Milhares de idosos e famílias deparam com falta de resposta para necessidades, por vezes urgentes, devido ao envelhecimento da população e ao insuficiente investimento em lares, estando 18 mil pessoas em lista de espera para conseguir lugar num lar, segundo disse o presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNI), o padre Lino Maia. Estes números, de finais de 2006, dizem apenas respeito ao universo dos estabelecimentos geridos pelas instituições particulares de solidariedade social (IPSS), que representam a fatia de leão da rede de serviços a idosos.
Em conformidade com dados do Instituto Nacional de Estatística, a população com mais de 65 anos já representava 17,1% da população em 2005, prevendo-se que em 2025, este grupo possa corresponder a mais de 20% da população, mas o investimento em novos equipamentos para atender às necessidades deste segmento da população está longe de acompanhar a sua progressão. As estatísticas da Segurança Social identificavam 949 lares, em 1998, com protocolos com o Estado. Ao longo da última década só abriram mais 251 estabelecimentos, o que perfaz um total de 1200 lares actualmente, que servem apenas 43 mil utentes. As ofertas oriundas do sector privado servem actualmente um universo de apenas oito mil utentes segundo informações fornecidas pela CNI, e a preços fora de alcance para a larga maioria dos idosos portugueses, que auferem pensões médias da ordem dos 300 euros.
Por outro lado, a carência de serviços de apoio à terceira idade é ainda mais preocupante, se atendermos à tendência para o adiamento da idade de reforma de que resulta ser o cuidar dos pais uma tarefa cada vez mais dificultada.
A complexidade do problema reside também na consequência da redução do número de filhos por família, ou mesmo na ausência de descendência o que, a prazo, significa que haverá menos filhos para cuidar dos pais ou não existirão sequer, e os idosos ficarão completamente desamparados.
Mas os abutres estão á espreita. Fazendo as contas ao envelhecimento que se espera da população portuguesa, os capitalistas perceberam que este é um negócio com grande futuro, a justificar investimentos, assim como todos os que se relacionarem com as consequências do envelhecimento da geração baby boom que atinge nos próximos anos a idade da reforma. Os grandes bancos e seguradoras já entraram na corrida. Eles não costumam perder boas oportunidades de negócio. E que outro mercado oferece taxas de crescimento tão seguras como o da terceira idade? O segmento alvo destes grupos económicos não são os idosos com pensões de apenas 300 euros, mas a classe média-alta, seja ela portuguesa ou oriunda dos países do Norte da Europa.
Esta é uma daquelas áreas em que a intervenção do Estado é essencial. Se na questão da natalidade, essencial para o equilíbrio da economia nacional, cabe ao Estado promover o nascimento de mais crianças, também na questão do envelhecimento da população, deve o Estado intervir directamente e encontrar soluções.
28 de julho de 2007
Idosos esquecidos pelo Poder
Autor:
A. João Soares
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27 de julho de 2007
Contradições e precipitações dos políticos
Não é necessário estar muito atento às notícias para notar as frequentes contradições e precipitações que são sinal de ausência de uma estratégia de governo com objectivos bem definidos e medidas coerentes a convergir para os superiores interesses da Nação que passam pela melhoria das condições de vida, na saúde, no ensino, na segurança, na Justiça, etc.
A contradição que hoje me chamou a atenção foi o prometido apoio a idosos do interior do País, criando condições para se manterem em casa, após melhorias nestas e visitas regulares de assistentes sociais e técnicos auxiliares. Não se vê em que linha coerente se insere esta decisão. Ela vem opor-se à política sistematicamente seguida de desertificação do interior (fecho de escolas, de maternidades, de centros de saúde, de SAP, de urgências, de tribunais, etc.). Os idosos têm pressionado os autarcas e estes, através da comunicação social, têm conseguido que, em alguns caso excepcionais, o ministro da Saúde tivesse recuado. Estas contradições, evidenciam precipitação e impulsividade nas decisões, inutilidade da enorme quantidade de assessores, ignorância da metodologia de preparação de decisões e inconsciência ou desprezo em relação às principais finalidades da governação. Estas maleitas não são exclusivas do actual governo, pois têm vindo a ser constatadas desde há alguns anos.
Outra contradição é a do caso Charrua em que a estrutura do partido do Governo apoiou a D. Margarida Moreira (conhaque é conhaque!) e, agora, a ministra arquivou o processo, depois das pressões da opinião pública largamente hostil à forma como tudo se passou. E, com o processo arquivado, fica-se à espera do puxão de orelhas à senhora que se precipitou em face de uma denúncia por SMS.
Também numa altura em que se condena de forma bem notória o trabalho infantil, se vê o Governo a utilizar um contrato com uma empresa que utiliza de forma sistemática esse tipo de exploração, para uma representação de apoio à propaganda governamental. Pode aceitar-se que o contrato das crianças foi feito por uma empresa privada, mas o Governo acabou por dar aval a essa empresa e ao seu sistema de recrutamento de menores e, o que é mais grave, é depois considerar tudo isso normal. Admira que o Governo, que tudo controla, confesse a sua ignorância desta irregularidade de uma empresa com que celebra um contrato.
Outra contradição. Já no tempo em que o actual PR era PM, o Governo começou a deixar de cumprir a compensação devida aos militares pelos sacrifícios e restrições aos sus direitos, liberdades e garantias, inseridos na denominada «condição militar». No entanto, a machadada crítica foi dada pelo actual Governo, ao comparar os militares a qualquer funcionário público (com excepção para Juizes e outros) no tocante a prestações de assistência na doença e a outros aspectos, e continuando a exigir deles a sua parte do contrato da «condição militar», com a impossibilidade de terem sindicato e impedimento de manifestarem publicamente o seu mal-estar. Como será resolvida esta contradição? São funcionários normais, semelhantes aos outros quanto aos direitos, liberdades e garantias constitucionais ou serão escravizados com condições de trabalho e de cidadania especialmente gravosas, singularmente restritivas?
Se são funcionários normais porque não lhes são aplicadas condições semelhantes? Se, como é lógico, é preciso manter essas restrições, então porque lhes foram retiradas as compensações adequadas? Porque é que o Estado deixou de cumprir a sua parte no «contrato» a que é dado o nome de «condição militar»? Neste âmbito, merece ser lido e devidamente meditado o artigo do general Loureiro dos Santo publicado no Público de 23 do corrente.
Há também os casos contraditórios do apoio total (quase incentivo ou convite) ao aborto voluntário, totalmente pago pelo Estado e sem fila de espera, passando as mulheres que não têm capacidade para ser mães e mostram ignorância e desleixo na prevenção da gravidez que não desejavam, à frente das pessoas normais que têm de esperar meses para intervenções cirúrgicas graves e urgentes, e isto em contradição com as medidas agora tomadas para aumentar a natalidade com subsídios substanciais às grávidas e às jovens mães. Afinal, o que pretendem os governantes: abortos ou nascimentos?
Também publicado no Do Miradouro
Autor:
A. João Soares
às
17:17
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Tópicos: Contradições, Incoerências, Precipitações
Táctica de Trapaceiro
Cada vez que ouvimos Sócrates falar, ele desmente aquilo a que chama boatos, assim como tudo o que sobre ele e as suas acções se conhece e se comenta pelo país fora, incluindo as demonstrações contra ele. Será que todos se enganam menos ele, que só ele detém a verdade? Se assim for interessa saber o porquê. De três causas possíveis só uma pode ser válida: ou são todos parvos menos ele, ou é ele o parvo, ou o que diz é no intuito de fazer de nós parvos.
Como costumamos ter conhecimento das ideias luminosas do déspota iluminado? É ele que as apresenta como de sua obrigação, ou obtemos conhecimento dos seus intentos por portas e travessas? Uma vez que ele não fornece uma informação directa ao povo seu soberano, de que reclama? Ao que parece estamos em face dum monstro pedante a rebentar de arrogância. Pena é que não rebente mesmo. Um impostor por não prestar as contas que deve à nação, tudo encobrindo com a sua arrogância podre. Não se conhece o que psicologicamente significa a arrogância e as características comportamentais daqueles que dela se servem em tudo e para tudo?
Como se isto não bastasse, ainda se atreve a mentir descaradamente, afirmando que Portugal tem “um dos melhores sistemas de saúde”. A sua confiança na ignorância dos portugueses sobre este assunto parece absoluta em virtude da canalha jornaleira nunca ter informado como se passa realmente nos outros países europeus. Como se classifica quem minta e declare tais embustes socretinos?
Os cancerosos esperam seis meses por intervenções extremamente urgentes. Os com problemas do cólon esperam mais de um ano por uma colonscopia. Basta indagar nos hospitais para se ficar a conhecer como é. Os cretinos que entrevistaram o Sócrates não sabiam ou encobriram-no? Que pandilha!
Caso os jornaleiros nos tivessem informado do assunto da saúde saberíamos que não há nenhum país na Europa em que a população não possa escolher o seu médico assistente ou outro que por necessidade especial queira consultar. Todos os médicos trabalham para o serviço nacional de saúde dos seus países, donde cada habitante é livre de escolher aquele que quiser. O mesmo para serviços de diagnóstico, de laboratório ou qualquer matéria relacionada com a saúde. A população dirige-se onde deseja. Caso se pretenda uma clínica de luxo, o estado paga a tarifa hospitalar normal e o utilizador põe o restante. O serviço médico é garantido igual, sendo a diferença unicamente nos serviços ditos hoteleiros. A igualdade dos serviços clínicos, independentemente do estabelecimento, é uma garantia democrática. Em Portugal, não, prova de que não é uma democracia, pelos padrões europeus é um país do terceiro mundo.
Fazendo uma comparação de custos realista e não de vendedor de banha da cobra – em que a base só pode ser em percentagem do ordenado médio – os custos em Portugal, para o cidadão comum, são os mais elevados da Europa. Se na nossa consideração incluirmos ainda o número de pessoas assassinadas por outros motivos e fazendo um transposição temporal, estamos a ser tratados pior que num campo de concentração de prisioneiros da guerra de 1939 a 1945. Nesta comparação realista não se incluem os campos japoneses nem os hitlerianos de exterminação de judeus. Os prisioneiros de Colditz, por exemplo, tiveram um tratamento com que em Portugal os pobres nem podem sonhar.
