Mentira!

Neste blog e noutros sites do autor poderá prever o futuro do país tal como o presente foi previsto e publicado desde fins da década de 1980. Não é adivinhação, é o que nos outros países há muito se conhece e cá se negam em aceitar. Foi a incredulidade nacional suicidária que deu aos portugueses de hoje o renome de estúpidos e atrasados mentais que defendem os seus algozes sacrificando-se-lhes com as suas famílias. Aconteceu na Grécia, acontece cá e poderá acontecer em qualquer outro país.
Freedom of expression is a fundamental human right. It is one of the most precious of all rights. We should fight to protect it.

Amnesty International


31 de março de 2007

Doutores e coronéis da nossa praça

O jornal Público, no legítimo exercício da liberdade de informação consagrada na nossa Constituição - para mal de muitos membros do poder, que bem gostariam de ver, não só esta, como tantas outras liberdades abafadas – resolveu investigar recentemente a carreira académica do primeiro-ministro, o nosso bem tristemente conhecido José Sócrates. E este respeitável órgão de comunicação da nossa praça descobriu irregularidades e falhas no processo conducente à sua licenciatura, apresentadas nesta notícia, cuja leitura sugiro. Depressa esta investigação se tornou num facto político que, como anarquista, me sinto no dever e prazer de comentar.

Divulgada esta situação, logo se levantou um pé de vento – como refiro nesta notícia que publiquei no Contracorrente - com o principal partido da oposição, o PSD, a exigir esclarecimentos ao gabinete do Sócrates, como se de elevada matéria de Estado se tratasse. Vai daí, o gabinete do primeiro-ministro emite uma nota em resposta (infeliz, a meu ver), assinada pelo Sócrates, na qual este considera “lamentável que se utilize a situação actual da Universidade Independente para se atingirem os seus antigos alunos” e “lastimável que o jornal Público se disponha a dar expressão e publicidade a este tipo de insinuações”. Insinuações? A dura e crua realidade, digo eu!

Sendo assim, o que é que está em questão nesta pequena polémica desta pequena República das Bananas (RB)? Para mim, como anarquista convicto - que não chegou a concluir o seu curso de História, diga-se em abono da verdade – o ponto fulcral é este e só este: enquanto que, na maioria dos países europeus considerados desenvolvidos e nos tristes States de má memória, todos os simples licenciados são tratados por “Senhor”, à compreensível excepção dos médicos (porque estudaram muito, muito mais anos do que os outros e se especializaram, basicamente, soando as estopinhas do allgarve), nas RB são tratados por “Doutor”; mesmo aqueles que nem sequer o são, efectivamente... Agora concluo: o que este país tem sofrido às mãos dos dótores e córónéis que se têm instalado no poder e no aparelho de Estado, ao longo de décadas de pura ignorância!

(Publicado originalmente n' O Anarquista a 25 de Março de 2007)

4 mentiras:

A. João Soares disse...

Caro Savonarola,
Todo o bicho careto pretende ter um título académico. Há dias recebi por e-mail cópia da reclamação de uma dama ao banco porque no extracto da conta não fez anteceder o nome de «Drª». A real competência, a excelência do desempenho pouco interessam.
Depois, com tantos doutores e engenheiros nos inúmeros gabinetes do governo, a ganharem fortunas à custa dos contribuintes, em vez da eficiência esperada sai só porcaria mal cheirosa. Centenas de leis que para nada servem. Costumo citar o caso de todos conhecido do Código da Estrada. Para reduzirem o número de acidentes e suas vítimas, os tais doutores fazem sucessivas, alterações... mas o resultado é nulo. Apesar de doutores não souberam fazer o diagnóstico correcto e, a partir daí, não era de esperar que a terapia não seria eficiente... e não tem sido!!!

Desejo uma Páscoa Feliz

NOBITA disse...

Essa do Dr. é uma coisa demasiado vulgarizada, sou licenciada e por vezes também me tratam por Dra. reconheço que não gosto, mas por vezes serve de barreira com o público alvo com que trabalho, pois não sabem diferenciar o papel de um técnico com o de um "criado" como nos apelidam muitas vezes, pois pensam que temos a obrigação de lhes resolver a trapalhada da vida deles. De qualquer das formas se Sócrates tem irregularidades nas suas habilitações acho por bem que sejam revelados, pois quem tem telhados de vidro não deve arrumar pedras. Boa Páscoa

Nicolaias disse...

Não sei se sabe, mas esta investigação começou há 2 anos pela mão do bloguista de "Portugal Profundo"

Nicolaias disse...

Aliás, uma das indignações de uma minoria pública tem sido o silêncio da comunicação social durante todo este tempo perante tal facto : J.S. era uma fruta que ainda tinha sumo para espremer. Por isso, não pense que o jornal Público fez algum acto de que se possa vangloriar: recebeu foi ordem para expôr algo que andava a ser abafado há muito tempo!