antiga Birmânia), a ditadura militar considera-se proprietária do país, ao ponto de, após as eleições de Maio de 1990, não deixar formar governo o partido vencedor de Daw Aung San Suu Kyi, filha do líder da independência Aung Sang, anteriormente falecido. A senhora Suu Kyi, não pôde formar governo e passou a viver em prisão domiciliária, incomunicável, nem sequer se tendo ausentado para receber o prémio Nobel da Paz de 1990 que lhe fora concedido.
Em Cuba, Fidel só abandonou o poder por motivo de doença que o colocou à porta da morte e, mesmo assim, entregou-o ao irmão como se fosse propriedade sua ou de sua família e não do país.
Em Angola, ao fim de 30 anos, Eduardo dos Santos, porque se sente perto da morte devido a mal na próstata, parece decidido a fazer eleições no próximo ano, mas já antes fizera promessa idêntica que não cumprira.
E as ditaduras nem sempre surgem na sequência de revoluções ou de golpes palacianos, sendo frequente aparecerem progressivamente, a partir de situações de aparente democracia normal, como no caso de Hitler e, agora, na Venezuela. Há pequenos sintomas da ambição desmedida pelo abuso do poder que podem escorregar para o centralismo, exagerado, com autoritarismo que tudo controla e reprime, por vezes, com base em denúncias que conduzem à partidarização de cargos públicos a qualquer nível. Não é por acaso que seja considerado necessário alertar as populações para os verdadeiros problemas que as afligem, despertá-las para perderem o medo de, como diz Mário Soares, manifestar a sua indignação e refilar no momento e local certo. Como disse Cavaco Silva, é preciso não se resignar ao sofrimento.
Quando tais sintomas começam a ser evidentes, há que criar nesses países, uma onda de fundo, agir sem pressa, mas sem esmorecer, sem desistir, sem demoras, com perseverança. Agindo assim, serenamente, talvez consigam criar melhores condições para os seus filhos e netos e mentalizar os mais jovens de que o mundo deles está agora a ser construído e eles têm de colaborar, porque serão os beneficiados. Com populações bem esclarecidas e com capacidade de analisar fria e calmamente a situação em que vivem, o mundo poderá ser mais pacífico e desenvolvido e as pessoas mais felizes em liberdade democrática.
Autor:
A. João Soares
às
18:33
4
mentiras
7 de agosto de 2007
Emigração – fenómeno a ponderar
Tem-se falado na incomodidade dos nossos emigrantes devida ao encerramento de consulados e, como que por acaso, deparo com um texto de Eça de Queiroz, datado de Janeiro de 1872, inserido no livro «Uma campanha alegre», 14º volume das Obras completas, da Resomnia Editores, onde a páginas 216-221, aborda este tema. Dele vou aqui transcrever um excerto que é muito esclarecedor daquilo que ainda hoje se passa.
Agitou-se, e agita-se ainda a questão da emigração. Há um homem, Mr. Charles Nathan, que leva para Nova Orleães, com bons salários, todas as actividades que se ofereçam.
A emigração, entre nós, é decerto um mal.
Em Portugal quem emigra são os mais enérgicos e os mais rijamente decididos; e um país de fracos e de indolentes padece um prejuízo incalculável, perdendo as raras vontades firmes e os poucos braços viris.
Em Portugal a emigração não é, como em toda a parte, a trasbordação de uma população que sobra; mas a fuga de uma população que sofre. Não é o espírito de actividade e de expansão que leva para longe os nossos colonos, como leva os ingleses à Austrália e à Índia; mas a miséria que instiga a procurar em outras terras o pão que falta na nossa.
Em Portugal, a emigração, tomando o rumo dos países estranhos, contraria a necessidade urgente de regularizar interiormente uma emigração de província a província.
Em Portugal, a emigração não significa ausência – significa abandono. O inglês, por exemplo, vai à Austrália e à América fazer um começo de fortuna – para voltar a Inglaterra, casar, trabalhar, servir o seu país, a sua comuna, trazendo-lhe o auxílio da vontade robustecida, da experiência adquirida, do dinheiro ganho; para Portugal, o emigrante que volta, provido de boa fortuna, vem ser um burguês improdutivo, uma inutilidade a engordar.
Enfim e emigração é má, o Sr. Nathan funesto. Somente o nosso pesar é que o Sr. Nathan, em lugar de alguns centenares dos nossos – não nos queira levar a nós todos. Porque partimos já, sem hesitação, em massa. Fugimos das cebola do Egipto. E, mais felizes do que os israelitas, temos em lugar do incerto milagre do mar Vermelho – os excelentes vapores da Liverpool and Mississipi Stream Campany.