Nas pessoas assassinadas contam-se todos aqueles que morrem por falta de assistência devido à espera pelo socorro ou nas ambulâncias que percorrem grandes distâncias para chegarem a um hospital. Segundo o comandante dos bombeiros de Évora, trata-se dum mero acontecimento semanal. No Alentejo os serviços médicos da «região desértica» são os mais escassos do país. Para quem quiser verificá-lo basta dar uma volta pelos serviços de urgências e de consultas externas dos hospitais de Setúbal e de Lisboa e contar o número de ambulâncias que encontra provenientes do Alentejo.
Verdadeiramente, só visto. E há quem nos minta bestialmente, afirmando que temos um dos melhores sistemas de saúde. Mente porque sabe que os portugueses estão num estado de completa desinformação, donde a sua chance de ser acreditado é evidente e tanto maior quanto maior a gravidade desse estado.
O estado de ignorância dos portugueses é tão profundo e a triste realidade em que vivem a anos-luz de atraso, que muitos nem acreditam nestes factos concretos e comuns.
O serviço de saúde foi a maior patranha apresentada por todos os governos desde o início e nunca foi modernizado, continuando tal como na sua criação pelo Estado Novo, então uma obra meritória. Mas isso foi há cerca de sessenta anos; os tempos mudaram em todo o mundo; em Portugal não continuamos na mesma, nisto piorou. Mário Soares é um dos maiores responsáveis por este estado, visto ter sido no seu tempo que se fingiu uma reorganização. Este facto não iliba, todavia, os governos que se sucederam que nada fizeram, a não ser o do Cavaco que diminuiu drasticamente o número de vagas para medicina, gerando a situação actual, sem novos médicos para substituírem aqueles que se foram ou vão reformando.
O serviço de saúde é uma autêntica barafunda. Presta-se assim especialmente às negociatas e à incompetência e prepotência de muitos médicos, de hospitais comerciais, um rol sem fim. Estamos numa situação muito semelhante com a nação que tem o pior serviço de saúde mundial: os EUA. Só que em Portugal ainda é pior. Como em tudo, aliás, mas bem encoberto, a ponto de qualquer político poder inventar praticamente o que quiser sem receio que lhe chamem impostor. Podem gozar o Zé Povinho à vontade, porque se ele já tudo permite, muito mais permitirá quando mergulhado na ignorância.
Mas há mais, muito mais, só que os jornaleiros desonestos o escondem propositadamente. Alguém terá reparado nas expressões vazias dos entrevistadores desmiolados de 25-7-07? A entrevista pouco interesse despertou; segundo o Diário Económico foi vista por pouco mais de 840.000 pessoas. Os ineptos nem contestaram a afirmação embusteira sobre a qualidade dos serviços de saúde. São Por ignorância, por estupidez, por incompetência ou por conluio?
Que admiração, num país onde tantos noticiários são iniciados com longas reportagens sobre a corrupção mafiosa do futebol, outra chaga da sociedade a que alguns atrasados ainda chamam desporto. {Aditamento pós publicação: [Que admiração, num país onde nos dias que se seguiram ao da entrevista mencionada neste artigo, todos os noticiários abriram com uma história sobre um qualquer escoiceador de bolas.]} Que admiração, num país onde é permitido anunciar um produto de alimentação normal – como o Danacol – como medicamento contra o colesterol! Com uma legislação e regulamentação defeituosas, concebidas por incapazes de trabalhar, mas altamente especializados na vigarice e no logro para se servirem do estado para os seus interesses pessoais tudo é de esperar. Sobretudo com um povo manso, domesticado e que tudo acata sem estrebuchar. As leis mais inteligentes são as que desresponsabilizam a corrupção política e que até a fomentam (caos das nomeações que causam o desemprego entre os competentes). Prova da estupidez crassa é a lei que obriga a matar os cães que mordam pessoas, em vez do dono. Os parideiros de leis estúpidas ainda não conhecem o velho ditado de que pelo comportamento dos cães e das crianças se reconhecem, os valores, os princípios e a mentalidade dos adultos. Tal é o atraso em que se encontram.
A coerência dos governos só está patente na defesa dos interesses dos parasitas corruptos. A incoerência impera no restante. Os últimos casos foram expostos no blog Do Mirante.
Autor:
Mentiroso
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03:23
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25 de julho de 2007
Regime totalitário anti-sindical
Como anarquista, a minha missão neste blog é denunciar os erros e as trapaças do poder e do Estado, como os meus amigos e visitantes bem sabem. Por vezes, esta actividade perversa do governo é feita pela calada, com total desconhecimento da opinião pública. Noutras ocasiões, agora cada vez mais frequentes, ela é feita abertamente, com total desprezo pelos valores democráticos que orientam o regime político português.
Inscreve-se nesta última atitude - o total descaramento - a proposta que o governo apresentou na Assembleia da República sobre o exercício da actividade sindical por parte dos trabalhadores da Função Pública. Sugiro que leiam esta notícia que publiquei no meu site Contracorrente sobre esta indescritível manobra. Desta forma, o governo apresentou uma proposta de lei, segundo a qual apenas um em cada 200 trabalhadores – num máximo de 50 – sindicalizados do Estado poderá aceder ao crédito de quatro dias mensais remunerados para o exercício da actividade sindical. Segundo o Augusto Santos Silva, o ministro dos Assuntos Parlamentares, trata-se apenas – imagine-se! - de adaptar à Função Pública aquilo que já é praticado no sector privado.
Como é evidente, esta proposta de lei, apresentada à margem de quaisquer negociações com os sindicatos, mereceu as mais fortes críticas de toda a oposição, que falou em tentativa de limitar a liberdade sindical e de “impor as suas vontades como num regime totalitário”. Também a Frente Comum organizou uma vigília de protesto contra esta legislação em frente ao Parlamento. Pelo meu lado, também estaria presente nesta vigília, não fosse o caso de não ser trabalhador do Estado. Mais uma vez, este governo não-socialista cerceia liberdades garantidas na Constituição da República Portuguesa, baseando-se no poder absoluto de uma maioria absoluta. Por tudo isto digo:
(Publicado originalmente n' O Anarquista a 20 de Julho de 2007)
Autor:
Savonarola
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23:05
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19 de julho de 2007
A Máfia Política Prepara o Fim de Portugal
Um artigo da autoria de D. António Marcelino, Bispo de Aveiro, foi ontem publicado no blog Do Mirante. O conteúdo to texto é dos mais significativos e realistas que se têm lido ultimamente. Só por si é motivo para despertar as consciências e acabar com a cobardia popular, causa principal da situação vergonhosa vivida em Portugal, provocada pela incapacidade dos governantes que se defendem com a mais ultrajante, estúpida e nojenta arrogância.
Reles que fabricam leis para lhes permitir a impunidade na corrupção, como a das nomeações entre tantas outras; o controlo da crítica, como na projectada lei da imprensa; a mordaça dos blogs, segundo o que descobre a Human Rights Watch, que os incentiva a revelar todos os ataques contra a liberdade de expressão.
A matança dos doentes e dos velhos, à fome e sem medicamentos; as mulheres, a parirem todos os meses nas ambulâncias; a corrupção geral e em especial nas grandes negociatas da construção civil; o desemprego dos mais classificados, cujos empregos são roubados pelos nomeados; a destruição dos sistemas sociais; os ordenados absurdos maiores que os dos países mais ricos para dirigentes ineptos; as reformas milionárias para quem trabalhou meis dúzia de anos, enquanto todos os outros ficam à míngua; o domínio da justiça, de acordo com o que contam juízes e magistrados. É um rol sem fim e pretende esta reles escumalha impingir a ideia de que isto é democracia.
Destroem a população e o país, tal como descrito por D. António Marcelino. Domestiquem-se as bestas políticas! Como se tem feito noutros países onde, no mínimo, se expurgou a corrupção, o compadrio, as nomeações.
Teremos ainda Portugal?
Por D. António Marcelino, Bispo Emérito de Aveiro
O título tem um tom provocatório, mas eu vou justificar. Não digo que esteja para breve o nosso fim de país independente e livre. Mas, pelo andar da carruagem, traduzido em factos e sintomas, a doença é grave e pode levar a uma morte evitável. Aliás, já por aí não falta gente a lamentar a restauração de 1640 e a dizer que é um erro teimarmos numa península ibérica dividida. De igual modo, falar-se de identidade nacional e de valores tradicionais faz rir intelectuais da última hora e políticos de ocasião. O espaço nacional parece tornar-se mais lugar de interesses, que de ideais e compromissos.
Há notícias publicadas a que devemos prestar atenção. Por exemplo: um terço das empresas portuguesas já é pertença de estrangeiros; 60% dos casais do país têm apenas um filho; vão fechar mais cerca de mil escolas ou de mil e trezentas, como dizem outras fontes; nas provas de língua portuguesa dos alunos do básico, os erros de ortografia não contam; o ensino da história pouco interessa, porque o importante é olhar para a frente e não perder tempo com o passado; a natalidade continua a descer e, por este andar, depressa baterá no fundo; não há nem apoios nem estímulos do Estado para quem quer gerar novas vidas, mas não faltam para quem quiser matar vidas já geradas; a família consistente está de passagem e filhos e pais idosos já não são preocupação a ter em conta, porque mais interessa o sucesso profissional; normas e critérios para fazer novas leis têm de vir da Europa caduca, porque dela vem a luz; a emigração continua, porque a vida cá dentro para quem trabalha é cada vez mais difícil; os que estão fora negam-se a mandar divisas, por não acreditarem na segurança das mesmas; os investigadores mais jovens e de mérito reconhecido saem do país e não reentram, porque não vêem futuro aqui; a classe média vai desaparecer, dizem os técnicos da economia e da sociologia, uma vez que o inevitável é haver só ricos cada vez mais ricos e pobres cada vez mais pobres; os políticos ocupam-se e divertem-se com coisas de somenos; e já se diz, à boca cheia, que o tempo dos partidos passou, porque, devido às suas contradições, ninguém os toma a sério; a participação cívica do povo é cada vez mais reduzida e mais se manifesta em formas de protesto, porque os seus procuradores oficiais se arvoram, com frequência, em seus donos e donos do país e fazedores de verdades dúbias; programa-se um açaime dourado para os meios de comunicação social; isolam-se as pessoas corajosas e livres, entra-se numa linguagem duvidosa, surgem mais clubes de influência, antecipam-se medidas de satisfação e de benefício pessoal…
Não é assim, porventura, que se acelera a morte do país, quer por asfixia consciente, quer por limitação de horizontes de vida? É verdade que muitos destes problemas e de outros existentes podem dispor de várias leituras a cruzar-se na sua apreciação e solução. Mais uma razão para não serem lidos e equacionados apenas por alguns iluminados, mas que se sujeitem ao diálogo das razões e dos sentimentos, porque tudo isto conta na sua apreciação e procura de resposta.
