Mentira!

Neste blog e noutros sites do autor poderá prever o futuro do país tal como o presente foi previsto e publicado desde fins da década de 1980. Não é adivinhação, é o que nos outros países há muito se conhece e cá se negam em aceitar. Foi a incredulidade nacional suicidária que deu aos portugueses de hoje o renome de estúpidos e atrasados mentais que defendem os seus algozes sacrificando-se-lhes com as suas famílias. Aconteceu na Grécia, acontece cá e poderá acontecer em qualquer outro país.
Freedom of expression is a fundamental human right. It is one of the most precious of all rights. We should fight to protect it.

Amnesty International


28 de maio de 2007

A zona deserta do governo

Tenho procurado seguir neste blogue uma linha editorial, segundo a qual dou principal destaque a factos e situações políticas menos conhecidas da opinião pública, precisamente porque essa é uma das formas através da qual o poder prefere actuar: pela calada, em suma. O que não retira, evidentemente, que ache importantíssimo, na minha acção anarquista, comentar os factos óbvios, os que são praticados descaradamente, com a convicção arrogante típica do governante instalado.

E foi o que aconteceu desta vez. O ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações – pasta certamente muito pesada, dada a sua extensa designação salazarenta – o Mário Lino, considerou “faraónica” a construção do novo aeroporto de Lisboa na margem Sul do Tejo porque, segundo disse, se trata de uma zona deserta. Uma opção em relação à qual, mais uma vez, o Lino foi categórico e afirmou, em francês, Jamais! Sugiro que leiam esta notícia que publiquei no meu Contracorrente sobre esta verdadeira anedota.

Ainda hoje, passados dois dias, e certamente nos tempos que se avizinham, os comentários do Lino ecoam e ecoarão ressentida e repetidamente na cabeça de muita gente, desde os líderes e deputados de todos os partidos com e sem representação parlamentar, passando pela maior variedade de comentadores políticos (entre os quais modestamente me conto), de académicos e autarcas, até ao homem e à mulher mais simples do povo, entre os quais também me conto. Todos justamente indignadíssimos com uma das maiores bujardas que um homem de Estado poderia atirar aos sete ventos. Suplantando, inclusivamente, os delírios tremendos do da Economia, o Manuel Pinho! Como anarquista regozijo-me prazenteiramente, pensando nos extremos auto-destrutivos a que a posse e o exercício do poder podem conduzir, não só um homem, como todo um governo.

(Publicado originalmente n'O Anarquista, a 25 de Maio de 2007)

3 mentiras:

Mentiroso disse...

Muito justo, e ainda há mais do que "a convicção arrogante típica do governante instalado". Há o «Déspota Iluminado».

Paulo Sempre disse...

Ainda assim, concordo com as palavras do Drº Moita Flores no Jornal Diário; «Correio da Manhã» de 27/05/07:

"Por razões de puro combate político a Ota há anos que anda em bolandas, aparecendo cada vez mais como uma espécie de filho enjeitado"

" Mário Lino é dos poucos que se libertou de uma inventada e politicamente correcta cartilha retórica, que domina a classe política"

"Mário Lino é capaz de não durar muito tempo como ministro. É demasiado humano e a política continua a ser dominada por gente de plástico"

Abraço
Paulo

Antonio Delgado disse...

Amigo SAvonarola,
não estava em Portugal quando o este senhor disparou essa do deserto. Por isso tenho andado a recuperar o que se tem dito. Mas sem aprofundar muito parece-me que o aeroporto deveria de ser construido naquela zona até por questões dessa eventual desertificação porque criaria novas centralidades estruturantes! E deslocaria fluxos de pessoas e coisas há muito viciados por falta de estratégia para o País.