Autor:
A. João Soares
às
17:18
0
mentiras
6 de agosto de 2007
Corrupção no Comando da Polícia
Denuncia-se um acontecimento constatado na segunda-feira 6-8-2007, entre cerca das 18h30 e cerca das 20h00.
Em Lisboa, junto à Universidade Católica, a Rua Azevedo Azevedo Neves liga a Rua das Laranjeiras à Av. dos Combatentes e pode ser considerada como um prolongamento geográfico da Rua das Laranjeiras, apenas com mudança de nomenclatura. Esta Rua Azevedo Neves é praticamente apenas constituída por uma ponte sobre o Eixo Norte-Sul, entre a Universidade Católica e o Hotel Mariott. Em toda esta rua, antes da ponte, na ponte e depois dela, durante pelo menos todo tempo referido, estiveram estacionados 13 autocarros enormes, os quais cobriram por completo toda a faixa de rodagem no sentido Sudoeste-Nordeste, causando enormes distúrbios na circulação, como facilmente se depreende.
Para «regular» o trânsito foram destacados vários agentes da PSP.
Tratava-se duma obstrução planeada. Ou seja, na circunstância em causa, o fornecimento de transporte. Era duma dupla infracção grave do Código da Estrada: a obstrução duma via de circulação e a paragem ou estacionamento sobre uma ponte. Contrariamente ao que nos querem impor, nem a polícia nem qualquer entidade tem o direito de obstruir qualquer via de circulação ou de infringir o Código da Estrada, salvo por questão de salvamento, socorro, emergência ou outra urgência da mesma ordem. Um qualquer planeamento é uma agravação da infracção.
Porque é que em Portugal tudo se passa ao contrário do que acontece em países democráticos? Só pode ser por não ser uma democracia. Porque é que quando se trata de adaptar qualquer organização que funcione bem em países avançados e democráticos, políticos altamente malandros e corruptos nos respondem invariavelmente que para Portugal não dá? Só pode ser porque Portugal não é uma democracia nem eles querem que seja. Vejam-se as respostas sistemáticas do Cag~o Feliz, aquele que não acabou completamente com a Segurança Social (pior que estes alarves fizeram) apenas por ter ido para a rua e não ter tido tempo para o fazer. Note-se que «do mal o menos» também não é opção acertada.
Muito menos se pode compreender tal desrespeito aos cidadãos e abuso inqualificável quando se trata de transporte de pessoas (mal) organizado. Em último caso, os autocarros poderiam estar estacionados no parque existente para esse efeito em frente à entrada do Jardim Zoológico, bastante perto, e serem chamados por rádio conforma fossem sendo necessários.
Ao que se consta, qualquer atrasado mental poderia ter tomado esta solução entre outras viáveis. Pelo que o responsável que autorizou o acontecimento deverá ter um QI ainda inferior.
O que se pretende denunciar não é, porém a mentalidade extremamente atrasada do responsável – sobejamente conhecida por parte de quem ocupa lugares de (ir)responsabilidade pública – mas a corrupção que só pode ter envolvido tal acontecimento. Com efeito, que houve corrupção é indubitável, seja de que modo se tomar. Se o responsável pelo consentimento recebeu dinheiro para autorizar, é corrupção. Se em lugar disso se limitou a emitir a autorização, é corrupção por abuso de autoridade, por tomar uma decisão para a qual ninguém tem direito. Note-se que nos casos das excepções acima nomeadas, uma autorização torna-se desnecessária, pois que urgências não são previsíveis.
Estamos pois em face de mais um caso de abuso, de estupidez, de arrogância de quem deveria fazer respeitar as leis, mas que as infringe descarada e arrogantemente, que se tornam assim interpretáveis e maleáveis ao grado de quem as aplicar. Impunidade garantida. Casos deste género são tão comuns que definem a organização abandalhada, atrasada e a inexistência de democracia. Só tolos que forem atrás de qualquer publicidade podem acreditar que Portugal possa ser uma democracia, pois que tudo sem excepção nos garante o contrário, desde a corrupção no desrespeito da vontade do povo nas eleições, escolhendo os partidos quem querem, à aplicação da justiça por uma outra oligarquia onde não faltam juízes que tentam esconder a inaptidão e a mândria com acessos de arrogância.
Como sempre, ninguém tem o direito de se queixar, pois que tudo os carneiros admitem.
