Mentira!

Neste blog e noutros sites do autor poderá prever o futuro do país tal como o presente foi previsto e publicado desde fins da década de 1980. Não é adivinhação, é o que nos outros países há muito se conhece e cá se negam em aceitar. Foi a incredulidade nacional suicidária que deu aos portugueses de hoje o renome de estúpidos e atrasados mentais que defendem os seus algozes sacrificando-se-lhes com as suas famílias. Aconteceu na Grécia, acontece cá e poderá acontecer em qualquer outro país.
Freedom of expression is a fundamental human right. It is one of the most precious of all rights. We should fight to protect it.

Amnesty International


9 de outubro de 2010

O Pedro, o Zé, o André e o resto.

O resto não se entende. Então, o resto, decide, por via de um dedo no ar, votar nos seus chefes; votar naqueles que vão comer o miolo do pão, aquela parte que todos nós preferimos enquanto somos crianças.

Dessa votação, são eleitos três, o Pedro, de 9 anos, o Zé, de 10 anos e o André de 10 anos. São eles que vão mandar no resto. Mas vão mandar porque o resto assim o quis. O Pedro, o Zé e o André, dirigem-se ao resto e dizem, ainda sem saber bem juntar várias palavras para edificar uma frase concreta, lógica e razoável: cada um de vocês tem que nos dar, aos três, 2 euros para juntarmos e comprarmos sacos com doces para todos. O resto não questiona. No fim do resto por os 2 euros num saco para o Pedro, o Zé e o André, um dos do resto diz, Então mas vocês não vão por nada? E o Pedro, o Zé e o André respondem, Vamos, sim, quando formos contar todo o dinheiro, pomos a nossa parte. O Pedro, o Zé e o André, mentiram, no entanto, o resto não soube nem sequer se interessa muito se o fizeram ou não, pois foi uma voz que falou. Em vinte.
No dia seguinte, um dos do resto diz, Ontem o André disse-me que nenhum de vocês tinha dado dinheiro para os doces. A partir daí, quem passa a mandar é o Pedro e o Zé. Nós demos, mas um pouco menos. Porquê, perguntou o resto, Porque nós mandamos, nós fazemos as regras. (Soube-se, mais tarde, que o André foi posto de fora, a trabalhar na loja de doces por desobediência ao grupo.)

Em momentos, chega o Pedro e o Zé, cheio de sacos de doces. Dirigem-se a cada um dos do resto e dão duas gomas, ficando com o resto do saco, cheio, para eles. Um dos do resto diz, Esperem lá, vocês pagaram menos, vocês são menos e vocês vão ficar com quase tudo? O Pedro e o André respondem, Nós mandamos, nós somos os chefes e tu não és o chefe, vocês votaram em nós.

No outro dia, o Pedro e o Zé dirigem-se ao resto, A partir de hoje, têm de dar 3 euros a cada um e nós, como mandamos e somos só dois, damos 5 cêntimos porque não faz grande diferença. Todos contestam, uns dizem que não podem, outros limitam-se a olhar para o chão, mas todos dão, porque os chefes mandaram. Aquando da distribuição dos doces, cada um do resto só tem direito a uma goma, ficando a sobra, maior em proporção à poupança para com o resto, para o Pedro e o Zé. Um dos do resto diz, Se nós pagámos muito mais, se vocês são muito menos, porque é que recebemos agora só metade? O Pedro e o Zé dizem, porque mandamos, somos os chefes, e se não pagares, além de não receberes a goma, tiramos-te os teus brinquedos preferidos.
Passam-se dias e a goma reduz-se a uma pastilha, a um rebuçado, a nada. Então agora não recebemos nada, perguntam os do resto. Recebem o facto de não vos tirarmos os vossos brinquedos favoritos. Mas vocês agora têm os doces todos, não pagam e nós temos que pagar 5 euros cada um para ficar com o que é nosso? O Pedro e o Zé dizem, Perdemos as gomas pelo caminho, por isso, há poucas e não dá para distribuir, é por isso que não têm direito a nada. Foram vocês que as perderam, não fomos nós, e agora temos que ser nós a pagar o que vocês fazem de mal?

Como se sentirá o resto?



