Mentira!

Neste blog e noutros sites do autor poderá prever o futuro do país tal como o presente foi previsto e publicado desde fins da década de 1980. Não é adivinhação, é o que nos outros países há muito se conhece e cá se negam em aceitar. Foi a incredulidade nacional suicidária que deu aos portugueses de hoje o renome de estúpidos e atrasados mentais que defendem os seus algozes sacrificando-se-lhes com as suas famílias. Aconteceu na Grécia, acontece cá e poderá acontecer em qualquer outro país.
Freedom of expression is a fundamental human right. It is one of the most precious of all rights. We should fight to protect it.

Amnesty International


12 de janeiro de 2012

Carta Aberta ao Ministro da Saúde

Não é uma reclamação sobre o modo como este governo decidiu matar os portugueses, que isso está a ser debatido em variadíssimos locais. Trata-se duma reclamação objectiva apresentada por alguém conhecido sobre o mau funcionamento dos serviços de saúde. Como o nosso dinheiro é desperdiçado e nos fazem pagar mais em lugar de reorganizar os serviços, quando já pagamos tanto por cabeça como na Suécia, com um dos melhores serviços de saúde mundiais.

Administrado por gente competente, evidentemente, e não por sabujos parasitas partidários que deviam emigrar em lugar de, ocupando lugares de interesse nacional, estarem a pôr gente capaz no desemprego.

Quem está a roubar os ordenados que ganham em postos para os quais a competência exigida é o cartão partidário?

É esta a realidade desde que estes sabujos parasitas partidários começaram a ocupar lugares de responsáveis e a destruir a organização nacional ao ponto que hoje se conhece. Ainda houve quem, realmente parolo e paspalho, como só os portugueses são, acreditou na banha da cobra do chefe da banda neoliberal que está a destruir o pouco que restava do país. Só os portugueses são estúpidos em se sacrificarem por esta cambada ao ponto de serem masoquistas.

Esta carta foca penas alguns pontos sem pretender ser um relatório. Não podem existir muitas razões por o ministério da saúde ser dirigido por um contabilista; a cada qual de tirar as suas conclusões.


Exmo. Senhor Ministro,

Perguntar-se-á, talvez, porque escrevo a V. Ex. sobre os maus serviços prestados em instituições sob a alçada do seu Ministério quando existem livros de reclamações e gabinetes de utentes a esse fim. Pois bem, é teoria, que quem os utilize conhece que tais coisas servem estritamente para os reclamantes desabafarem, ponto final. Escrevendo-lhe, fica V. Ex. a conhecer ainda directamente o que as pessoas prejudicadas pelos maus serviços sabem e pensam. Passo do assunto.

Há muitos anos que vou às consultas externas dos hospitais da capital. Aos 4 anos de idade fui operado no Hosp. de Stº Antº dos Capuchos. Melhor ou pior, sempre tenho sido atendido, mas hoje, alguns acontecimentos em áreas específicas fazem-nos crer que o atendimento é apenas para gozar aqueles que dele tanto necessitam. Agora, posto que esses serviços passaram a ser caros e bem pagos para empurrar as pessoas para os hobbies privados explorados pelos amigos de alguns políticos ou seus familiares, tais modos de atendimento são completamente inadmissíveis.

Os serviços de saúde estão enterrados em burocracia e cada chefe é legislador dentro do seu feudo, o que provoca um consequente acréscimo à desorganização e incompatibilidades. Como burocracia não é organização, a desorganização nos serviços de saúde é completa. Do lado dos doentes, que é o que interessa, visto os serviços lhes serem teoricamente dedicados, após esperarem meses por uma consulta, outras surpresas os aguardam. Esperam horas (digo bem no plural) no dia da marcação. A velha Leprosaria de São Lázaro (usada como anexo do Hospital de S. José), onde funciona a unidade de ortopedia, é um exemplo do que o Ministério que V. Ex. dirige deve evitar a todo o custo a fim de não ser tomado como colaborador deste desastre.