Há muitos cidadãos normais, famílias normais, jovens normais. Muita gente viva e não contaminada por este ambiente pouco favorável à esperança. Mas terão todos ainda força para resistir e contrariar um processo doentio, de que não se vê remédio nem controle? Preocupa-me ver gente válida, mas desiludida, a cruzar os braços; povo simples a fechar a boca, quando se lhe dá por favor o que lhe pertence por justiça; jovens à deriva e alienados por interesses e emoções de momento, que lhes cortam as asas de um futuro desejável; o anedótico dos cafés e das tertúlias vazias, a sobrepor-se ao tempo da reflexão e da partilha, necessário e urgente, para salvar o essencial e romper caminhos novos indispensáveis. Se o difícil cede o lugar ao impossível e os braços caem, só ficam favorecidos aqueles a quem interessa um povo alienado ao qual basta pão e futebol…
Mas não é o compromisso de todos e a esperança activa que dão alma a um povo?
Autor:
Mentiroso
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Tópicos: Ataque à democracia, Corrupção, Destruição, Impunidade, Indignidade, Liberdade de expressão, Malvadez, Oligarquia
17 de julho de 2007
Finalmente, o Programa Allgarve!
O Manuel Pinho, nosso anedotíssimo ministro da Economia Feita Pelos Outros, lançou finalmente em Faro o seu célebre Programa Allgarve, alvo de tanta expectativa de há meses a esta parte. Como se pode ver pela foto ao lado, afiambrou-se especialmente para a ocasião, livrando-se da incómoda gravata que lhe travava os soluços da falta de habituação aos cocktail-parties que raríssimamente frequenta, por expressa indicação do Sócrates, desde o disparate da mão-de-obra barata lá na China.
Pois o Pinho, falando para uma esmerada plateia de empresários e dealers de turismo lícito e ilícito - que se fartaram de bocejar para dentro e para fora quando o ouviram falar em very, very exotic Portuguese – anunciou os seus objectivos programáticos, que incluem, como podem ler nesta notícia que publiquei no meu site Contracorrente, precisamente dedicado a estas pérolas do nosso vigoroso capitalismo contemporâneo português, passe a publicidade, sempre importante nestas ocasiões festivas, hamm... Bem, retomando o fio à mealhada, que acabo de chegar de lá, dizia eu que os objectivos programáticos do Pinho podem ser lidos lá naquele meu site de turismo de que acabei de vos falar.
Pois bem, de acordo com os números que o Pinho apresentou, o Allgarve tem actualmente a funcionar 34 campos de golfe, mas o objectivo estratégico dele, que é o de transformar a região compreendida dentro dos limites dos ditos campos num destino turístico de qualidade, se bem compreendi, é o de criar um total de 78 campos de golfe no futuro. Ora, numa média de 25 hectares de implantação por campo, o Allgarve terá 1950 hectares de campos de golfe, o equivalente a quase dois mil campos de futebol. Tudo isto feito pelos outros, claro. Ucranianos, esse tipo de gente, percebem? Ah, e pelos empresários, claro! Que nestas coisas o Estado tem de poupar.
(Publicado hoje n' O Anarquista)
Autor:
Savonarola
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Tópicos: Manuel Pinho, Programa Allgarve
12 de julho de 2007
Pequena Reflexão Sobre as Municipais de Lisboa
Agora que se aproximam as eleições municipais em Lisboa, é uma boa altura (talvez como qualquer outra) para analisarmos sucintamente alguns dos principais candidatos.
Limitamo-nos a ventilar alguns casos escondidos pela desinformação sistemática da jornaleirada infame que encobre a corrupção, indubitável lucro para os próprios ou para os aglomerados que dominam a desinformação nacional.
Preliminar
Há um quarto de século que a Suíça lançou uma experiência destinada simultaneamente a proteger a saúde pública do contágio do VIH e a aliviar o sofrimento dos drogados, na sua maioria irrecuperáveis e equiparáveis a doentes crónicos. À vista dos resultados desta experiência, que atingiram o sua finalidade em cheio, a pouco e pouco todos os países da Europa adoptaram aquele sistema que provou evitar a expansão do vírus da SIDA entre a população a todos os níveis. Devido principalmente a estas medidas juntas a outras no memo sentido, todos estes países figuram actualmente entre os que têm menos contagiados com esse mal mundialmente e onde os drogados são tratados com um mínimo de humanidade.
Portugal só copiou o sistema muito tarde e mal. O desleixe e a incompetência impediram que se atingissem resultados idênticos aos dos outros países e Portugal encabeça a lista dos países ocidentais mais contaminados pelo vírus. Que glória, senhores políticos. Enfim, o costume. Como de costume também, o que é bom para o país raramente se copia ou só é feito demasiado tarde e por vezes mal, enquanto que o que está mal é geralmente rapidamente adoptado , trazendo para cá o lixo, transformando o país na lixeira da Europa.
Fernando Negrão que fazer Lisboa voltar a meados do século passado
Vem agora o Fernando Negrão declarar que se for eleito para presidir a Câmara da Capital promete arrasar toda esta organização que protege a saúde dos seus habitantes e daqueles dos municípios limítrofes, todos já tão afectados pela política de saúde governamental. Tais declarações, por muitas voltas que se lhes dê só podem ter duas origens. Ou se quer atacar a saúde dos cidadãos em geral e degradar ainda mais malevolamente a já miserável vida dos drogados, ou se trata de opiniões de atrasado mental e completamente idiota. Difícil de reconhecer qual delas, provavelmente ambas.
Donde, vote-se nele caso se deseje alastrar a doença e a miséria. O pretendente à Câmara diz outras fortes imbecilidades, mas que frente a esta se revelam inócuas e irrelevantes.
Telmo Correia afirma querer fazer Lisboa voltar ao início do século passado
Pior que o precedente, não só adopta os mesmos princípios arcaicos como pretende querer pôr mais polícias na rua para diminuir a pequena criminalidade de rua, sequência lógica da miséria – mundialmente certificado, até pela Amnistia Internacional – e não se liga à grande criminalidade e corrupção, como a da Câmara, ambas escondidas e de óptima saúde. Segundo ele, o melhor método de acabar com a pobreza que gera essa pequena criminalidade é meter os pobres na prisão: lá, terão comida e agasalho.
Não é este, aliás um procedimento novo dos políticos deste partido. Quando a Mari Jô esteve na Santa Casa da Misericórdia da Lisboa não tentou ela diminuir o número de pobres? Adoptou medidas inteligentes por deveras eficientes: reduziu-lhes de metade as prestações especiais em casos extremos, enquanto que reduziu todas as restantes ajudas pela metade ou as suspendeu completamente e deixou ainda de lhes dar medicamentos. Não há memória de tal acto criminoso na história da nação, muito menos na da Stª Casa.
Estes factos são escondidos, camuflados e pasteurizados pela joranaleirada indigna e conivente e acabam por ser motivo de louros para os criminosos. Afinal, ela sempre teve algum êxito na redução do número de pobres: as suas medidas sempre mataram muitos deles. Por outro lado, os outros criminosos do seu partido não só toleraram as suas acções, mas elegeram-lhe um pedestal pela autenticidade e inteligência da sua malvadez e fizeram da depravada uma herói do partido. Tem-se sempre escrito que a culpa do que está errado em Portugal não é dos partidos, mas da podridão da máfia que os forma. Não será este uma excelente exemplificação?
Num país em que semelhantes acções são escondidas e onde dá votos dizer que se deve pôr mais polícia na rua para reduzir o pequeno crime e em que os pobres desinformados acreditam pia e parvamente, porque desperdiçar tal ocasião. Não têm os impostores, sendo da direita, convencido tantos pobres tolos e ignorantes a votarem neles?
Portanto, vote-se nele caso se deseje alastrar a doença e a miséria. Caso se queira aumentar desmesuradamente os contagiados pela SIDA. Caso se queira acabar com a miséria pela mão da polícia e às prisões já a abarrotar de indivíduos indevidamente presos por prevenção abusiva, deixem que eles as transformem agora em asilos para pobres.
António Costa é o garante da execução das calamidades governamentais no município
Com ele pode-se estar certo de que o governo terá a sua mão pesada sobre a capital. A garantia de que Lisboa perderá o aeroporto da Portela e de que o terreno não será destinado a um parque, mesmo que seja a capital europeia com menos espaços verdes. Os bens públicos serão desbaratados e entregues às aves de rapina que são as grandes empresas construtoras, por um preço irrisório, para poderem perpetrar a sua costumeira extorsão mobiliária e repartir os lucros com a corja política corrupta.
Declara ainda que quer uma maioria sua na Câmara. Após as más experiências com maiorias, quem ainda quererá mais uma. Governar é e deve ser um compromisso e jamais uma imposição. Com a máfia política actual, uma maioria é a certeza duma ditadura. É inconcebível que os políticos portugueses sejam incapazes de se entender para governar como nos países civilizados do norte da Europa. A meio da década de 1990 a Finlândia chegou a ter um governo formado por 14 partidos e independentes, sem problemas. Se não se entendem é porque não são civilizados e o que lhes interessa não é aquilo para que foram eleitos, o país, mas os seus interesses privados e partidários e sacarem o país de assalto. A máfia ao diabo.
Vote-se nele para obter tudo o que sob o seu nome está indicado e mais algumas outras benesses do género.
Conclusão
Assim sendo, não tenhamos dúvidas, qualquer que seja o mafioso a presidir a Câmara, os alfacinhas estão entregues à bicharada. Como de costume.
Raros são os que têm demonstrado algum interesse em pelo menos melhorar o caos dos transportes públicos. Vêm os vendedores da banha da cobra impor medidas restritivas de inteligência obtusa para resolver um problema de organização e de estrutura. Até hoje nunca houve transportes decentes nas grandes cidades portuguesas, logicamente organizados e com um máximo de espera de 4 minutos, como noutras cidades europeias. Porquê? Até hoje nenhum governo, nacional ou camarário se preocupou verdadeiramente em resolver o caos dos transportes públicos. Há tanto resolvido noutras capitais ou que nunca chegou a existir devido a medidas apropriadas e atempadas. Nem mezinhas, só pretendem atirar-nos areia nos olhos. Dizem que querem resolver os problemas de estacionamento e a quantidade dos veículos que entram em Lisboa. Mentira! Se assim fosse já teriam tomado medidas similares às que outros países adoptaram há décadas. Que seria se em Portugal houvesse um número idêntico de automóveis por habitante como nos países avançados?