Marketing vergonhoso, nojento e macabro, explorando a morte dum acidentado – só mesmo de político.
Um caso recente da vigarice publicitária do governo, dias antes do supracitado, foi a publicidade sobre a excelente actuação do governo quando um avião-tanque caiu e o piloto. O ministro da administração interne dirigiu-se ao local. Quando ouvimos a reportagem ele só falava do que o seu governo tinha feito de bem contra os incêndios. Após lhe ter sido chamada a tenção pelos repórteres, por duas vezes, lá se decidiu a falar pelo que justificava a despesa da sua deslocação àquele local: a morte do piloto. Afinal, estava a usar o dinheiro gasto para uma auto-publicidade estupidamente despropositada. O que também não se compreende é como na montagem os jornaleiros não apagaram aquele lixo poluidor.
Autor:
Mentiroso
às
21:42
0
mentiras
Tópicos: Abuso, Corrupção, Estupidez, Irresponsabilidade
28 de julho de 2007
Idosos esquecidos pelo Poder
Milhares de idosos e famílias deparam com falta de resposta para necessidades, por vezes urgentes, devido ao envelhecimento da população e ao insuficiente investimento em lares, estando 18 mil pessoas em lista de espera para conseguir lugar num lar, segundo disse o presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNI), o padre Lino Maia. Estes números, de finais de 2006, dizem apenas respeito ao universo dos estabelecimentos geridos pelas instituições particulares de solidariedade social (IPSS), que representam a fatia de leão da rede de serviços a idosos.
Em conformidade com dados do Instituto Nacional de Estatística, a população com mais de 65 anos já representava 17,1% da população em 2005, prevendo-se que em 2025, este grupo possa corresponder a mais de 20% da população, mas o investimento em novos equipamentos para atender às necessidades deste segmento da população está longe de acompanhar a sua progressão. As estatísticas da Segurança Social identificavam 949 lares, em 1998, com protocolos com o Estado. Ao longo da última década só abriram mais 251 estabelecimentos, o que perfaz um total de 1200 lares actualmente, que servem apenas 43 mil utentes. As ofertas oriundas do sector privado servem actualmente um universo de apenas oito mil utentes segundo informações fornecidas pela CNI, e a preços fora de alcance para a larga maioria dos idosos portugueses, que auferem pensões médias da ordem dos 300 euros.
Por outro lado, a carência de serviços de apoio à terceira idade é ainda mais preocupante, se atendermos à tendência para o adiamento da idade de reforma de que resulta ser o cuidar dos pais uma tarefa cada vez mais dificultada.
A complexidade do problema reside também na consequência da redução do número de filhos por família, ou mesmo na ausência de descendência o que, a prazo, significa que haverá menos filhos para cuidar dos pais ou não existirão sequer, e os idosos ficarão completamente desamparados.
Mas os abutres estão á espreita. Fazendo as contas ao envelhecimento que se espera da população portuguesa, os capitalistas perceberam que este é um negócio com grande futuro, a justificar investimentos, assim como todos os que se relacionarem com as consequências do envelhecimento da geração baby boom que atinge nos próximos anos a idade da reforma. Os grandes bancos e seguradoras já entraram na corrida. Eles não costumam perder boas oportunidades de negócio. E que outro mercado oferece taxas de crescimento tão seguras como o da terceira idade? O segmento alvo destes grupos económicos não são os idosos com pensões de apenas 300 euros, mas a classe média-alta, seja ela portuguesa ou oriunda dos países do Norte da Europa.
Esta é uma daquelas áreas em que a intervenção do Estado é essencial. Se na questão da natalidade, essencial para o equilíbrio da economia nacional, cabe ao Estado promover o nascimento de mais crianças, também na questão do envelhecimento da população, deve o Estado intervir directamente e encontrar soluções.
Autor:
A. João Soares
às
17:08
4
mentiras
27 de julho de 2007
Contradições e precipitações dos políticos
Não é necessário estar muito atento às notícias para notar as frequentes contradições e precipitações que são sinal de ausência de uma estratégia de governo com objectivos bem definidos e medidas coerentes a convergir para os superiores interesses da Nação que passam pela melhoria das condições de vida, na saúde, no ensino, na segurança, na Justiça, etc.