As consultas são marcadas para horas fictícias, pois que vendo as listas de cada médico, nada parece poder bater mais certinho. A realidade, porém é outra e esperam-se sempre pelo menos duas horas. Todavia, se há serviços muito solicitados e em que o pessoal é insuficiente, nesta unidade verifica-se o contrário. O atendimento na recepção, efectuado por duas secretárias, é rápido quase sem espera. Como são pouco solicitadas, uma delas vai passear para queimar o tempo (quase sempre a de cabelo escuro, esta também com pouca educação), fazem chamadas nos seus telemóveis ou qualquer outra coisa para queimarem o tempo.

É após o atendimento na recepção que se esperam horas. Os médicos estão frequentes sós nos seus gabinetes. As enfermeiras passam boa parte do tempo conversando entre si. Entretanto, os pessoas que aguardaram meses para obter uma consulta, mesmo não sendo esta especialidade das mais sobrelotadas, esperam depois horas sem conta no dia da consulta.

Noutras unidades nota-se que se alguns médicos trabalham dedicada e afincadamente, outros chegam com horas de atraso. Como pode o tempo das consultas ser bem organizado e distribuído? Ou estes médicos que chegam muito atrasados mesmo assim têm tempo de sobra para as consultas, ou as consultas são demasiado rápidas e em consequência eles podem cometer erros fatais – para o paciente, claro. Se há ainda alguns médicos que por vezes saem para tratarem dos seus affaires pessoais durante as horas das consultas, há também, no entanto, e isto é certo, alguns outros que se esfalfam a trabalhar. As horas passadas em espera permitiram-me assistir pessoalmente a todos estes factos.

O desprezo e a desconsideração com que os pobres pacientes são tratados são um ultraje e uma vergonha, tanto para a parte dos que o praticam quanto para aqueles que o sofrem e consentem. Pergunta-se: Como pode esta desorganização continuar a ser ignorada pelo Ministério?

Estou certo de que o Senhor Ministro compreende esta situação. Porque alguém que como V. Ex. já demonstrou tão alta capacidade financeira no seu passado recente, decerto julgará melhor que ninguém o desperdício de tempo, de recursos e de encargos que estas circunstâncias acarretam. Casos destes repetem-se por todo o país e incluem as diferentes dificuldades inventadas em cada centro de saúde para evitar que os doentes os invadam, como aconselhando-os frequentemente a dirigirem-se aos serviços de urgência hospitalares.

Agora reformado, trabalhei longos anos em organização de empresas, sobretudo de produção industrial, pelo que a experiência me obriga a saber o que digo sobre este tipo de assunto específico. Não me cabe, contudo, apresentar sugestões que devem ser deixadas aos profissionais em serviço, mas limitar-me ao papel do observador atento. Sendo notória a justificada preocupação do governo que V. Ex. integra acerca das despesas de saúde, este é certamente um caso em que esses dispêndios exagerados poderiam ser drasticamente reduzidos em lugar de fazer pagar as vítimas, aqueles a quem estes procedimentos já fazem sofrer desnecessariamente. Sobretudo, com a nova legislação laboral no seu único ponto bem-vindo em que a improdutividade pode ser invocada como motivo de despedimento, não se vê que o Estado prescinda do seu uso em favor dos utentes a quem deve servir e proteger destes abusos. É evidente que a aplicação da lei deveria cair de cima para baixo e não no sentido inverso. Ou o termo “responsáveis” não passaria duma paródia. O que é um crime é continuar a penalizar os pacientes, como se está a passar, enquanto se desperdiça nos custos por alguns serem incapazes de organizar e outros serem maximamente improdutivos.

Subscrevo-me humildemente com a mais alta estima e consideração,


De V. Ex.
Atento servidor



Adenda:

Em 17 e 18-12-2012, factos semelhantes foram objecto de denúncia de todos os noticiários televisivos nacionais, onde se salientou que no Hospital de S. João 30 médicos cirurgiões praticamente não trabalham durante um ano inteiro. Como frequentemente aqui citado, a mândria não se verifica apenas num grupo ou numa profissão ou noutro. É de âmbito nacional com exemplo dado pelos governantes e admitido e seguido pelos dirigentes, directores, etc., o que – adicionado à destruição da produtividade pelo Cavaco – tem sido uma das duas principais causas da improdutividade e daí da miséria actual.
Que fazem os infames abortos desinformadores, os doutores da desgraça nacional, ainda mais que os políticos, porque encobrindo-os acentuam as suas acções e contribuem para a sua impunidade e funestas consequências.