Giro, giro, agora vão fazer controlo por radar – que na realidade chega com várias décadas de atraso – sem primeiro existir uma sinalização correcta, apropriada e justa. Os atrasados mentais mafiosos. Os transportes e a sinalização parecem ter sido concebidos pelos doentes do Júlio de Matos.
Que esperar do número de abortos que querem presidir à Câmara apenas com a óbvia intenção de a parasitarem e roubarem os habitantes? Como de costume e de acordo com os resultados anteriormente verificados, os lisboetas vão todos votar e votar bem tal como a restante população vota. Vote-se em branco. Há ainda quem opine que para votar em branco é preferível ficar em casa e não ir votar. Tal é a ignorância e imaturidade política da população, proveniente do estado de desinformação e do esforço em lhe vedar conhecimento e informações.
De recordar que o que forma estas hordas de desinformados embrutecidos é o conluio dos jornaleiros no encobrimento das acções dos corruptos contra os interesses da população e mantê-la completamente no escuro quanto ao que se tem passado nos outros países europeus, nas democracias. Como no primeiro parágrafo.
Autor:
Mentiroso
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Tópicos: Corrupção na cidade
9 de julho de 2007
O Estado ganacioso
Há situações com as quais, como anarquista, me regozijo alarvemente. Neste caso, trata-se de uma verdadeira rabecada que o Estado português apanhou da Comissão Europeia, precisamente daqueles que o nosso governo respeita como deuses, acima de todas as coisas. Mais a mais, estando Portugal agora na presidência da União, devíamos estar acima de toda a suspeita, não é?
Mas não é este o caso. A Comissão Europeia acaba de fazer uma recomendação a Portugal, segundo a qual o Estado devia interromper de imediato a dupla tributação sobre os automóveis e reembolsar os contribuintes nos valores já cobrados e com os respectivos juros! Sugiro que leiam esta notícia que publiquei no meu site Contracorrente sobre esta questão. Segundo o secretário-geral da Deco, Jorge Morgado, “o mínimo que é exigido ao Estado é que cesse já com esta ilegalidade da dupla tributação”.
No entanto, o ministro das Finanças atreveu-se a afirmar que é apenas uma recomendação e não uma decisão final e que o processo ainda decorre. Ó ímpio! Ó herético! Desfazer assim nos deuses da sagrada União! Como anarquista, fico contentíssimo que alguém, alguma instituição, se digne pôr ordem nesta des-governação portuguesa. Toda ela feita de ganância, de arrecadar dinheiros que deviam mas era servir os contribuintes, os pobres cidadãos, já tão esmifrados por este Estado insocial não-socialista.
(Publicado originalmente n' O Anarquista a 5 de Julho de 2007)
Autor:
Savonarola
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23:50
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Tópicos: Comissão Europeia, Impostos
7 de julho de 2007
Crime e Bandalheira na Polícia
Agentes da Polícia foram apanhados com a boca na botija, acusados e presos por prevenção. Casos de crimes praticados por agentes das polícias não são novidade. Todavia, a situação em Portugal – em lugar de melhorar – tem-se agravado enormemente na última década. O ministro da Administração Interna diz que nenhuma instituição está livre da prática de crimes. Será esta a realidade ou mais uma realidade fabricada por políticos para se desresponsabilizarem, como se costume?
Agentes foram apanhados em actos criminosos. “Extorsão, furtos, roubos e favorecimento pessoal” e “sequestro” com refém e extorsão, mortes e outros crimes, segundo a notícia do Correio da Manhã. Notícias idênticas foram publicadas por outros jornais, como pelo Diário de Notícias e pelo Jornal de Notícias. Que se passará com as polícias portuguesas que provoque uma constante escalada nos seus comportamentos criminosos?
Fazendo uma única e pequena busca, só no Diário de notícias encontram-se vários casos de menor ou maior criminalidade policial bastante recentes, como por exemplo os três seguintes, dois em Junho de 2007 e outro de Abril:
A cada mês que decorre ouvimos mais desgraças sobre o que se passa com as forces policiais nacionais. Espancam as pessoas nas ruas e nas suas instalações, andam aos tiros à toa e «por dá cá aquela palha», espancam e matam aqueles que perseguem. Durante interrogatórios espancam frequentemente os interrogados, chegam a matá-los e há alguns anos atá arrancaram a cabaça a um. Que selvajaria é esta? Todos factos que no Far West do século XIX se podiam ter feito mais frequentemente, mas não pior. Todos estes acontecimentos se têm vindo a agravar de forma progressiva e contínua, contrariamente aos anúncios dos governos sobre medidas tomadas no sentido de corrigir a situação. É assim, o progresso em Portugal: retrógrado. Enquanto os outros países se têm civilizado, temos aqui uma prova entre tantas das obras dos honestos governantes portugueses.
À semelhança dos políticos que assim os amoldaram e seguindo os seus exemplos, as forcas policiais portuguesas foram-se transformando em bandos de selvagens incompetentes que operam sob os mesmos princípios que os bandos de salteadores. Todos estes acontecimentos cimentaram Portugal nas listas negras de todas as organizações mundiais de defesa dos Direitos Humanos mundiais. Os links para estes casos, que além dos factos acima mencionados incluem tortura, foram já apresentados noutro poste, embora num contexto diferente. Efectivamente, existem mais, como no site do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, mas estes são suficientemente elucidativos e um só que fosse bastava para ser uma vergonha.
Que se passou com estas antigas instituições para terem progressivamente perdido as estribeiras a este ponto? Segundo reportagens e entrevistas aos seus membros apresentadas recentemente, explica-se o mal-estar que se tem instalado nelas. Os agentes não têm qualquer formação, porque aquilo que lhes é administrado como se o fosse, não o é: os resultados estão patentes. Aos agentes não é administrado o ensino necessário nem adequado ao comportamento e procedimento devidos no cumprimento das suas funções. Alguns deles são mortos em serviço devido aos maus procedimentos.
Os agentes com menos de 30 anos de idade vivem sós, na sua maioria, e na sua solidão encontram-se por vezes desorientados ao ponto do índice de suicídios na profissão ter disparado para 5 por ano, dos 22000 que compõem os corpos. É duas vezes e meia a média nacional.
A assistência, o apoio, o aconselhamento e o rastreio são sempre ineficientes e incompetentemente efectuados, ou mesmo inexistentes nalguns casos. Estão praticamente abandonados a si mesmos. Aqueles que os prestam são pseudo profissionais em tudo comparáveis aos que, nos casos ultimamente conhecidos, consideraram professores moribundos aptos para o serviço. Este problema de incompetência entremeado de abuso, ignorância e arrogância é geral no país, a começar pelos governantes, evidentemente. Ao que se conhece, aqueles que sofrem de depressões andam por aí à solta, em serviço e com armas. Eles próprios se consideram perigosos devido à falta de ajuda médico-psicológica e aconselhamento profissional adequado. Situação inconcebível, por comparação às de países que têm um “exército” de pessoal competente adstrito a esse fim. Se matam alguém ou se suicidam, de quem será a responsabilidade por essas mortes e pelo crime? Quem são os verdadeiros criminosos?
Para reflectir e não esquecer. Que significará a coincidência e a relação entre o aumento de crimes praticados pelos agentes da polícia e o aumento dos seus suicídios? Estarão os governantes cegos que pretenderão que nós somos cegos? E porquê?
Paralelamente a estes acontecimentos e coincidências, ainda há mais um. Os meios de combate ao crime têm sido drasticamente reduzidos. Alguns destes factos são simultaneamente explicativos do modo como os governos se têm ocupado das forças de segurança e da incapacidade dos chefes. Uns preferem combater o crime pondo “mais polícias na rua” em lugar de acabarem com a miséria que gera o pequeno crime (que eles invocam como razão para pôr mais polícias na rua) e com a ineficiência da polícia – seriam os procedimentos adequados, mas que não dão votos para lhes permitir continuar com a sua corrupção. Os outros (os chefes) provam a sua incapacidade de controlo, de chefia, de comando e de se fazerem cumprir, por exemplo, reduzindo até o carburante para os veículos. É mais fácil para incapazes.
De quem será, pois a culpa da bandalheira que abrangeu as polícias tão profundamente? Ainda não se ouviu muito sobre a Judiciária, mas dado serem humanos como os outros e estarem sujeitos a condições semelhantes, tudo está encoberto, escondido. Esse pessoal devia também falar.
Entretanto, ouvem-se os dirigentes – parasitas incompetentes como todos os outros dirigentes nomeados pela corrupta corja oligárquica – dizerem frases do género na corporação têm ocorrido "alguns casos de suicídio, poucos”. O bandido acha poucos, talvez quisesse que se suicidassem metade dos agentes por ano! O canalha encobre os culpados; para defender o seu tacho prefere o sofrimento da população pelo comportamento dos agentes e que estes também sofram e continuem a suicidar-se. Que outra razão poderá justificar o seu comportamento, se ele próprio o confessa?
Para se constatarem outros factos altamente significativos e descritivos desta situação originada na corrupção, veja-se um artigo publicado sobre o assunto no site da Mentira!Ou ainda uma descrição de porque vivemos numa lixeira.
A única solução para este problema, assim como para praticamente todos os outros indesejáveis e perniciosos que afectam a desgovernação do estado português de modo idêntico, só pode ser a mesma já mencionada: seguir o exemplo do que os outros povos fizeram com os seus políticos para terminar com a corrupção que originou esta situação.
A corrupção não pode ter fim com mezinhas que mais não servem que para atirar areia aos olhos dos eleitores. Nem enquanto for admitida a um só dirigente sequer. A corrupção só poderá começar a ter fim com o fim dos privilégios e da imunidade à responsabilidade dos governantes e outros que tais. Só poderá começar a ter fim quando mais nenhum cargo neste país possa ser atribuído por nomeação em lugar de por concurso público. Só poderá começar a ter fim quando estas medidas forem implantadas e seguidas obrigatoriamente.
Não se pode permitir a formação duma Nova Classe acima da Constituição, da Justiça e da Cidadania nacional e contra o seu artigo 3º, que tudo e todos controle impunemente, aliada aos magnatas da exploração humana.
