Mentira!

Neste blog e noutros sites do autor poderá prever o futuro do país tal como o presente foi previsto e publicado desde fins da década de 1980. Não é adivinhação, é o que nos outros países há muito se conhece e cá se negam em aceitar. Foi a incredulidade nacional suicidária que deu aos portugueses de hoje o renome de estúpidos e atrasados mentais que defendem os seus algozes sacrificando-se-lhes com as suas famílias. Aconteceu na Grécia, acontece cá e poderá acontecer em qualquer outro país.
Freedom of expression is a fundamental human right. It is one of the most precious of all rights. We should fight to protect it.

Amnesty International


17 de setembro de 2009

José Niza Sobre o Caso MMG – TVI

José Niza, médico e músico, que foi director de programas e administrador da RTP, fala sobre o caso de Manuela Moura Guedes, do seu afastamento como apresentadora do Jornal Nacional de sexta-feira da TVI e de factos precedentes relacionados. Publicado no jornal O Ribatejo por Bruno Oliveira.

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TVI - A Minha Leitura (José Niza)

Fui director de programas da RTP e depois seu administrador. E garanto-vos que, se alguma vez algum apresentador ou jornalista desse uma entrevista a chamar-me "estúpido", a primeira coisa que aconteceria seria o cancelamento imediato do seu programa, independentemente de haver ou não eleições em curso.

Por isso me parece incompreensível que, embora rios de tinta já se tenham escrito sobre o cancelamento do jornal nacional que Manuela Moura Guedes (MMG) apresentava na TVI, todos os analistas e comentadores tenham ignorado a explosiva e provocatória entrevista que MMG deu ao Diário de Notícias dias antes de a administração da TVI lhe ter acabado com o programa.

Em meu entender essa entrevista, realizada com antecedência para ser publicada no dia do regresso de MMG com o seu jornal nacional, foi a gota de água que precipitou a decisão da TVI. É que, o seu conteúdo, de tão explosivo e provocatório que era, começou a ser divulgado dias antes. E se chegou ao meu conhecimento, mais cedo terá chegado à administração da TVI.

Nessa entrevista MMG chama "estúpidos" aos seus superiores. Aliás, as palavras "estúpidos" e "estupidez" aparecem várias vezes sempre que MMG se refere à administração.

É um documento que merece ser analisado, não somente do ângulo jornalístico, mas sobretudo do ponto de vista comportamental. É uma entrevista de uma pessoa claramente perturbada, convicta de que é a maior ("Eu sou a Manuela Moura Guedes"!) e que se sente perseguida por toda a gente. (Em psiquiatria esse tipo de fenómenos são conhecidos por "ideias delirantes", de grandeza ou de perseguição).

MMG diz-se perseguida pela administração da TVI; afirma que os accionistas da PRISA são "ignorantes"; considera-se "um alvo a abater"; acusa José Alberto de Carvalho, José Rodrigues dos Santos e Judite de Sousa de fazerem "fretes ao governo" e de serem "cobardes"; acusa o Sindicato dos Jornalistas de pessoas que "nunca fizeram a ponta de um corno na vida"; diz que o programa da RTP 2, Clube de Jornalistas, é uma "porcaria"; provoca a ERC (Entidade Reguladora da Comunicação Social); arrasa Miguel Sousa Tavares e Pacheco Pereira, etc.

E quando o entrevistador lhe pergunta se um pivô de telejornal não deve ser "imparcial", "equidistante", "ponderado", ela responde: "Então metam lá uma boneca insuflável"!

Como é que a uma pessoa que assim "pensa" e assim se comporta, pode ser dado tempo de antena em qualquer televisão minimamente responsável?

Ao contrário do que alguns pretendem fazer crer - e como sublinhou Mário Soares - esta questão não tem nada a ver com liberdade de imprensa ou com a falta dela. Trata-se, simplesmente, de um acto e de uma imperativa decisão administrativa, e de bom senso democrático.