A contradição que hoje me chamou a atenção foi o prometido apoio a idosos do interior do País, criando condições para se manterem em casa, após melhorias nestas e visitas regulares de assistentes sociais e técnicos auxiliares. Não se vê em que linha coerente se insere esta decisão. Ela vem opor-se à política sistematicamente seguida de desertificação do interior (fecho de escolas, de maternidades, de centros de saúde, de SAP, de urgências, de tribunais, etc.). Os idosos têm pressionado os autarcas e estes, através da comunicação social, têm conseguido que, em alguns caso excepcionais, o ministro da Saúde tivesse recuado. Estas contradições, evidenciam precipitação e impulsividade nas decisões, inutilidade da enorme quantidade de assessores, ignorância da metodologia de preparação de decisões e inconsciência ou desprezo em relação às principais finalidades da governação. Estas maleitas não são exclusivas do actual governo, pois têm vindo a ser constatadas desde há alguns anos.
Outra contradição é a do caso Charrua em que a estrutura do partido do Governo apoiou a D. Margarida Moreira (conhaque é conhaque!) e, agora, a ministra arquivou o processo, depois das pressões da opinião pública largamente hostil à forma como tudo se passou. E, com o processo arquivado, fica-se à espera do puxão de orelhas à senhora que se precipitou em face de uma denúncia por SMS.
Também numa altura em que se condena de forma bem notória o trabalho infantil, se vê o Governo a utilizar um contrato com uma empresa que utiliza de forma sistemática esse tipo de exploração, para uma representação de apoio à propaganda governamental. Pode aceitar-se que o contrato das crianças foi feito por uma empresa privada, mas o Governo acabou por dar aval a essa empresa e ao seu sistema de recrutamento de menores e, o que é mais grave, é depois considerar tudo isso normal. Admira que o Governo, que tudo controla, confesse a sua ignorância desta irregularidade de uma empresa com que celebra um contrato.
Outra contradição. Já no tempo em que o actual PR era PM, o Governo começou a deixar de cumprir a compensação devida aos militares pelos sacrifícios e restrições aos sus direitos, liberdades e garantias, inseridos na denominada «condição militar». No entanto, a machadada crítica foi dada pelo actual Governo, ao comparar os militares a qualquer funcionário público (com excepção para Juizes e outros) no tocante a prestações de assistência na doença e a outros aspectos, e continuando a exigir deles a sua parte do contrato da «condição militar», com a impossibilidade de terem sindicato e impedimento de manifestarem publicamente o seu mal-estar. Como será resolvida esta contradição? São funcionários normais, semelhantes aos outros quanto aos direitos, liberdades e garantias constitucionais ou serão escravizados com condições de trabalho e de cidadania especialmente gravosas, singularmente restritivas?
Se são funcionários normais porque não lhes são aplicadas condições semelhantes? Se, como é lógico, é preciso manter essas restrições, então porque lhes foram retiradas as compensações adequadas? Porque é que o Estado deixou de cumprir a sua parte no «contrato» a que é dado o nome de «condição militar»? Neste âmbito, merece ser lido e devidamente meditado o artigo do general Loureiro dos Santo publicado no Público de 23 do corrente.
Há também os casos contraditórios do apoio total (quase incentivo ou convite) ao aborto voluntário, totalmente pago pelo Estado e sem fila de espera, passando as mulheres que não têm capacidade para ser mães e mostram ignorância e desleixo na prevenção da gravidez que não desejavam, à frente das pessoas normais que têm de esperar meses para intervenções cirúrgicas graves e urgentes, e isto em contradição com as medidas agora tomadas para aumentar a natalidade com subsídios substanciais às grávidas e às jovens mães. Afinal, o que pretendem os governantes: abortos ou nascimentos?
Também publicado no Do Miradouro
Autor:
A. João Soares
às
17:17
0
mentiras
Tópicos: Contradições, Incoerências, Precipitações
Táctica de Trapaceiro
Cada vez que ouvimos Sócrates falar, ele desmente aquilo a que chama boatos, assim como tudo o que sobre ele e as suas acções se conhece e se comenta pelo país fora, incluindo as demonstrações contra ele. Será que todos se enganam menos ele, que só ele detém a verdade? Se assim for interessa saber o porquê. De três causas possíveis só uma pode ser válida: ou são todos parvos menos ele, ou é ele o parvo, ou o que diz é no intuito de fazer de nós parvos.