Cumprimentos,


Também disponível em mypravda.blogspot.com

7 mentiras:

Mentiroso disse...

Interessante parábola, que como todas elas encerra uma verdade comprovada e justa. Mesmo assim, ainda há quem se admire ou condene as greves que se preparam.

As portuguesas, assim como tantas outras, são geralmente estúpidas por, no fim de contas, visarem pequenas vantagens sem verdadeiro interesse para o futuro. Em Portugal nunca se fez uma que garantisse o emprego futuro, como para exigir a modernização e a formação contínuas dos ofícios, mas apenas por pequenas regalias ou por mais uns centavos, na sua maioria sem nexo ou para expandir os interesses de mandriões improdutivos.

Agora porém, é diferente, pois que tem uma base sólida nas diferenças de ordenados que fazem o fosso da desigualdade, as maiores em toda a Europa. Além disso, o Pedro e o Zé estão realmente a abusar exactamente como como descrito nesta parábola.

A. João Soares disse...

Caro jRodrigues,

Seja bem vindo a este espaço muito especial e com um nobre objectivo.
Esta é uma parábola com muita realidade. A moral da história está na pergunta final. Mas como o resto, por não se entender, decidiu escolher os seus chefes, terá dificuldade em agora se organizar e entender pata os eliminar. E, pelas mesmas razões, se escolher novos chefes passa a ser aldrabado da mesma maneira, mas por outros. Só mudam as moscas!!!

O resto faz o papel da relva nos estádios de futebol: é pisada pelos contendores e será sempre essa a sua sina. Se aparecer um «benemérito» que se proponha organizar o resto e defendê-lo, acabará por ser um tirano pior do que os chefes anteriormente escolhidos.
O «milagre» passará por o povo se esclarecer muito bem e saber escolher os chefes e exigir um sistema de controlo das suas actividades e punir os que fazem asneiras, com uma Justiça independente e geral para todos os cidadãos.
Enfim, a parábola mostra uma realidade trágica para a sina do resto.

Abraço
João
Do Miradouro

jRodrigues disse...

Caro João Soares. Obrigado pelo comentário antes de mais. Tocou precisamente num ponto que há muito me convenço, desde a minha verde experiência no meio político, que o "milagre" está na consciencialização das massas. É certamente uma utopia, mas gosto de crer nela. Uma democracia pode sim, ser uma tirania quando o povo, mal informado, dita aos restantes, por via do voto, um governo eleito pela ignorância.

Qualquer um que, por via de reformas radicais, procure apurar e melhorar um sistema, é logo atacado e difamado de G8 maneiras.
Cumprimentos,

Mentiroso disse...

A raiz do problema está precisamente aí. Se quase todos os portugueses pensam que isso possa ser uma utopia mostra a que ponto têm sido mantidos na ignorância pela jornaleirada ignóbil. Não nos informam de nada, nada contam que possa afectar a corrupção política, em perfeito conluio, e raros são aqueles que sabem o que é uma democracia e como funciona. Numa democracia, a constituição estipula o género de assuntos legislativos que devem ser aprovados pela população antes de serem leis (plebiscito) e quais os que devem ir a consulta após (referendos). Não se pode, por exemplo tocar a uma constituição sem que o poço aprove, previamente, qualquer mudança. Tudo isto tem sido escondido pela canalha jornaleira. A RTP tem uma repórter residente em Espanha que só nos fala do lixo desse país. Idem para outros países sem democracia ou deficiente. Nenhuma reportagem nos é apresentado sobre como se vive nos países nórdicos ou na Suíça, por exemplo, ninguém conhece porque é que a Suíça não adere à UE.

São estes e outros países que provam que isso não é uma utopia, é assim que eles vivem o seu dia-a-dia. Também é verdade que o povo português – devido à ignorância em que tem sido afundado, como dito acima, – não pode ter a capacidade que o conhecimento lhe daria para dirigir os seus destinos como nos países citados. De quem é, pois a culpa? É isso que é preciso combater. Praticamente, ninguém cá sabe que a Finlândia tem sempre tido governos de coligações, que na década de 1990 chegaram a ser formados por 14 partidos. Entendem-se porque foram eleitos e estão lá para servir o país e não para o roubarem.