Enquanto estas medidas não forem adoptadas como norma intransponível e sem excepções, como nas verdadeiras democracias, o descalabro tem que continuar e é tudo mentira!
Para cúmulo. Tem-se assistido ultimamente à ressuscitação do sistema Nazi ditatorial pelo caminho tomado pele governo pseudo-socialista e pseudo-democrata do Zé Sousa.
Se concordam, façam um esforço para o bem comum e passem a palavra em lugar de procederem como carneiros passivos e inactivos. Há quem esteja enganado, pensando que Deus enviará um arcanjo para salvar atrasados mandriões.
Autor:
Mentiroso
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12:39
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Tópicos: Amnesty International, Corrupção, Destruição, Incompetência
1 de julho de 2007
DFEITOS DE FABRICO NUMA IMAGEM ARTIFICIAL
Serão os sonhos determinantes na vida dos homens? Até que ponto pode um País ficar prisioneiro da "esquizofrenia" dos politicos com "defeitos de fabrico"?
Autor:
Paulo
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15:38
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26 de junho de 2007
Combater a corrupção
Tenho levado a cabo a minha acção anarquista - neste blog Mentira! e onde me for possível - porque acho fundamental estar atento às manhas do poder e do Estado e denunciá-las, sempre que possível, para que não teçam nas nossas costas os seus conluios, elaborados com o objectivo de enganar o povo para satisfazer os interesses dos grandes. Ora, uma das armas que os governos utilizam para fazer valer a sua vontade é a corrupção.
Num estudo realizado pelo Centro de Investigação e Estudos de Sociologia, coordenado pelo Professor Luís de Sousa, 51,9 por cento dos portugueses inquiridos elegeu os anos de 2000 a 2007 como "o período em que existiu maior corrupção em Portugal". Sugiro que leiam esta notícia que publiquei no meu site Contracorrente sobre esta questão. Ainda segundo este estudo, a maioria dos inquiridos (83,8 por cento) considera que, de um modo geral, o combate à corrupção em Portugal não é eficaz e atribuiu ao governo (45 por cento) a principal responsabilidade por essa ineficácia.
Vejo nesta análise diversos indicadores sobre a vida política portuguesa. Em primeiro lugar, os portugueses estão atentos à corrupção que grassa em torno do poder, contrariando a ideia de que somos um povo abúlico, desinteressado da vida política. Como anarquista, considero este facto um indicador muito positivo de que o povo ainda é a reserva de uma possibilidade de mudança, de revolução. Tenho dito frequentemente, também com base na opinião de ilustres pensadores de esquerda actuais, que o sistema neoliberal sob o qual vivemos poderá ser derrotado através de uma movimentação social significativa nesse sentido. Por outro lado, as pessoas não ignoram o facto de que a corrupção no Estado tem aumentado significativamente nestes últimos anos. O poder judicial não actua porque pactua silenciosamente com o executivo, deixando passar, prescrever, os principais processos judiciais anti-corrupção. Em suma, temos que estar atentos e não ignorar as tramas que o actual poder não-socialista tem tecido contra os interesses do povo.
(Publicado originalmente n' O Anarquista a 20 de Junho de 2007)
Autor:
Savonarola
às
10:29
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Tópicos: Corrupção
25 de junho de 2007
Galiza - um modelo de desenvolvimento
Os nossos comentadores costumam citar como exemplos de desenvolvimento rápido a Irlanda e os Países Nórdicos do continente, mas em conformidade com a entrevista dada ao Jornal de Notícias por Emilio Pérez Tourinõ, 56 anos, profundo conhecedor da Galiza, tendo como professor universitário feito numerosos estudos sobre a economia e a sociedade galegas e sendo presidente da Junta da Galiza desde 29 de Julho de 2005, a Galiza, aqui tão perto, tem a economia a crescer a um ritmo invejável, orgulhando-se da sua pujança, e sendo um bom exemplo a seguir.
A Galiza está a crescer, há seis semestres seguidos, acima do resto da Espanha e mesmo da média europeia para o que, segundo ele, «existem vários elementos fundamentais. O primeiro é o clima de estabilidade e confiança. Propiciámos um marco de acordo e diálogo social. Essa foi a primeira tarefa que propus quando cheguei ao Governo. Convocámos os representantes dos empresários e todas as centrais sindicais e propusemos-lhes criar uma mesa estável e de diálogo social. Delineámos o objectivo de, em um ano, chegar a um acordo pela produtividade e o emprego da economia galega, com uma série de reformas e de medidas concertadas. Creio que esse clima foi alcançado.
«O segundo elemento é que, nos últimos anos, a economia galega conheceu uma modernização infra-estrutural significativa, no que toca à qualificação dos seus recursos humanos. Existem três universidades e há um nível de qualificação elevado. Eu dou um valor singular, no ranking da importância, à educação e à formação.
E, em terceiro lugar, considero que se gerou um núcleo de potentes investidores, de líderes empresariais…nos sectores automóvel, das pescas, agro-alimentar e de transformação de rochas ornamentais.»
As exportações galegas estão a crescer 17 por cento, «não apenas em quantidade. A componente das exportações que gera valor acrescentado está a ganhar muito peso. As exportações que incorporam valor acrescentado e uma componente média/alta do ponto de vista tecnológico são 25% do bolo total. E estamos a ganhar em produtividade. No último ano, a economia espanhola não teve crescimento de produtividade, mas a Galiza cresceu um por cento. Nos últimos dois anos criou-se 64 mil empregos. E estamos a reduzir a precariedade, que era um dos nossos maiores problemas. Crescíamos precarizando o trabalho - e isso não é bom socialmente, nem economicamente.»
«Os nossos motores de crescimento são a educação e a inovação. Há que vencer o desafio da produtividade da economia. Este é o objectivo central de toda a política económica. E não há outro remédio senão melhorar o capital humano e tecnológico. Quando tomei posse neste Governo planeei um crescimento de 20 por cento para a Educação em quatro anos. Praticamente, em dois anos, alcançámos esse objectivo. Estamos a qualificar a fundo os nossos recursos. O outro elemento fundamental é melhorar a nossa capacidade de investigação e de inovação. O desenvolvimento tecnológico. Pusemos em marcha dois grandes planos, cada um dotado de 800 milhões de euros. Um tem a ver directamente com a investigação e inovação e o outro com o acesso à sociedade do conhecimento, a extensão da banda larga a toda a geografia galega. Estamos a criar instrumentos potentes e inovadores nesse sentido.»
Para criar projectos foi já criada «uma sociedade de investimento, em que estão as três principais financeiras e os principais empresários, que nasce com um fundo inicial de 100 milhões de euros destinado a seleccionar projectos de investimento que gerem alto valor acrescentado à nossa economia. Queremos projectos singulares que actuem como motores, como elementos dinamizadores.»
Deixo aqui apenas este aperitivo. Quem desejar ler a totalidade da interessante entrevista encontra aqui.
Autor:
A. João Soares
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16:05
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Tópicos: Desenvolvimento, Ensino, Inovação, Produtividade
24 de junho de 2007
Cavaco Repete Golpes à Democracia
Não contente com os seus governos que espalharam a miséria de hoje em Portugal, assim como a falta de médicos, pela segunda vez da sua presidência Cavaco pretende calar a voz do povo soberano.
Como foi relatado na ocasião do referendo sobre o extermínio da gravidez (tradução do termo usado oficialmente em Inglaterra – como “terminator” – sem facciosismo, onde o aborto é há muito legal), na manhã do dia do referendo ouvimo-lo dizer que se a abstenção a esse referendo fosse alta deveria rever-se a lei sobre os referendos.
Hoje, na aproximação da aprovação do novo tratado europeu, o anti-democrata confirmado diz que antes de se pronunciar sobre a necessidade dum referendo para a aprovação ou recusa do tratado deve conhecer o texto completo. Que grande gozo! Que tem a ver um texto qualquer com um direito do povo? Então o direito só é conferido de acordo com determinadas condições!?
O impostor está a dizer-nos claramente que só temos direito a um referendo democrático desde que a nossa escolha não possa incomodar os interesses do bando de corruptos. Mas que raio de democracia é esta que nem finge sê-lo e em que os nossos direitos podem ser decididos a bel-prazer da decisão da canalha de parasitas corruptos. Pelas múltiplas constatações evidenciadas no dia-a-dia e nas acções dos governantes, sabemos muito bem que não vivemos em nenhuma democracia, mas espezinhar deste modo os direitos essenciais e básicos do povo soberano é um crime de traição aos princípios democráticos e uma prova da esterqueira em que a corrupção e os interesses oligárquicos transformaram esta lixeira europeia.
Cavaco encabeçou os governos que foram os autores da miséria actual. Ninguém com o ínfimo de capacidade mental analítica que lhe permita um mínimo de discorrimento pode ignorar que foram os seus governos que destruíram o futuro do país pelo modo como os fundos de coesão europeus foram usados em Portugal. É do conhecimento geral como governantes, políticos e amigos enriqueceram à conta desses fundos; como essa gente comprou propriedades rurais, edifícios, andares, veículos caros e outros efeitos à custa do roubo e do extravio desses fundos. Só os políticos corruptos escondem estes factos e pretendem que as causas da desgraça que nos provocaram poderão ter outras raízes.
Se o Cavaco não foi o autor físico directo desses acontecimentos, a sua responsabilidade é exactamente a mesma. Não podia ignorar o que se estava a passar sob o seu comendo e de que ele era o primeiro responsável directo, portanto o autor por responsabilidade.
Ninguém pode ignorar como o restante dos fundos que não foram roubados foi usado. Uma parte desse saldo foi usada em indemnizações para destruir a indústria e a agricultura sem que as medidas necessárias a uma substituição tivessem sido tomadas; os resultados estão agora à vista. A outra parte foi maliciosamente posta em circulação para produzir inflação e dar a ilusão de riqueza geral, o que se traduziu naquilo que os corruptos queriam: votos e prolongamento dos mandatos para a continuação do descalabro. Só os políticos corruptos escondem estes factos e pretendem que as causas da desgraça que nos provocaram poderão ter outras raízes.
Ninguém pode ignorar ainda que a crise de falta de médicos foi causada directamente pela sua decisão em reduzir o número de vagas para os cursos. Só os políticos corruptos escondem estes factos e pretendem que as causas da desgraça que nos provocaram poderão ter outras raízes.
