Mentira!

Neste blog e noutros sites do autor poderá prever o futuro do país tal como o presente foi previsto e publicado desde fins da década de 1980. Não é adivinhação, é o que nos outros países há muito se conhece e cá se negam em aceitar. Foi a incredulidade nacional suicidária que deu aos portugueses de hoje o renome de estúpidos e atrasados mentais que defendem os seus algozes sacrificando-se-lhes com as suas famílias. Aconteceu na Grécia, acontece cá e poderá acontecer em qualquer outro país.
Freedom of expression is a fundamental human right. It is one of the most precious of all rights. We should fight to protect it.

Amnesty International


28 de julho de 2007

Idosos esquecidos pelo Poder

Milhares de idosos e famílias deparam com falta de resposta para necessidades, por vezes urgentes, devido ao envelhecimento da população e ao insuficiente investimento em lares, estando 18 mil pessoas em lista de espera para conseguir lugar num lar, segundo disse o presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNI), o padre Lino Maia. Estes números, de finais de 2006, dizem apenas respeito ao universo dos estabelecimentos geridos pelas instituições particulares de solidariedade social (IPSS), que representam a fatia de leão da rede de serviços a idosos.

Em conformidade com dados do Instituto Nacional de Estatística, a população com mais de 65 anos já representava 17,1% da população em 2005, prevendo-se que em 2025, este grupo possa corresponder a mais de 20% da população, mas o investimento em novos equipamentos para atender às necessidades deste segmento da população está longe de acompanhar a sua progressão. As estatísticas da Segurança Social identificavam 949 lares, em 1998, com protocolos com o Estado. Ao longo da última década só abriram mais 251 estabelecimentos, o que perfaz um total de 1200 lares actualmente, que servem apenas 43 mil utentes. As ofertas oriundas do sector privado servem actualmente um universo de apenas oito mil utentes segundo informações fornecidas pela CNI, e a preços fora de alcance para a larga maioria dos idosos portugueses, que auferem pensões médias da ordem dos 300 euros.

Por outro lado, a carência de serviços de apoio à terceira idade é ainda mais preocupante, se atendermos à tendência para o adiamento da idade de reforma de que resulta ser o cuidar dos pais uma tarefa cada vez mais dificultada.

A complexidade do problema reside também na consequência da redução do número de filhos por família, ou mesmo na ausência de descendência o que, a prazo, significa que haverá menos filhos para cuidar dos pais ou não existirão sequer, e os idosos ficarão completamente desamparados.

Mas os abutres estão á espreita. Fazendo as contas ao envelhecimento que se espera da população portuguesa, os capitalistas perceberam que este é um negócio com grande futuro, a justificar investimentos, assim como todos os que se relacionarem com as consequências do envelhecimento da geração baby boom que atinge nos próximos anos a idade da reforma. Os grandes bancos e seguradoras já entraram na corrida. Eles não costumam perder boas oportunidades de negócio. E que outro mercado oferece taxas de crescimento tão seguras como o da terceira idade? O segmento alvo destes grupos económicos não são os idosos com pensões de apenas 300 euros, mas a classe média-alta, seja ela portuguesa ou oriunda dos países do Norte da Europa.

Esta é uma daquelas áreas em que a intervenção do Estado é essencial. Se na questão da natalidade, essencial para o equilíbrio da economia nacional, cabe ao Estado promover o nascimento de mais crianças, também na questão do envelhecimento da população, deve o Estado intervir directamente e encontrar soluções.

4 mentiras:

Mentiroso disse...

Dinheiro para ajudar a viver não vem dos "salopards" que formam a máfia política, sobretudo para velhos, que não dá votos ou dá poucos. Todavia, convencer as pessoas que se interessam por elas dá muitos mais.

Assim, por exemplo, enquanto um canceroso espera mais de seis meses por uma operação urgente e paga todas as escandalosas exigências, fazer um aborto é completamente gratuito, dá direito a 30 dias de licença com o pagamento de 100% do ordenado. Simultaneamente, uma mulher que esteja grávida e que se veja forçada a ficar de baixa antes do parto, sem este ser de risco, recebe um subsídio de 65% do seu vencimento!
Uma mãe que tenha de assistir um seu filho menor na doença, recebe também 65% do seu ordenado e paga todas as comparticipações.

Como é que é? É como o povo consentir.

j. gonçalves disse...

Mais ainda..., que tipo de instituições existem, para determinado tipo de doentes, completamente dependentes.

Mentiroso disse...

Há um sintoma tão simples e evidente que só por si patenteia claramente a mentalidade asquerosa e perversa dos políticos.
Em Portugal não existe a especialidade médica de geriatria. Dizem os alarves que as doenças dos velhos são como as dos outros e que vários médicos em conjunto se podem conjugar nesse sentido(com a escassez que se conhece?). Ou seja, em lugar de consultar um médico geriatra, um idoso consulta uma junta médica. Ficção ou histórias para atrasados mentais que tudo aceitam? Bom, então porque será que os países mais desenvolvidos todos têm essa especialidade? E porque é que será que a esperança de vida nesses países é precisamente a mais longa mundialmente? E porque será ainda que nem políticos nem jornaleiros mencionam estes dois pontos quando abordam este tema a que fogem?

A. João Soares disse...

Agradeço os comentários do Mentiroso e do J. Gonçalves. Existem muitas contradições nas decisões e discursos dos políticos.
Se para gerir uma qualquer empresa de média ou grande dimensão se precisa de pessoas com formação específica, porque é que os políticos são uns ignorantes e têm que gerir o País?
Os assessores deviam ser destinados a suprir essas incapacidades dos ministros, mas para isso, deviam ser escolhidos em concurso público rigoroso. O que acontece é o contrário, destinam-se a dar emprego, ou melhor, ordenado aos amigos e filhos de amigos que sem esse «emprego» não teriam competência para a competição nas empresas privadas.
E, desta forma, o País continua a desgastar-se com uma gestão por tentativas e erros, mais erros do que acertos, na descida cada vez mais rápida de uma rampa sem fim.
Vale a pena ler o post Contradições e precipitações dos políticos e acrescentar mais casos dos mutos que por aí sõ conhecidos.
Abraço