Por tudo isto é claro que neste caso específico, a liberdade concedida aos únicos que não a tinham no Estado Novo, foi feita à custa do mal da restante população. Perdemos a liberdade e a segurança que tínhamos e fomos embrutecidos por essa corja, porque antes conhecia-se muito melhor o que se passava nos outros países do que hoje. Quem tiver memória sabe-o bem.

jRodrigues disse...

É certo sim que o processo legislativo não é justo, não é democrático e não é digno. É certo que toda a informação que nos chega é filtrada, é feita e enfeitada. É certo que ninguém sabe porque é que a Suíça mantém a posição que mantém à UE e que a realidade nos países nórdicos está a anos-luz da nossa.
É uma utopia quando falo no nosso país, pois de utopia não se entende algo não realizável mas sim nunca realizado antes. Mas não creio que a solução seja voltar ao Estado Novo, mas creio que seja a consciencialização das massas. Ou vamos crer que até 1974 tínhamos democracia nalgum sector que fosse da nossa sociedade?
Cumprimentos,

Mentiroso disse...

Claro que qualquer solução em que se volte atrás no tempo está errada. A comparação foi apenas no ponto em questão, «específico», como está ao início do último parágrafo. Tudo tem o seu tempo e a ele pertence unicamente. As transposições raramente resultam, os tempos mudam e voltar atrás nunca resulta. O próprio Estado Novo foi justificadamente bem vindo e apoiado pela população na sua altura. Mesmo com o modo como os votos eram contados foi um progresso enorme sobre o sistema que o precedeu, o fim da ladroagem e da enorme miséria da altura, mas como não progrediu nem se adaptou, acompanhando as mudanças do tempo, tornou-se um obstáculo ao progresso e uma aberração indesejável nas últimas décadas, mais uma razão para se repudiar.

Há mais de 15 anos que os governos Suíços vêm propondo à população a adesão do país à UE, cerca de três em três anos. É sistematicamente recusado porque a população não quer as vantagens da democracia directa, passando a ser obrigada a aceitar todas as resoluções da UE sem as votarem, mesmo sendo contra os seus desejos.

Já agora, muitos nos dizem por cá que se deve acabar com todas as ajudas, subsídios, abonos do estado, etc. Isso é muito bonito e devia realmente assim ser, mas só resulta em países onde não haja miséria como cá, todos ganhem o suficiente sem necessidade desses recursos e não haja tal disparidade de salários. Seria como exigir às pessoas para deixarem os seus transportes privados fora das cidades sem primeiro lhes proporcionar públicos convenientes e parques gratuitos na proximidade desses transportes.

jRodrigues disse...

O Estado Novo foi apoiado assim como Adolf Hitler ganhou as eleições de 1933 e como tal, não nos podemos esquecer que mais uma vez, a soberania do povo fez estragos.
Não podemos também legitimar um sistema que encheu a sua economia e fez de Salazar o "salvador" enquanto toda a população morria de fome, precariedade e horror. E, tal como agora ninguém pode pedir que acabem os subsídios, no Estado Novo isso nem sequer seria possível pois eles não existiam. Não podemos legitimar qualquer tipo de fascismo, qualquer tipo de monopólio, um tipo de presidente-rei que sempre privilegiou as elites que o apoiavam (católicos, monárquicos, falangistas, conservadores e capitalistas) em detrimento do povo, tal como agora. Um regime vergonhoso desde a acumulação de grandes fortunas pelas principais famílias, à opressão colonial, ao subdesenvolvimento até ao vergonhoso ballet rose! Podemos até aproveitar o que ostentamos, com orgulho, no topo do nosso blog "Freedom of expression is a fundamental human right. It is one of the most precious of all rights. We should fight to protect it."

Se há país que está a impor a sua inteligência é pois a Suiça, que rejeita a perda da soberania para a UE e a adesão às políticas das quais agora todos nos vemos escravos e nisso faço dessas as minhas palavras, assim como a falta de raciocínio de alguém que se atreve a criticar os subsídios sociais, num país em que 5% da população retém 90% da riqueza e temos 2 milhões de pobres; quem o nega, não pode ter consciência do país em que vive certamente!

Abraço,