
No entanto, o primeiro-ministro e restantes amigalhaços do governo e do partido não ignoram um facto primordial de toda a democracia ocidental: a opinião pública, essa, a que está sempre presente, ali, a obervá-los, a julgá-los, a avaliá-los. É uma espécie de olhar omnipresente ao qual não se pode fugir, por mais que se queira. Uma espécie de Superego do governo e dos governantes. A máquina PS está sempre a medir esta opinião pública, a sondá-la, tal como se vê nas séries do tipo Os Homens do Presidente (aos domingos, 20.30, canal AXN, para quem não sabe). Ora, como nem o partido nem o seu chefe são ingénuos, toca de corresponder imediatamente ao que não está a correr bem nas sondagens. Embora, de forma geral, pareça que a vida não lhes corre de todo mal nestes últimos tempos, com o PS a liderar as preferências de voto dos portugueses, há estar atento sempre. E é isso que o primeiro-ministro faz, na sua infinita sabedoria.
José Sócrates, embora não seja homem de grandes multidões, aproveita todas as ocasiões públicas para fazer propaganda. Mesmo que a matéria sobre a qual tem que falar não seja muito substancial, do género "troço de auto-estrada", ou "inauguração de nova ala tecnológica na Escola XYZ", ou "visita a fábrica de papel selado, com recurso a métodos informatizados", o nosso PM aproveita para elogiar a sua governação, como se todos ignorassem o que ele está a fazer. Oferece à opinião pública o quadro geral de tudo o que existe de óptimo naquilo que ele e os seus ministros obram. Evitando, na medida do possível, a mentira descarada, facilita, embeleza. Portanto: distorce. E isto é grave e deve deixar-nos muito, mas mesmo muito, atentos.
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