Como é que alguém, ou algum programa, a coberto da liberdade de imprensa, pode impunemente acusar, sem provas, pessoas inocentes? É que a liberdade de imprensa não é um valor absoluto, tem os seus limites, implica também responsabilidades. E quando se pisa esse risco, está tudo caldeirado. Há, no entanto, uma coisa que falta: uma explicação totalmente clara e convincente por parte da administração da TVI, que ainda não foi dada.

Vale também a pena considerar os posicionamentos político-partidários de MMG e do seu marido.

J. E. Moniz tem, desde Mário Soares, um ódio visceral ao PS. Sei do que falo. MMG foi deputada do CDS na AR.Até aqui, nada de especialmente especial.

O que já não está bem - e é criminoso - é que ambos se sirvam de um telejornal para impunemente acusarem pessoas inocentes, sem quaisquer provas, instilando insinuações e induzindo suspeições.

Ainda mais reles é o miserável aproveitamento partidário que, a começar no PSD e em M. F. Leite, e a acabar em Louçã e no BE, está a ser feito. Estes líderes políticos, tal como Paulo Portas e Jerónimo de Sousa, sabem muito bem, que nem Sócrates nem o governo tiveram qualquer influência no caso TVI. Eles sabem isto. Mas Salazar dizia: "O que parece, é"!

E eles aprenderam.


- 1984. Eu era, então, administrador da RTP. Um dia a minha secretária disse-me que uma das apresentadoras tinha urgência em falar comigo: - "Venho pedir-lhe se me deixa ir para a informação, quero ser jornalista"! Perguntei-lhe se tinha algum curso de jornalismo. Não tinha. Perguntei-lhe se, ao menos, tinha alguma experiência jornalística, num jornal, numa rádio... Não tinha. "O que eu quero é ser jornalista"! Percebi que estava perante uma pessoa tão determinada quanto ignorante. E disse-lhe: "Vá falar com o director de informação; se ele a aceitar, eu passo-lhe a guia de marcha e deixo-a ir". A magricelas conseguiu. Dias depois, na primeira entrevista que fez - no caso, ao presidente do Sporting, João Rocha - a peixeirada foi tão grande que ficou de castigo e sem microfone uma data de tempo.

P.S.
A jovem apresentadora chamava-se Manuela Moura Guedes.
E se eu soubesse o que sei hoje...


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Porque nos escondem os jornaleiros estas opiniões? Esses trambolhos insultuosos, pretensos profissionais, tão rascas, falsos e incompetentes como aquela que defendem, encobrem tudo o que não lhes convém a eles ou a outros interesses obscuros e querem ser fazedores de opiniões. Que confiança nos merece esta cambada reles? É este um caso que sob o ponto informativo muito se assemelha ao da corrupção e roubo na Comissão e no Parlamento Europeus, como recentemente revelado. Felizmente que ainda restam alguns de entre eles que são excepções honestas. Quanto às informações internacionais, o melhor é mesmo procurá-las no estrangeiro.

Há muito quem diga que a Manuela Moura Guedes é uma boa jornalista. Bom, se assim é e pelo seu percurso que o Dr. José Niza nos conta fica provado que para o ser não é preciso seguir qualquer curso nem aprender seja o que for.

Não obstante a sua saida do jornal tenha sido adequada às circunstâncias e ao modo cmo ele era conduzido, de acordo com o Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas, note-se bem que não foi uma decisão tomada no tempo certo. Donde, mais uma vez se deduz a incapacidade generalizada de responsáveis, direcções, gestores, decisores e afins.

Sob o presente tópico, veja-se ainda este poste, também muito elucidativo por conter menções a publicações oficiais escamoteadas pelos mesmos energúmenos.

12 mentiras:

Antonio disse...

Porreiro pá.
O josé niza e o rangel podem falar a mmg não. Não gosto dela nem da hustler, no entanto são formas de expressão e da liberdade que devem coexistir com outras.
È uma pena este país com estas elites porque o povo é inequivocamente bom

Mentiroso disse...