Após todos estes crimes contra a população e contra o país em geral, ouvimos o responsável pela sua perpetração e consequências, agora presidente, repetir a sua machadada verbal contra o principal acto democrático jamais posível numa democracia não apenas nominal: restringir e suspender o direito. Só os políticos corruptos escondem estes factos e pretendem que vivemos em democracia.
A corrupção não pode ter fim com mezinhas que mais não servem que para atirar areia aos olhos dos eleitores. A corrupção só poderá começar a ter fim com o fim dos privilégios e da imunidade à responsabilidade dos governantes e outros que tais. Só poderá começar a ter fim quando mais nenhum cargo neste país possa ser atribuído por nomeação em lugar de por concurso público. Só poderá começar a ter fim quando estas medidas forem implantadas e seguidas obrigatoriamente.
Enquanto estas medidas não forem adoptadas como norma intransponível e sem excepções, como nas verdadeiras democracias, o descalabro tem que continuar e é tudo mentira!
Autor:
Mentiroso
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23:26
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Tópicos: Ataque à democracia, Cavaco, Ditadura, Oligarquia
23 de junho de 2007
Ministério da Educação e ambiguidades
Ministério anula pergunta errada
Segundo o DN, o Ministério da Educação (ME) decidiu ontem anular uma das questões do exame de Física e Química A (715), do secundário, que continha erros, compensando os alunos que fizeram a prova com um acerto na classificação.
Em comunicado, o ME esclarece que "no item 4.2.1, na alínea D da versão 1, e na alínea B da versão 2 [da prova 715] a figura apresenta uma incorrecção que inviabiliza a concretização de uma resposta correcta". Por isso, decidiu que a questão em causa já não conta e que a classificação final dos examinandos é "majorada com o factor 1,0417", para evitar que estes sejam penalizados na classificação final. Por outras palavras, a nota obtida (sem a cotação da pergunta) é multiplicada por esse valor.
Rui Nunes, assessor do ME, desvalorizou o incidente. Está a cumprir o seu «dever» de assessor, para manter o lugar e subir na carreira política.
Onde está a coerência do ministério que deveria ensinar os nossos jovens a serem gente responsável e séria? Por um lado castiga-se severamente o Dr. Fernando Charrua, que não é do partido, por ter dito umas graçolas que não prejudicam ninguém, nem sequer o próprio visado, e a ministra concorda e até recompensa a D. Margarida defensora fiel dos «valores» do partido. Por outro lado alguém, pago para elaborar as provas de exame, cometeu um erro que prejudicou todo o sistema do ensino, todos os alunos que fizeram o exame, e não é submetido a processo disciplinar nem é punido. Por outro lado ainda, os alunos que cometem erros nos exames são prejudicados nas suas classificações. Como se compreende que o professor que errou fique impune? Será um incondicional do partido, como a D. Margarida? Será um boy que interessa ser protegido pelo partido e que foi nomeado para elaborar as provas, não devido à sua competência mas pela sua devoção ao partido ou pela disponibilidade para a delação de charruas?
Errar pode acontecer ao mais competente, mas isso não impede que sofra as consequências.
Autor:
A. João Soares
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09:53
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Tópicos: Educação, Impunidade, Irresponsabilidade
22 de junho de 2007
Liberdade de expressão agredida
Referem-se dois comentários de Do Miradouro que não precisam de se dizer mais nada!!! a não ser que ao querer transcrever aqui fui impedido de publicar, tendo de fazer um arranjo.
De Casimiro Rodrigues, um comentário em que disse...
Caro João.
O PortugalClub.com e o www.portugalnoticias.com estão ambos bloqueados para mim. Minha caixa de endereços também, não posso enviar mensagem nenhuma. Foi um técnico representante da Brasiltelecom. Não me dão nenhuma satisfação. Vejo que o braço longo de lisboa chegou até aqui. Estou estrebuchando e vendo como consigo sair desta. ..... Casimiro
Caro Casimiro,
Critica-se o antigo regime por ter instituída, às claras, a censura, mas agora há várias formas obscuras de amordaçar as opiniões, e impedir a verdadeira liberdade de expressão.
Diz.se que antigamente, o Poder não queria que as pessoas estudassem a fim de poderem ser mais facilmente domadas, mas agora, controla-se tudo para que as pessoas não sejam esclarecidas sobre os mais importantes problemas do País e se preocupem apenas com as novelas e as coisinhas insignificantes mas tornadas mais espectaculares.
O «Big Brother» do George Orwell está aí em força como mostra o caso do Dr. Fernando Charrua.
Perante isto, caro Casimiro, o seu portal é valioso e espero que consiga encontrar forma de contornar esse bloqueio que lhe está a ser imposto.
Autor:
A. João Soares
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06:27
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Tópicos: Liberdade de expressão, Opinião
19 de junho de 2007
O Cancro Político na Blogosfera Portuguesa
Pequena análise sobre o bando de oportunistas sem escrúpulos, parasitas, facciosos políticos, impostores e outros mal intencionados que infestam a blogosfera portuguesa. Aviso aos incautos, presas fáceis de procedimentos desonestos.
Os falsos profetas
Com o crescimento da blogosfera, paralelamente cresceram também os oportunistas em todos os campos, assim como os parasitas. Refere-se aqui unicamente o oportunismo político, os vendedores da banha da cobra que se aproveitam da miséria do estado da nação para propagandearem a corrupção como salvação aceite por uma população formada por uma grande maioria de ignorantes.
Estes blogs apresentam os casos e discutem-nos dum modo revestido duma falsa imparcialidade. No entanto, ao os lermos, é impossível deixar de notar as alusões feitas em favor de um ou de outro partido, consoante a cor política do seu autor. Logo, o êxito dos seus autores só pode ser atribuído à enorme proporção de carneiros desinformados por eles e pela jornaleirada incompetente iletrada e indigna que os desinformou. Este êxito é também, obviamente, directamente proporcional à percentagem de ignorantes e papalvos que formam a população crédula e tão facilmente manipulável por qualquer vigarista.
O blog intitulado José Maria Martins é por si só uma evidência palpável deste tipo de atitude. Em resumo (para mais, veja-se no link precedente), ataca casos com fundamento e objectividade, mas aproveitando essa mesma justa causa, impinge ideias políticas, demolindo seja o que for para exaltar a sua escolha política. As críticas são justas e apropriadas, mas o caminho imutável apontado a dedo como solução, repleto de sectarismo, é nojento. E porque será que passa casos que dão brado completamente em branco, como o caso do Prof. Fernando Charrua? Autêntica banha da cobra que tem enganado muitos que se deixem levar pelo assobio da serpente. Não se pode fazer como esse blog faz: mencionar os podres e tentar impingir uma solução que só poderá servir para piorar os casos que se refere. Ter-se nascido atrás dum chaparro não dá direito a enganar todo o mundo.
Outro blog que segue a mesma linha de pensamento, arvorando iguais intenções, é o Margem Esquerda (existe outro blog com o mesmo nome, motivo porque aqui se indica o URL deste blog, a fim evitar enganos, mas que se pode aproveitar para notar o interessante conjunto de um post com os seus comentários).
Os anónimos
Os comentários de anónimos têm crescido à olhos vistos, mas não de um modo geral. Este crescimento verifica-se sobretudo nos comentários deixados em blogs políticos polémicos, quer polémicos honestos, quer polémicos desonestos. É unicamente destes anónimos que aqui se trata.
Deve fazer-se ainda uma diferença entre um comentador que use um pseudónimo agregado a um qualquer registo da Internet, seja site, blog ou ISP e um anónimo. Os pseudónimos são apenas isso, pois que são facilmente localizáveis e identificáveis. Muitos escritores, alguns entre os mais conhecidos e notáveis, de todas as nacionalidades, publicaram as suas obras sob pseudónimos. Não foram nem são anónimos. Um anónimo não quer ser reconhecível e, propositadamente, tenta esconder-se ou evita deixar qualquer rasto. Há anónimos que são conhecidos dos autores de alguns blogs onde deixam os seus comentários e apoiam-se neste facto para dizerem que não são anónimos. São, ou não são? Partindo do princípio que um blog é afinal público, e que uma única pessoa o conhece e não tem qualquer obrigação de dar a conhecer de quem se trata nem o faz, a desculpa não tem esteio.
O anónimo, nestas circunstâncias como em muitas outras, é um cobarde. Sobretudo nos comentários em que se reconhece a intenção dele querer fazer passar uma mensagem de contrariedade sem fundamento nem lógica, a defesa dum partido ou acto político condenável por razões humanitárias ou pelos resultados constatados. Sobretudo, ainda, em todos os casos em que se denote propaganda política partidária sectária. Estes casos são prova real da cobardia e da má fé dos comentadores.
Vários facciosos oportunistas não querem perder ocasiões e publicam textos nas áreas de comentários de certos posts, mas que não são comentários, pois que o que lá escrevem em nada se relaciona com o post em si. Um exemplo flagrante dum caso assim pode ler-se nos comentários a um post do blog Do Portugal Profundo. Repare-se que este tipo de propaganda de má fé, embora utilizando o mesmo meio que as tentativas de publicidade que alguns bloguistas efectuam para promover os seus blogs, não é a isso comparável. É um método utilizado para espalhar ideias partidárias que defendem a implementação dum estado que açaima e subjuga a nação, visivelmente fruto de baixos sentimentos e com más intenções.
Endereços de correio electrónico
Outra anomalia nos blogs mantidos por portugueses, por comparação aos blogs particulares noutros países, é a enorme ausência de meio de comunicação, ou seja a ausência da publicação de qualquer endereço de e-mail. A questão do blog ter um acesso por comentário não pode servir de pretexto, não é equivalente.
Que se passará na mentalidade arcaica e cobarde nacional, que justifique este acontecimento? Medo de spam? Não, porque existem vário modos de o evitar para um e-mail exposto. À falta doutra razão não se conhece outra que não esteja ligada às características dum povo atrasado, medroso e desprezando o seu demelhante.
Mais uma fobia como aquela que os impede de se unirem contra aquilo que mais os apoquenta, mas que preferem sofrer em silêncio como uma pobreza envergonhada. Lamentam-se, choram-se, mas nada fazem num sentido que lhes resolva os problemas, que lhes simplifique a vida, que os livre do jugo das oligarquias e das plutocracias.