Como costumamos ter conhecimento das ideias luminosas do déspota iluminado? É ele que as apresenta como de sua obrigação, ou obtemos conhecimento dos seus intentos por portas e travessas? Uma vez que ele não fornece uma informação directa ao povo seu soberano, de que reclama? Ao que parece estamos em face dum monstro pedante a rebentar de arrogância. Pena é que não rebente mesmo. Um impostor por não prestar as contas que deve à nação, tudo encobrindo com a sua arrogância podre. Não se conhece o que psicologicamente significa a arrogância e as características comportamentais daqueles que dela se servem em tudo e para tudo?
Como se isto não bastasse, ainda se atreve a mentir descaradamente, afirmando que Portugal tem “um dos melhores sistemas de saúde”. A sua confiança na ignorância dos portugueses sobre este assunto parece absoluta em virtude da canalha jornaleira nunca ter informado como se passa realmente nos outros países europeus. Como se classifica quem minta e declare tais embustes socretinos?
Os cancerosos esperam seis meses por intervenções extremamente urgentes. Os com problemas do cólon esperam mais de um ano por uma colonscopia. Basta indagar nos hospitais para se ficar a conhecer como é. Os cretinos que entrevistaram o Sócrates não sabiam ou encobriram-no? Que pandilha!
Caso os jornaleiros nos tivessem informado do assunto da saúde saberíamos que não há nenhum país na Europa em que a população não possa escolher o seu médico assistente ou outro que por necessidade especial queira consultar. Todos os médicos trabalham para o serviço nacional de saúde dos seus países, donde cada habitante é livre de escolher aquele que quiser. O mesmo para serviços de diagnóstico, de laboratório ou qualquer matéria relacionada com a saúde. A população dirige-se onde deseja. Caso se pretenda uma clínica de luxo, o estado paga a tarifa hospitalar normal e o utilizador põe o restante. O serviço médico é garantido igual, sendo a diferença unicamente nos serviços ditos hoteleiros. A igualdade dos serviços clínicos, independentemente do estabelecimento, é uma garantia democrática. Em Portugal, não, prova de que não é uma democracia, pelos padrões europeus é um país do terceiro mundo.
Fazendo uma comparação de custos realista e não de vendedor de banha da cobra – em que a base só pode ser em percentagem do ordenado médio – os custos em Portugal, para o cidadão comum, são os mais elevados da Europa. Se na nossa consideração incluirmos ainda o número de pessoas assassinadas por outros motivos e fazendo um transposição temporal, estamos a ser tratados pior que num campo de concentração de prisioneiros da guerra de 1939 a 1945. Nesta comparação realista não se incluem os campos japoneses nem os hitlerianos de exterminação de judeus. Os prisioneiros de Colditz, por exemplo, tiveram um tratamento com que em Portugal os pobres nem podem sonhar.
Nas pessoas assassinadas contam-se todos aqueles que morrem por falta de assistência devido à espera pelo socorro ou nas ambulâncias que percorrem grandes distâncias para chegarem a um hospital. Segundo o comandante dos bombeiros de Évora, trata-se dum mero acontecimento semanal. No Alentejo os serviços médicos da «região desértica» são os mais escassos do país. Para quem quiser verificá-lo basta dar uma volta pelos serviços de urgências e de consultas externas dos hospitais de Setúbal e de Lisboa e contar o número de ambulâncias que encontra provenientes do Alentejo.
Verdadeiramente, só visto. E há quem nos minta bestialmente, afirmando que temos um dos melhores sistemas de saúde. Mente porque sabe que os portugueses estão num estado de completa desinformação, donde a sua chance de ser acreditado é evidente e tanto maior quanto maior a gravidade desse estado.
O estado de ignorância dos portugueses é tão profundo e a triste realidade em que vivem a anos-luz de atraso, que muitos nem acreditam nestes factos concretos e comuns.
O serviço de saúde foi a maior patranha apresentada por todos os governos desde o início e nunca foi modernizado, continuando tal como na sua criação pelo Estado Novo, então uma obra meritória. Mas isso foi há cerca de sessenta anos; os tempos mudaram em todo o mundo; em Portugal não continuamos na mesma, nisto piorou. Mário Soares é um dos maiores responsáveis por este estado, visto ter sido no seu tempo que se fingiu uma reorganização. Este facto não iliba, todavia, os governos que se sucederam que nada fizeram, a não ser o do Cavaco que diminuiu drasticamente o número de vagas para medicina, gerando a situação actual, sem novos médicos para substituírem aqueles que se foram ou vão reformando.
