Mentira!

Neste blog e noutros sites do autor poderá prever o futuro do país tal como o presente foi previsto e publicado desde fins da década de 1980. Não é adivinhação, é o que nos outros países há muito se conhece e cá se negam em aceitar. Foi a incredulidade nacional suicidária que deu aos portugueses de hoje o renome de estúpidos e atrasados mentais que defendem os seus algozes sacrificando-se-lhes com as suas famílias. Aconteceu na Grécia, acontece cá e poderá acontecer em qualquer outro país.
Freedom of expression is a fundamental human right. It is one of the most precious of all rights. We should fight to protect it.

Amnesty International


10 de março de 2011

Marrocos dá bom exemplo

Perante a movimentação social bem visível nos países do Norte de África e no Médio Oriente, e de modo menos grave em muitos Estados do mundo, os governantes mais assisados estão mais atentos à necessidade de pensar antes de decidir, o que deveria ser a norma permanente dos decisores políticos, como o PR disse no seu discurso de posse «é fundamental que todas as decisões do Estado sejam devida e atempadamente avaliadas, em termos da sua eficiência económica e social, do seu impacto nas empresas e na competitividade da economia, e das suas consequências financeiras presentes e futuras. Não podemos correr o risco de prosseguir políticas públicas baseadas no instinto ou em mero voluntarismo.»

Dentro desse conceito e de que mais vale prevenir do que remediar o Rei de Marrocos anunciou hoje que será lançada uma “reforma constitucional global”, seguida de referendo., dando um bom exemplo de medidas inteligentes para fazer face ao despertar «para a necessidade de um novo modo de acção política». Será bom que os governantes tirem de tal exemplo as melhores conclusões e as adaptem ao seu caso concreto.

Cavaco Silva alertou no seu discurso magistral que «só um diagnóstico correcto e um discurso de verdade sobre a natureza e a dimensão dos problemas económicos e sociais que Portugal enfrenta permitirão uma resposta adequada, quer pelos poderes públicos quer pelos agentes económicos e sociais e pelos cidadãos em geral.». Para fazer o diagnóstico correcto, basta estar atento às realidades bem visíveis em todos os sectores.

O PM foi recebido na Guarda com protestos, há menos de uma semana e, três dias depois, o seu discurso foi interrompido em Viseu. Mas, apesar disso e de outros sintomas, parece teimar em se basear «no instinto ou em mero voluntarismo», ao ponto de ter sido comparado por um cronista a Mohammed Saeed Al-Sahhaf o qual, apesar de a evidência visual mostrar que as tropas invasoras estavam já no centro de Bagdad, persistia na descrição das gloriosas façanhas dos homens de Saddam e parecia acreditar que estava ali a meia dúzia de centenas de metros.

Fantasias e ilusões de óptica e afirmações de um optimismo falacioso não são suficientes para ocultar as realidades evidenciadas, por exemplo, de que, para Isabel Alçada, o orçamento não passa de fantasia, pois não tem dinheiro para repor 43 milhões de euros que esperava poupar e, como reconhece o secretário de Estado do Tesouro, os juros da dívida são insustentáveis a prazo. Mas, no entanto, continua a ouvir-se o ilusório optimismo de que Portugal não precisa de ajuda externa, porque é capaz de sacar mais impostos para fazer face à crise, sem que haja uma ideia realista e visível pelos portugueses de medidas adequadas.

A propósito da necessidade de tais medidas, cito novamente o discurso do PER: «(…) é crucial a realização de reformas estruturais destinadas a diminuir o peso da despesa pública, a reduzir a presença excessiva do Estado na economia e a melhorar o desempenho e a eficácia da administração pública. (…) Seria desejável que o caminho a seguir fosse consubstanciado num programa estratégico de médio prazo, objecto de um alargado consenso político e social.»

Imagem do Google