Adoram nadar na cloaca da corrupção, como muito bem diz o procurador-geral. Daí a validade sempre actual do velho ditado de que “cada povo tem o governo que merece”. Ou se se preferir outra versão pelas palavras de José Saramago: "é altura de protestar, porque se nos deixamos levar pelos poderes que nos governam e não fazemos nada por contestá-los, pode dizer-se que merecemos o que temos".
Só admira é porquê tanta choradeira se nada fazem para mudar e preferem continuar na cepa torta? São realmente o pasto ideal para o desenvolvimento das oligarquias parasitas que os dominam por não terem coragem nem vontade para as sacudir. Os que os exploram sabem-no perfeitamente, pelo que não receiam exercer a repressão, roubar tudo a que possam deitar a mão e escravizar os atrasados.
Tudo isto, claro, com o apoio dos jornaleiros que lhes dá toda a ajuda indispensável para os manter na mais profunda ignorância. Ignorância daquilo que é uma democracia e de como funciona, de como os povos avançados dominaram e subjugaram os seus políticos e os mantêm sob estreita vigilância, a ponto de nalguns países nem terem direito a modificar uma lei ou um imposto sem a autorização expressa do povo soberano.
Evidentemente, o atraso mental é tão grande que tudo isto só pode ser tomado como uma utopia incrédula para a quase totalidade dos portugueses tal a ignorância em que têm sido mantido à força é intensa.
Lembrança para uma possível mudança
Recordemos que estamos fartos de tretas de políticos, falsidades, imposturas, promessas e mezinhas. Sobretudos esta últimas, pois que são usadas para enganar, fazendo como que um blow-up fotográfico dos efeitos imperceptíveis e praticamente inúteis das mezinhas, no único fito de caçar votos.
O povo ainda não compreendeu o que fez as outras nações atingirem a democracia, porque corruptos não são só os políticos portugueses; o problema está em mantê-los à rédea curta. O problema não está nos partidos, mas na corrupção dos políticos que os formam deixados em plena liberdade. Ver aqui, neste blog, uma análise de por onde se deve começar para exterminar a corrupção, relacionado com o assunto deste este post e hoje o mais importante para o país, porque não se está a fazer nada pode mudar. Pelo contrário, tudo o que se faz vai no claro sentido de perpetuar a corupção.
Autor:
Mentiroso
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Tópicos: Atraso, Desunião, Estupidez, Mentalidade
16 de junho de 2007
Repressão Contra a Liberdadade de Expressão
Pela Amnistia Internacional
Vários países não europeus estão tentando calar a liberdade de expressão na Internet. Alguns casos, como o controlo do conteúdo na China, pelo Google e pela Microsoft mereceram críticas internacionais, mais pesadas da Amnistia Internacional (AI). O caso do bloguista egípcio de 22 anos foi notícia mundial. 25 outros países não europeus estão a aplicar a lei da rolha às suas populações. E aqui?
Estamos certos de que em Portugal nada se poderá fazer nesse sentido, oficialmente e às claras, por obediência à liberdade imposta por Bruxelas. Se a adesão à União Europeia tem inconvenientes, também trouxe algumas conveniências onde os abusos dos políticos corruptos se tornaram costume e tradição. Não se pode passar por cima deste facto sem o lembrar. Contudo, os mal intencionados não pouparão esforços para corromper o sistema por portas e travessas.
Donde se mostra aqui o que recomenda a AI. Segundo a organização dos Direitos Humanos e defensora acérrima de todas as variantes da liberdade, Os blogs, por exemplo, em lugar de se calarem devem proclamar todos os abusos bem alto. Devem insistir em denunciar toda e qualquer restrição, publicar notícias encobertas (como sabemos que os jornaleiros portugueses fazem). Devem publicar tudo aquilo que de qualquer modo for cesurado.
Se a mensagem conseguir passar e as recomendações seguidas, como a AI espera, o mundo futuro será muito melhor. Com efeito, é bem conhecido que os governos raramente expressam os desejos dos seus povos e são os eles causadores de quase toda a infelicidade na terra.
Sugere-se ler o artigo completo num site da AI intitulado Irrepressible.Info (ou seja: Informação Irreprimível). É este o URL onde ela apresenta uma série de métodos e ideias para combater repressão. A não esquecer de assinar tudo que este site peça, pois que a AI tem sido o melhor garante da liberdade mundial, por vezes mesmo o único.
Outras informações, algumas muito recentes.
Autor:
Mentiroso
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Tópicos: Amnesty International, Ditadura, Repressão
15 de junho de 2007
"A JUSTIÇA PRISIONEIRA DE UM PASSADO «FECHADO»"
«A mediatização da justiça não tem em si nada de ilegítimo na medida em que a justiça diz respeito à sociedade na qual a autoridade judicial não devia aparecer como um mundo fechado, separado da realidade.» (processos Penales de Europa, Association de Recherches Pénales Européennes).
A verdade é que, nos julgamentos mais mediáticos os meios de comunicação quase que se substituem aos tribunais, perante o silêncio ensurdecedor dos magistrados. É notório o embaraço da justiça no lidar com os "casos" mediáticos". Faz lembrar os humildes trabalhadores jovens da provincia na «corrida» aos grandes centros urbanos na sua "luta", constante, com as "luzes da ribalta": uma vida fechada...quase separada da nova realidade, um constante camuflar da juventude inadaptada, um tentar passar em silêncio, subtraindo assim à curiosidade pública os seus traumas afectivos, as suas inibições, renúncias, demissão de novos e diferentes desafios, etc...
Não choca, por isso, o facto dos meios de comunicação "substituierem" a justiça - alguém tinha que pôr termo a tão grande passividade. Choca, isso sim!...é verificar constantemente que não existe segredo de justiça, que nem todos têm os meios necessários que lhes garantem o direito de defesa, que os processos mediaticos raramente terminam numa pena efectiva exemplar, que a honradez e isenção política - que são barreiras anticorrupção importantes - têm agora "pés de barro".
Hoje, a impresa tablóide não se priva de utilizar adjectivos pouco abonatórios que visam criticar de modo injurioso a autoridade judicial e policial. Contudo, não se vislumbra o "peso do braço da justiça" a dar mostras da sua autoridade, afastando assim a esperança de uma «coexistência pacífica» entre os mundos judicial e mediático. Assim ainda acontece entre o mundo rural "profundo" e os principais centros urbanos.
Paulo sempre**
Autor:
Paulo
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11 de junho de 2007
Corrupção na Justiça? Não Só
O corpo de texto em itálico, que serve de base para este artigo, foi difundido pelo jornal O Sol em 27-2-2007, em relação a uma publicação do dia anterior no Diário da República. Foi em seguida e até há alguns dias divulgado por imensos blogs. O caso continua sem que qualquer responsável preste as devidas satisfações ao soberano, o povo.
É na consequência desta falta que aqui se repete e se apresentam no fim as conclusões evidentes sobre esta atitude daqueles que se desresponsabilizam do mesmo modo que os criminosos o fazem: lavando as mãos do sangue que derramam.
Hugo Marçal está em vias de ser admitido a frequentar o curso de auditor de justiça do Centro de Estudos Judiciários. O nome do arguido no processo de pedofilia da Casa Pia vem publicado no Diário da República de ontem, entre centenas de candidatos a frequentar a escola que forma os juízes portugueses. Mas ao contrário dos outros, Hugo Marçal não vai prestar provas.
Pelo facto de ser doutor em Direito - grau académico que terá obtido em Espanha - está por lei «isento da fase escrita e oral» e tem ainda «preferência sobre os restantes candidatos». Resultado: o advogado de Elvas está na prática à beira de ser seleccionado para o curso que formará a próxima geração de magistrados.
O nome de Hugo Manuel Santos Marçal surge na página 4961 do Diário da República de ontem, 2.ª série, com o número 802, na lista de candidatos a ingressar no CEJ.
Se concluir o curso com aproveitamento e iniciar uma carreira nos tribunais – primeiro como auditor de justiça, depois como juiz de direito – Marçal terá também o privilégio de não ser julgado num tribunal de primeira instância.
Assim, se o julgamento do processo Casa Pia ainda subsistir, haverá que proceder à separação de processos, e o caso de Marçal será tratado por juízes desembargadores, no tribunal da Relação.
Advogado em Elvas, Hugo Marçal, de 46 anos, é suspeito do abuso reiterado de um ex-aluno da Casa Pia e de ser cúmplice no esquema de prostituição alegadamente montado por Carlos Silvino.
A acusação relaciona-o com os encontros numa casa de Elvas onde menores da Casa Pia mantinham relações sexuais com clientes angariados por Silvino, o ex-motorista da Casa Pia e principal arguido do processo.
São ainda acusados neste processo Carlos Cruz, o ex-provedor-adjunto da Casa Pia, Manuel Abrantes, e o médico Ferreira Diniz, entre outros.
O Ministério Público pretende que Hugo Marçal seja condenado por 36 crimes: 22 de lenocínio e 14 de abusos sexuais de menores (respeitantes a um único menor).
Por Manuel Agostinho Magalhães
manuel.a.magalhaes[@]sol.pt
Há quem pareça não ter memória nem a necessária mioleira para discorrer as causas deste acontecimento e até se pergunte “Porquê?”, como se lê em vários blogs. Como porquê? Então não sabe a população inteira que a corrupção tomou conta do país por sua própria aprovação? Alguém reclamou a esse sujeito quando os fundos europeus de coesão foram desbaratados, roubados por Políticos & Amigos e o restante posto em circulação, para produzir inflação e dar a ilusão de que todos viviam bem, para dar votos, em lugar de se usarem para a actualização e progresso do país, que ficou assim para trás? Ou porque se considerará que o Cavaco chegou a ter três governos, inédito em Portugal, senão pelos papalvos julgarem que estavam a viver bem e os governos eram bons? Como diz o ditado, “Cada povo tem o governo que merece”. Ainda se poderia acrescentar: e a vida que escolheu. Também há quem diga “Quem boa cama fizer nela se há-de deitar”. Cantaram como a cigarra ao som da trompeta da ilusão do primeiro-ministro; agora que dancem ao da do presidente. Pois têm-se agora os resultados completos, tanto no que respeita à miséria como à corrupção. E vem agora o senhor presidente afirmar que todos sem excepção se devem unir para remendar os resultados do bando de corruptos e de ladrões que ele dirigiu enquanto primeiro-ministro. Quel culot.