O serviço de saúde é uma autêntica barafunda. Presta-se assim especialmente às negociatas e à incompetência e prepotência de muitos médicos, de hospitais comerciais, um rol sem fim. Estamos numa situação muito semelhante com a nação que tem o pior serviço de saúde mundial: os EUA. Só que em Portugal ainda é pior. Como em tudo, aliás, mas bem encoberto, a ponto de qualquer político poder inventar praticamente o que quiser sem receio que lhe chamem impostor. Podem gozar o Zé Povinho à vontade, porque se ele já tudo permite, muito mais permitirá quando mergulhado na ignorância.
Mas há mais, muito mais, só que os jornaleiros desonestos o escondem propositadamente. Alguém terá reparado nas expressões vazias dos entrevistadores desmiolados de 25-7-07? A entrevista pouco interesse despertou; segundo o Diário Económico foi vista por pouco mais de 840.000 pessoas. Os ineptos nem contestaram a afirmação embusteira sobre a qualidade dos serviços de saúde. São Por ignorância, por estupidez, por incompetência ou por conluio?
Que admiração, num país onde tantos noticiários são iniciados com longas reportagens sobre a corrupção mafiosa do futebol, outra chaga da sociedade a que alguns atrasados ainda chamam desporto. {Aditamento pós publicação: [Que admiração, num país onde nos dias que se seguiram ao da entrevista mencionada neste artigo, todos os noticiários abriram com uma história sobre um qualquer escoiceador de bolas.]} Que admiração, num país onde é permitido anunciar um produto de alimentação normal – como o Danacol – como medicamento contra o colesterol! Com uma legislação e regulamentação defeituosas, concebidas por incapazes de trabalhar, mas altamente especializados na vigarice e no logro para se servirem do estado para os seus interesses pessoais tudo é de esperar. Sobretudo com um povo manso, domesticado e que tudo acata sem estrebuchar. As leis mais inteligentes são as que desresponsabilizam a corrupção política e que até a fomentam (caos das nomeações que causam o desemprego entre os competentes). Prova da estupidez crassa é a lei que obriga a matar os cães que mordam pessoas, em vez do dono. Os parideiros de leis estúpidas ainda não conhecem o velho ditado de que pelo comportamento dos cães e das crianças se reconhecem, os valores, os princípios e a mentalidade dos adultos. Tal é o atraso em que se encontram.
A coerência dos governos só está patente na defesa dos interesses dos parasitas corruptos. A incoerência impera no restante. Os últimos casos foram expostos no blog Do Mirante.
Autor:
Mentiroso
às
03:23
2
mentiras
25 de julho de 2007
Regime totalitário anti-sindical
Como anarquista, a minha missão neste blog é denunciar os erros e as trapaças do poder e do Estado, como os meus amigos e visitantes bem sabem. Por vezes, esta actividade perversa do governo é feita pela calada, com total desconhecimento da opinião pública. Noutras ocasiões, agora cada vez mais frequentes, ela é feita abertamente, com total desprezo pelos valores democráticos que orientam o regime político português.
Inscreve-se nesta última atitude - o total descaramento - a proposta que o governo apresentou na Assembleia da República sobre o exercício da actividade sindical por parte dos trabalhadores da Função Pública. Sugiro que leiam esta notícia que publiquei no meu site Contracorrente sobre esta indescritível manobra. Desta forma, o governo apresentou uma proposta de lei, segundo a qual apenas um em cada 200 trabalhadores – num máximo de 50 – sindicalizados do Estado poderá aceder ao crédito de quatro dias mensais remunerados para o exercício da actividade sindical. Segundo o Augusto Santos Silva, o ministro dos Assuntos Parlamentares, trata-se apenas – imagine-se! - de adaptar à Função Pública aquilo que já é praticado no sector privado.
Como é evidente, esta proposta de lei, apresentada à margem de quaisquer negociações com os sindicatos, mereceu as mais fortes críticas de toda a oposição, que falou em tentativa de limitar a liberdade sindical e de “impor as suas vontades como num regime totalitário”. Também a Frente Comum organizou uma vigília de protesto contra esta legislação em frente ao Parlamento. Pelo meu lado, também estaria presente nesta vigília, não fosse o caso de não ser trabalhador do Estado. Mais uma vez, este governo não-socialista cerceia liberdades garantidas na Constituição da República Portuguesa, baseando-se no poder absoluto de uma maioria absoluta. Por tudo isto digo:
(Publicado originalmente n' O Anarquista a 20 de Julho de 2007)
Autor:
Savonarola
às
23:05
1 mentiras
![Fundação de Software Livre [ Celebrate 30 years of GNU! ]](https://static.fsf.org/nosvn/misc/GNU_30th_badge.png)