Mentira!

Neste blog e noutros sites do autor poderá prever o futuro do país tal como o presente foi previsto e publicado desde fins da década de 1980. Não é adivinhação, é o que nos outros países há muito se conhece e cá se negam em aceitar. Foi a incredulidade nacional suicidária que deu aos portugueses de hoje o renome de estúpidos e atrasados mentais que defendem os seus algozes sacrificando-se-lhes com as suas famílias. Aconteceu na Grécia, acontece cá e poderá acontecer em qualquer outro país.
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Amnesty International


20 de fevereiro de 2011

Injustiça social e insensatez podem gerar rebelião

Transcrição:

Crise e salários chorudos onde pára o bom senso?
Agência Financeira 18-02-2011. Por Vanessa Cruz
Empresas

Estamos em tempo de crise, mas há empresas que pagam ordenados milionários aos seus gestores. E até as que dão prejuízo atribuem prémios.

Os salários milionários e prémios chorudos dos administradores das empresas públicas nacionais têm sido alvo de controvérsia nos últimos tempos. Quais são as obrigações morais de um gestor em tempo de crise? E deverão as empresas que dão prejuízo continuar a premiar quem as gere?

«É puro bom senso», diz o autor do livro «Responsabilidade Civil dos Administradores - Os Deveres Gerais e a Corporate Governance» que é apresentado esta sexta-feira, em Lisboa. Em entrevista à Agência Financeira, Filipe Barreiros explicou que «em termos morais, se uma empresa está a dar continuo prejuízo e se ainda vou receber um bónus por bom desempenho, alguma coisa está errada. Não vou estar a premiar quem me deu prejuízo». A Estradas de Portugal, a TAP e a Águas de Portugal são exemplos de companhias que registam perdas e pagam na mesma ordenados e prémios bem acima da média.

O caminho deve ser sim a «meritocracia», ou seja, «um gestor deve ser premiado pelos seus bons desempenhos e quem diz um administrador, diz um trabalhador, desde o senhor da limpeza até ao gestor. Se tem um bom desempenho por mérito deve ser recompensado. E não ao contrário. É como irmos ao restaurante e darmos ou não gorjeta ao empregado que nos atende. Se sou mal atendido, não dou».

O exemplo vem de cima

Já quando uma empresa tem um bom desempenho como é o caso da EDP, poderá haver justificação para o vencimento milionário do presidente executivo António Mexia, um dos gestores mais bem pagos da Europa?

«As políticas remuneratórias de uma empresa privada apresentam uma liberdade total de movimentos. Enquanto cidadão, obviamente que me pode escandalizar, face à conjuntura económica que o país atravessa, que existam gestores com ordenados multimilionários ou que existem pensões douradas assustadoras para o comum dos mortais. Mas analisando em que moldes o gestor foi contratado, os investimentos que fez e se poderão trazer benefícios a médio e longo prazo para a empresa» a perspectiva é outra.

«A transparência - incluindo no que toca às remunerações dos administradores - é muito importante para que eu, accionista, quando vou investir estar perfeitamente esclarecido de como é toda aquela organização. É sempre uma faca de dois gumes: essa transparência, essa informação divulgada quase à semelhança do que aconteceu com o WikiLeaks poderá gerar convulsões dentro da própria empresa, entre os trabalhadores? Depende sempre da forma como a informação é transmitida». E, no caso do presidente da EDP, «será reconhecido por todos os grandes investimentos que a empresa terá feito em múltiplas áreas e investimento estrangeiro».

Certo é que as empresas públicas têm maiores responsabilidades, deverão dar elas próprias o exemplo aos privados, porque «estão a gerir dinheiro de todos nós, de todos os contribuintes». «Se os deveres deveriam ser mais explicitados? Penso que sim. Deveria haver uma maior responsabilidade e responsabilização de quem está à frente? Penso notoriamente que sim. Se isso na prática acontece, esperemos que sim».

Fazendo notar que «há excelentes profissionais que estão em empresas privadas, mas também em públicas», Filipe Barreiros frisou ainda que «não devemos julgar os administradores como se fossem sempre os mauzões. Tem de se partir sempre do princípio de que muitas vezes é em épocas de crise que surgem oportunidades. É preciso arriscar. O projecto pode vir a verificar-se um falhanço total, mas também uma janela de oportunidade. E aí o gestor também tem de ter necessariamente, até para bem da economia, o seu poder e a sua liberdade de movimentos».

Veja também o que diz Filipe Barreiros sobre

quem deve dar a cara nas falências
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