De salientar que o Cavaco não tem demonstrado os maus sentimentos gerais da sua corja – nem agora nem antes – é um fraco seguidor que se tem deixado levar à trela pela bandidagem. Presentemente, em melhor posição, tem também melhores conselheiros que lhe evitam de meter a pata em poças mais fundas. Todavia, nem esta nem qualquer outra possibilidade serve de desculpa ou isenta da responsabilidade ligada a qualquer cargo. Se não pode, que salte da carroça; se continua, que arque com a responsabilidade.
Quem se poderá admirar da corrupção geral quando praticamente todos se sentem tão bem nela como peixes na água. Tal como diz o Procurador Geral. Quando acaso são vítimas dalguma consequência dizem (pior, pensam) que tiveram azar. É como as mães que passaram a ter os filhos nas ambulâncias: é por azar.
Dito isto, resta ainda evidenciar uma outra corrupção – a aceitação – demonstração de que, para a moralidade de quem aceite, este caso do Hugo Marçal não é nada de bradar aos céus, é só um pouco de barulho, mas tudo voltará à “ordem”. Esta outra corrupção patenteia-se nos juízes ao aceitarem um tal colega sem qualquer escrúpulo nem repugnância. Nem vale a pena insistir em que isto define a corrupção e acontecimentos deste teor tenham lugar e continuaremos a afundar-nos sem razão para reclamar. Moral da história: não se incriminem aqueles a quem demos a permissão para nos martirizarem.
Autor:
Mentiroso
às
01:25
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Tópicos: Cavaco, Corrupção, Embuste, Impunidade, Indignidade, Justiça podre
9 de junho de 2007
É difícil o combate à corrupção
A corrupção é um negócio ilegítimo, e por isso secreto, entre duas partes, ambas beneficiadas, e em que, por trás, há um terceiro, normalmente o Estado, que é directa ou indirectamente prejudicado.
Desenvolve-se num caldo de cultura que lhe é propício e que deriva da burocracia asfixiante nascida de uma legislação pouco prática, demasiado restritiva e condicionante, quase sempre de interpretação difícil. O cidadão, mais vulgarmente o que tem negócios com o Estado ou as autarquias, para obtenção de licenças, alvarás ou elaboração de contratos de índole diversa, a fim de ultrapassar as dificuldade e vária ordem com que depara, procura obter a boa vontade de um funcionário «amigo» que compensará em dinheiro ou espécie conforme combinação prévia. Na sociedade materialista em que vivemos nada é gratuito, tudo se troca e tudo se paga.
Tanto o corrupto activo, o que pede o favor e dá a compensação, como o corrupto passivo, o funcionário que faz o favor, usa o seu poder de influência e recebe o «pagamento», têm consciência da ilicitude do seu acto o que os leva a tratar de tudo «entre eles» sem provas nem testemunhas. Com este secretismo, a luta contra a corrupção é difícil, pois seria necessário que um denunciasse o outro, o que, como ambos são beneficiados, só será possível quando um não concorde com o valor da compensação e não chegarem a acordo e o acto não tenha lugar.
Quem se encontra metido nisto são, de um lado, pessoas com suposto ou reconhecido poder de influência e, do outro lado, empresas ou indivíduos com capacidade financeira e do antecedente tornados «amigos» dos detentores de poder, através de pequenas «atenções». Sempre houve trocas de favores, hoje mais designadas «tráfico de influência», sendo difícil definir o que é uma simples prova de amizade e o limiar onde começa a corrupção. Daí ser fácil compreender as hesitações do legislador ao querer elaborar um corpo normativo com um sistema de controlo e de investigação que torne eficaz o combate a esse cancro que prejudica o Estado tanto no seu património, como na sua imagem e credibilidade. Os legisladores pertencem ao conjunto de cidadãos em que se inserem os tradicionais suspeitos de corrupção passiva. Convergindo com esta nos seus efeitos, há uma outra moléstia, a do «enriquecimento ilegítimo», estando uma e outra englobadas nas propostas do deputado João Cravinho que, sintomaticamente, foi afastado do Parlamento para um «degredo dourado», como é de bom uso fazer aos detentores de vozes incómodas quando política e socialmente bem colocados.
Quanto às dificuldades de definição e de provas, tem havido actos públicos suspeitos em todos os níveis, poucas autarquias estando isentas de suspeitas, assim como partidos e governantes. Foi criticado o facto de um governante ter aceitado o convite de se deslocar ao Brasil e permanecer uns dias de férias numa praia privada propriedade de um grande empresário português também dono do avião que o transportou, tal como é insinuado o facto de o PR condecorar no 10 de Junho cinco dos seus apoiantes na campanha eleitoral. Outra notícia de hoje diz que a PJ está a relacionar despacho do anterior Governo com donativo a um partido, na sequência de um projecto turístico que afectaria o ambiente.
Mas, se é difícil afirmar que num dado caso houve corrupção, é-o muito mais e até impossível afirmar que não houve. Por isso soa estranhamente que dois autarcas de Lisboa «não demonizam» uma empresa de construção civil em que recaem suspeitas de corrupção activa ligadas a obras de vulto na cidade.
Autor:
A. João Soares
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Tópicos: Corrupção
2 de junho de 2007
O Logro – Dividir Para Reinar
Muitas pessoas não se importam de ser mal tratadas, acham que se vão escapando por si sós, pobres diabos. A base da política portuguesa actual é "dividir para reinar" a fim de que a corrupção continue em vigor e que dela os corruptos possam tirar partido, vigarizar, parasitar.
O povo, anestesiado pelos corruptos e mantido numa profunda ignorância por jornaleiros nojentos que encobrem e não contam como se passa de verdade em países democráticos – só revelam maus exemplos, como de Espanha e um ou outro bom, mas sem grande valor ou utilidade, para despistar. O povo ainda não compreendeu o que fez as outras nações atingirem a democracia, porque corruptos não são só os políticos portugueses. O problema está em mantê-los de rédea curta.
Por exemplo, nunca ninguém aqui contou ou ouviu sobre a enorme corrupção dos políticos ligada a tudo o que desse dinheiro e alvíssaras por actos corruptos, desde a década de 1970 até princípios da de 1990, na Irlanda. Ninguém sabe como o povo se uniu e agiu até domesticar os políticos, nem como a polícia os caçou e levou a tribunal. Os casos de corrupção de tipo até certo ponto idênticos aos que há em Portugal, excepto na usurpação de cargos da administração pelos partidos, abundavam. Até o primeiro-ministro estava implicado, foi julgado e condenado. Foi uma razia e meteram os políticos no seu lugar. Nisto não se fala porque incitaria os carneiros a acabar com a sua exploração pelos nefandos.
O que se passou em Portugal e o que originou a situação actual está historicamente contado no
Site da Mentira! Não defende nem ataca nenhum partido em especial, limita-se a narrar os acontecimentos. Tal como ocorreram, mas que até hoje têm permanecido escondidos para não afectarem quem lucra com a corrupção – os próprios corruptos.
Há dois pontos fulcrais que devem ser corrigidos em primeiro lugar e sem os quais nada mudará. Porque são eles a base para que qualquer coisa mais do que mínima possa mudar. Ambos com a mesma importância e prioridade:
Os corruptos dos políticos dizem que querem que esses postos sejam ocupados por gente de sua confiança. Isto explica tudo. Explica que querem que os seus actos corruptos e de ladroagem, como luvas (pay offs) em casos de construtores, empresas de desenvolvimento etc., fiquem encobertos, donde a necessidade de que falam. Pois se não é assim que se passa nos outros países e os políticos não têm necessidade de cobertura, porque é que cá hão-de ter se não para encobrir a corrupção? No caso dos funcionários, por exemplo, não vale a pena tomar qualquer medida contra os funcionários se não se começar pelo princípio: a substituição de todos os chefes que foram nomeados.
Há outras soluções necessárias para uma melhoria da situação e o extermínio da corrupção que tudo destrói neste país em benefício duma classe oligárquica de mafiosos e salteadores que roubam o estado descaradamente, mas estas são as mais urgentes. Outras também são altamente necessárias, tais como a redução do número de parasitas, o número de ministros, secretários e assessores – cerca do triplo do tempo do malfadado Estado Novo –, mas as primeiramente enunciadas são as principais e o começo indispensável.
Tudo o resto é atirar areia aos nossos olhos. Promessas, mezinhas, falar em emprego, em tecnologia, e tudo isso, não passa duma treta de miseráveis vigaristas, inútil sem que antes se comece pelo essencial. Parlota para entreter e enganar os eleitores, fazê-los tomar causa pelos partidos, dividi-los para que não se unam contra a corrupção que lhes convém, de que vivem. Veja-se um texto mais extenso sobre o mesmo tópico.
Autor:
Mentiroso
às
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Tópicos: Corrupção, Ditadura, Impunidade, Indignidade, Oligarquia
1 de junho de 2007
A greve geral e o fosso governantes-povo
Sob o ponto de vista anarquista, a greve geral de quarta-feira, 30 de Maio, foi um sucesso total. Tenho exprimido neste blogue, por várias vezes, a importância que têm as movimentações sociais contestatárias para a alteração do actual estado das coisas. Este sistema neoliberal capitalista em que vivemos só cairá se as pessoas - o povo, no seu todo - o desejarem e se derem a conhecer publicamente o seu descontentamento. Ora, foi isso que aconteceu ontem.
Terminado o dia de greve, seria de esperar a típica guerra de números entre governo e sindicatos. No entanto, inteligentemente, a CGTP, pela voz do seu secretário-geral, Carvalho da Silva, disse claramente “não entramos em guerras de números”. Foi desta forma que este dirigente sindical desmentiu a versão do governo de que a greve tinha sido apenas parcial e com efeitos limitados, ao mesmo tempo que deu exemplos de muitos sectores que pararam completamente ou funcionaram a meio gás. Sugiro que leiam esta notícia que publiquei no meu Contracorrente a este propósito.
Quando toda uma massa significativa de trabalhadores adere a uma greve geral, algo vai muito mal no governo do país. E os governantes, em vez de rebater com números e percentagens, deveriam tomar em linha de conta o que há de errado na sua política económica e laboral. Contudo, conhecendo a arrogância desta ditadura da maioria imposta pelo actual governo Sócrates-PS, o inverso é que seria de esperar e foi o que aconteceu: o poder nega cegamente o impacto da greve geral. Desta forma, mais uma vez se cava o fosso que separa os governantes do povo. De forma dramática.
(Publicado originalmente n'O Anarquista a 31 de Maio de 2007)
Autor:
Savonarola
às
11:22
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Tópicos: Carvalho da Silva, CGTP, Greve Geral


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