Caro António,

Não se pode deixar de concordar com essa legítima opinião, mas há outras coisas. A condenação pelos seus colegas do Conselho de Deontologia (noutro post recente) não pode ser desprezada e deve mesmo atribuir-se-lhe o seu devido valor. Depois, os direitos individuais são excessivamente mal compreendidos por um povo que não tem a mínima cultura democrática, regendo-se por palavreado oco, atropelando os verdadeiros princípios democráticos, onde o básico, no que respeita à liberdade de expressão é que essa liberdade não deve interferir com a dos outros. Afinal, a liberdade resume-se a uma obrigação e acaba onde pode restringir a do próximo. Sem isto não pode existir liberdade nem democracia. Aquilo por que o Conselho de Deontologia a condenou não foi por liberdade nem com ela pode coexistir. Basta ler o texto do seu comunicado para o compreender.

Quanto ao José Niza, actualmente com mais de 71 anos, deve ter lidado com ela desde ainda muito jovem, conhecendo-a de ginjeira. Isto, por si só, não implica verdade, mas assegura conhecimento. Todavia, analisando o que disse, não deve andar longe da realidade.

Antonio disse...

Caro Mentiroso:

Escolheu mal o seu nick. Você é um tipo cheio de pinta e logo não o pode ser.
Gosto dos termos e da forma como aborda as questões. Na maior parte dos comentários que vejo eles normalmente roçam o insulto, (politico e pessoal). Aqui as coisas são mais civilizadas e é asim que deve ser. No entanto eu não defendo a MMG, porque de facto aquilo não era uma coisa digna de se ver e era jornalismo opinativo. Agora acabarem com o programa em vespera de eleições não lembra ao diabo e depois existem demasiadas conexões, (zapatero cebrian, socrates, virgens púdicas). Agora o que acho é que nunca se deve julgar, (e então o conselho de deontologia, que não tem as mãos nada limpas), com base em proto erros de juventude. Se calhar se se olhar para para a juventude de todos os que nos governam existem demasiados erros, ambições, traições, oportunismos e outros ismos inerentes à juventude.

Gosto de gente educada e com ideias
ABatata

chilreio disse...

Pergunto-me se alguém seguiu a pista de Niza e leu a tal entrevista em que os insultos fizeram parte duma festança de narcisos todo-poderosos, donos do 1º poder...

Mentiroso disse...

Caro Antóno,

Talvez que os elogios sinceros não sejam tão merecidos, mas o que interessa é bater sempre onde estiver mal. Não sempre nos mesmos só por arvorarem cores diferentes, ou teremos tanta credibilidade como eles ou como essa jornaleirada ignóbil.

Mentiroso disse...

Caro chilreio,

É de crer que alguns terão seguido a pista e lido. Só que, tal como fizeram com o comunicado do Conselho Deontológico do Sindicato de Jornalistas, encobriram. Trata-se dum facto que não nos deixa qualquer dúvida sobre a baixeza moral e profissional desta casta de verdadeiros sacanas e cobardes que são os jornaleiros portugueses. Moeda falsa cuja única utilidade e finalidade é a de enganar, mentir e papaguear o que lhes convém a eles. Raça ignóbil a desprezar.

Anónimo disse...

Caro Mentiroso,
Corroboro e partilho da sua acutilante análise. Na fogueira que vão alimentando com reputações, honorabilidades, integridades, etc. no trucidar constante de massa humana, lá vão subindo e escalando até atingirem o estatuto de intocáveis.
É, a meu ver, resultado do imperativo que cada órgão de "informação" tem de cumprir: VENDER HISTÓRIAS!

Mentiroso disse...

Caro Anónimo,
É isso que acontece. Omal está em poucos o compreenderem e muitos o admitirem.

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Caro Mentiroso (?)

Eu também conheço a mmg de ginjeira, pois ela tentou entrar no DN quando eu ainda era chefe-adjunto da Redacção do matutino. Depois, fui chefe mesmo. Desgraças, vidas.

O modo como se me apresentou e as exigências que fez (note-se que andava à procura de emprego, recem saída da Faculdade) demonstraram bem a sua arrogância, a sua fraquíssima educação e a convicção da sua omnisciência e, portanto e implicitamente - não precisava do estádio... que solicitava... Já sabia tudo... Claro que não entrou.

Pela vida fora, pensei que, apesar de tudo, lhe poderia ter dado uma oportunidade; mas fui-me dando conta de que a minha apreciação, ainda que sumária e apriorística, fora a mais indicada. O DN nunca constaria do C V de tal senhora, soit disand.

O José Niza, meu Amigo e camarada socialista, tem razão naquilo que escreveu. O que, para mim, pecou apenas por defeito. Muito mais poderia ter escrito...

Outro assunto: muito obrigado pelo teu cumentário (com o) no Sorumbático. Temos posições e opções políticas bem diferentes, mas é também isso que é incontornável em Liberdade e em Democracia. Em que felizmente, vivemos.

Gosto deste teu blogue, vou passar a frequenta-lo sempre que possível e a deixar cumentários (com o). Se calhar, não seria má ideia que passasses pela Minha Travessa, muito diferente - mas também honesta. Gostava que o fizesses.

Abs

Mentiroso disse...

Caro HAF,

Não pode deixar de se agradecer a passagem neste blog de alguém que é uma das mais remarcáveis excepções às justas incriminações aqui pespegadas nos pretensos jornalistas. Não era assim antes e gente da nossa idade pode certamente recordar-se da progressiva degradação ao longo do tempo. Aviltaram a profissão fazendo dela um escape para ignorantes, incapazes, aldrabões, fazedores de notícias e encobridores de criminosos políticos. Não só mantêm a população na ignorância como a desinformam com dados falsos.

O teu comentário é mais uma pedra a juntar à pirâmide que se deveria erguer sobre o caso da MMG. Pedras que os fazedores de notícias tentam remover. Também não é de admirar que defendam aqueles com quem se identifiquem. Normal e humano, não deixando, todavia, de os classificar. Não sendo jornalista nem para isso tendo pretensões, creio que, no interesse do todos, a verdade deve ser dada a conhecer.

Efectivamente, encontram-se posts de muito interesse no A Minha Travessa. A explosão do número de blogs tem tornado cada dia mais difícil encontrar os de interesse. Cai-se neles por azar.

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Mentiroso

Isso não creio que sejas. Benfeitor de malandros como eu - acho que sim. Já comprei uma toalha de banho para pôr ao pescoço, tanto me babei com o teu elogio. Aí sim, aí não dizes a verdade. Mas - faz-me bem ao ego...

Repito o pedido de voltares sempre que possas e queiras à Travessa e que deixes cumentários (com o). Muito obrigado.

Abs

Paulo Sempre disse...

Quando eu andava no liceu, conheci um professor de português que me aconselhou seguir jornalismo.
Era numa altura em que o Carlos Cruz, o “senhor televisão”, era a referência para muitos dos meus colegas do liceu.
A verdade é que acabei por seguir Direito.
Hoje posso constatar que há nexos de causalidade entre o jornalismo e o direito: ambos têm origem numa certa cultura cigana.
Não é por mero acaso que licenciados em direito e jornalismo invadiram o “mundo” da política. Afinal…. todos são coesos quando se trata de salvaguardar as suas origens ainda que estas sejam “disfarçadas” de modo a evitar os olhares do soberano Povo.
Agora sinto-me cercado no meio dos ciganos e, confesso, só é possível sobreviver – neste lamaçal - “negando” a maior conquista da democracia: a liberdade.
É uma questão se sobrevivência… só isso.

Paulo